Miles a(radio)head

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Em 2010 são completos 40 anos do lançamento de “BITCHES BREW”, álbum que inspirou muitas inovações na música popular em todo o mundo, tornando-se um emblema do jazz-rock fusion. Certamente, muitas conquistas desta avant garde ainda ecoam em nossos ouvidos, mesmo através de uns arranjos inocentes da herança que carregam.

Capa do álbum Bitches Brew, de Miles Davis, lançado em 1970

A partir de 1968, Miles Davis participa do desenvolvimento do jazz-rock fusion: as influências de Jimi Hendrix, James Brown e Sly Stone, o movimento Black Power e todo um clima de ebulição política contribuiram para “amplificar” a participação de instrumentos elétricos em suas obras, culminando com o lançamento do álbum duplo BITCHES BREW” em 1970. Este que foi o seu maior sucesso de vendas em toda a carreira levou – pela primeira vez na história – um jazz man para a capa da conceituada revista de rock Rolling Stone (www.rollingstone.com). Portanto, não surpreendem a sua inclusão póstuma no Rock & Roll Hall of Fame, em 13 de março 2006 e esta sua afirmação: “Prince poderia muito bem ser o Duke Ellington do rock”.

Capa do álbum Doo Bop, gravado em 1991 e lançado, postumamente, em 1992

No artigo “Sobre fotos e música”, já publicado neste blog, apresento umas opiniões sobre o imaginário envolvendo o rock e o jazz reificado através de seus fotógrafos. Retomo, em parte, o assunto, abordando esta personagem que buscou intersecções possíveis entre ambos os gêneros musicais e que procurou – também em suas poses – mostrar uma “atitude” pouco comum nos retratos dos jazz men.

Em 1957, lançou o álbum intitulado “MILES AHEAD”, obra-prima consequente de sua parceria com Gil Evans. Em outros dois momentos, trocadilhos com o seu nome também nomearam com sucesso discos seus: em 1958 temos o lançamento de “MILESTONES” e, em 1966, “MILES SMILES”.

Capa original do álbum Miles Ahead, de Miles Davis, lançado em 1957

Uma pesquisa ligeira na Wikipedia (www.wikipedia.com) já nos informa sobre o descontentamento de Miles Davis com a capa original deste álbum e um modo como questionou George Avakian, então executivo da gravadora Columbia:  “Why’d you put that white bitch on there?”. Posteriormente, a arte original da capa foi substituida por uma foto do músico.

 

 

Nova capa do álbum Miles Ahead, após a reclamação do músico

 

De Miles a Radiohead

Para mim a banda de rock atual mais interessante é a Radiohead. E, após o estrondoso sucesso de “OK COMPUTER” (1997), considerado por muitos o álbum de rock mais importante do final do século XX, ela também surpreendeu, para gostos e desgostos, a crítica e os seus próprios fãs com o lançamento da obra “KID A” (2000). Considero-a, pela surpresa e repercussão, o “BITCHES BREW” da Radiohead.

Embora os meus comentários soem um tanto heréticos, basta eu ouvir a faixa “The National Anthem” para eu imediatamente pensar em Miles Davis, em jazz-rock fusion e, na parte final da música, lembrar também de um Charles Mingus da composição “Better git it in your soul”.

Convido-os a apreciar esta bela canção da Radiohead, através do video abaixo:

Também vale à pena conferir o Charles Mingus citado acima:

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

O atleta e a lesão crônica

por       Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Flávio Spigato

Uma lesão grave pode determinar o término da carreira de um atleta e, neste caso haverá uma grande publicidade sobre o acidente. Outras lesões de menor importância, entretanto, não atraem a atenção mas sistematicamente vão minando, silenciosamente, a saúde do atleta pela deterioração dos ossos, cartilagens, ligamentos e nervos. O abandono do esporte, causado por uma lesão permanente, leva o atleta a apresentar atitudes e condutas das mais diversas na tentativa de achar um caminho para o seu ajustamento. Estas reações estão associadas as habilidades que ele adquiriu no seu passado e na sua evolução humana. O estado psicológico do atleta antes de sua lesão, tem grande influência sobre como ele vai reagir nesse periodo crucial (Samples, 1987). Na cabeça do atleta passam pensamentos sem solução imediata como o abandono definitivo do esporte e as implicações financeiras e sociais que isso acarretará. Para muitos a identificação como um atleta é importante para os seus sentimentos de valorização pessoal e necessidades interpessoais. O reconhecimento de suas qualidades como atleta por toda uma sociedade reforça sua motivação para seguir sua vida esportiva. Segundo Ogilvie & Howe (1986) quando é privado desse reforço o atleta sofre dura perda que é incrementada na medida em que ele não tem outra formação profissional ou não possui um talento que lhe permita efetuar uma transição para outra carreira na sociedade.

