Definições da ansiedade de competição

por Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso Antonio Machado

Segundo Cozzani e cols. (1997), a ansiedade é definida como um estado emocional de apreensão e tensão no qual o indivíduo responde a uma situação, não perigosa, mas de ameaça, com um grau de intensidade e magnitude desproporcionais ao objeto em questão. Segundo Rubio (2000), o excesso de ansiedade interfere negativamente no desempenho de atletas. Desta forma, a exposição a ameaças pode causar mudanças fisiológicas, o que faz com que o organismo consuma muita energia, podendo interferir em atividades de longa duração. Machado (2001) ressalta a importância de saber lidar com a ansiedade para que se consiga o nível ideal para cada situação, ou seja, adequar esses níveis de ansiedade para chegar a um desempenho ótimo ou facilitador da melhor performance, perceber como e de que maneira ela afeta o desempenho positivamente ou negativamente.

No que tange o conceito relacionado à ansiedade, Samulski (1992) caracteriza o Estado Pré-Competitivo como o momento próximo da competição, em que passa pela cabeça do atleta suas oportunidades, riscos e conseqüências geradas pelo seu desempenho dentro da competição. O esportista que se depara com  essa situação, acaba passando para um estado de intensa carga psíquica (estresse psíquico), causando muitas vezes o sentimento de medo e temor. As alterações promovidas pelo estado pré-competitivo ocorrem nos campos fisiológico e psicológico. A resposta do atleta pode variar entre o chamado estado de febre, estado de apatia e estado ótimo de ativação, de acordo com Puni (1961), sendo que o atleta pode apresentar fisiologicamente intensa irradiação de processos fisiológicos e alguns indicadores de ansiedade bem como nervosismo, instabilidade emocional, medo do adversário, menor intensidade da percepção e concentração e aversão à competição. A ativação pode ser uma ótima disposição, pois gera autoconfiança, concentração e alta capacidade de controle psico-motor. Os resultados dos estados pré-competitivos no desempenho do atleta podem leva-lo à desorientação tática, perda do ritmo e controle sobre os movimentos, desmotivação, reações lentas e fadiga precoce. O estado pré-competitivo pode ser positivo quando o atleta compete com uma ótima conduta técnica, no controle das situações e é taticamente perfeito (Samulski, 1992).

De acordo com Machado (2001), para que o atleta possa caracterizar a importância de cada situação, é fundamental que o mesmo tenha o auxílio do Psicólogo do Esporte, pois este poderá trabalhar a forma de aumentar ou diminuir o nível de ansiedade do jogador. Além disso, o psicólogo do esporte também analisa a forma como o atleta lida com a transferência dos processos emocionais. Como exemplo, pode-se citar a torcida que irá deixá-lo confortável na partida ou torná-lo centro de um ambiente hostil e de pressão, fato que pode levar a uma inibição na execução dos movimentos. Em outro cenário, existe a possibilidade do jogador já ter sofrido uma contusão e por medo de se contundir novamente, tornar-se ansioso e acabar prejudicando a execução do movimento. Se o atleta falhar, estará sujeito ao fracasso, e assim, surgirá a dúvida pelas conseqüências desse ato.

O nível de ansiedade apresentado pelo atleta está intimamente ligado às condições da tarefa em questão, a pressão imposta, o nível de habilidade e a natureza da atividade. A interação dinâmica desses fatores revelará padrões de desempenhos. Torna-se necessário examinar cada uma das variáveis separadamente e posteriormente analisá-los de uma forma global (Singer, 1977). A ansiedade pré-competitiva normalmente é caracterizada por nervosismo, associando-se com ativação ou agitação do corpo, tendo um componente de pensamento, como preocupação e apreensão, chamado ansiedade cognitiva. Outro componente, é denominado ansiedade somática e refere-se às mudanças de momento a momento na ativação fisiológica percebida (Weinberg, 2001).

REFERÊNCIAS

Cozzani, M. (1997). Ansiedade: interferências no contexto esportivo. Psicologia do Esporte: temas emergentes.

Machado, A. A. (2001). Psicologia do Esporte. Campinas: Alínea.

Rubio, K. (2000). Psicologia do esporte: interfaces, pesquisa e intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Samulski, D. (1992). Psicologia do esporte: teoria e aplicação prática. Belo Horizonte Imprensa Universitária/UFMG, 1992.

Singer, R. N. (1977). Psicologia dos esportes: mitos e verdades. São Paulo : Harper & Row do Brasil.

Weinberg, R. S. & Gould, D. (2001). Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. Porto Alegre: Artmed.

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