Para realizar uma transição suave e saudável da situação de atleta para a de não atleta, é fundamental a auto-estima do sujeito. Muitos dos atletas, mesmo os olímpicos, não tem altos níveis de valorização pessoal e, dessa forma deverão ter muito mais reforços das pessoas significativas para eles durante este periodo difícil (Henschen, 1992; Poole, et al., 1986). Por outro lado, os atletas que acreditam que eles são pessoas boas e importantes, mesmo sem a presença do esporte, terão mais facilidade de ajustar-se do que outros que entendem que ser atleta é tudo que eles tem (Henschen & Shelley, 1993). A perda de consideração e de status, o bloqueio de um estilo de vida excitante, podem complicar a transição do atleta lesionado para o status de não atleta. Quase sempre os chamados amigos próximos desaparecem e o atleta lesionado poderá contar somente com o apoio da familia. Segundo Becker Jr. (1995), aqueles que tiveram até então um vínculo forte com a família, se sentirão muito melhor apoiados do que aqueles que tinham conflitos ou uma relação superficial com a mesma. A família, em geral, terá sérios problemas financeiros, interpessoais e de distribuição do seu tempo para cuidar do jogador enfermo. Deve ser lembrado, também que alguns esportes mais agressivos como o boxe e o full-contact, causam transtornos cerebrais de diferentes níveis, determinando não só o término da carreira do seu praticante, como limitando seriamente as alternativas para ele iniciar outras carreiras fora do esporte.

Reações do atleta à lesão crônica

Qualquer tipo de ferimento grave no ser humano, seja ele atleta ou não, causa também transtornos psicológicos. Segundo Wiese & Weiss (1987) no atleta as reações psicológicas estão associadas a seus atributos pessoais. De modo geral, segundo Kubler-Ross (1969) todo atleta passará por cinco estágios que são:

a. Negação

O atleta não aceita a lesão e consulta outros médicos para ouvir um diagnóstico diferente. Esta atitude é compatível com o que ele aprendeu no esporte como, nunca abandonar o jogo, suportar qualquer dor e etc. Quanto mais cedo ele aceitar a nova realidade, mais fácil será para ele chegar aos outros estágios e à superação (Ogilvie, 1987).

b. Raiva

Aqui ocorrem sentimento de ressentimento, hostilidade, inveja, raiva e fúria e as pessoas que são mais atingidas são os amigos e familiares que estão tentando ajudá-lo. Os sujeitos bem ajustados passam rápido pelas duas primeiras fases, enquanto aqueles que já tinham problemas de ajustamento podem ficar na fase de negação durante muito tempo e apresentar fúria contra os outros e auto-agressão.

c. Pena

Nessa fase o atleta sente pesar pela perda da aptidão que possuía e todos os benefícios que conseguia com sua atividade. Há utilização de mecanismos de defesa como ficar lembrando os grandes feitos do passado e fantasiando acerca do futuro. Segundo Rando (1984), essa fase será superada de acordo com a maturidade e inteligência do atleta, bem como do apoio social que lhe for dado. Quando o sujeito aceitar que milagres não acontecerão (Henschen & Shelley, 1993), e de que ele terá que enfrentar um novo desafio, estará pronto para atingir as duas próximas fases.

d. Depressão

Ao aceitar a sua lesão permanente, o ex-atleta experimenta a sensação de perda definitiva, o que gerará sentimentos de depressão. Neste momento é comum o isolamento do sujeito de seus colegas, amigos e familiares, justamente aquelas pessoas que poderiam apresentar-lhe um apoio significativo para a superação de seu problema. Quando o sujeito pode ver alguma alternativa futura para sua vida, poderá passar para a última fase.

e. Reintegração

Essa é a fase de superação do problema mas pode apresentar alguns transtornos. É muito fácil falar ou escrever sobre ela mas o ex-atleta que a enfrenta ainda tem dificuldades que, segundo May & Sieb (1987), estão associadas a: 1. funcionamento psicológico do sujeito antes da lesão; 2. significado da invalidez para ele; 3. natureza, localização, severidade e duração da lesão; 4. mudanças ocasionadas no estilo de vida dele.

Reabilitação

A reabilitação deverá envolver, além da equipe médica, a familia, amigos, colegas, treinadores e o psicólogo esportivo. Se for necessária uma cirurgia, o psicólogo deverá abordar esse tema de um modo objetivo, dando informações sobre a situação presente e as possibilidades futuras. Essas informações devem ser baseadas no diagnóstico e prognóstico do médico especialista ou da equipe que o está atendendo. O medo da cirurgia poderá ser manejado através de técnicas cognitivas como a visualização, monólogo interno, técnica Becker, hipnose e etc. No periodo pós-operatório o psicólogo poderá seguir com as técnicas cognitivas, além de trabalhar a percepção, pensamento e memória do ex-atleta, no sentido de reforçar que ele continua sendo um sujeito importante e produtivo para sua família e sociedade, não necessitando ter a figura de herói esportivo.

REFERÊNCIAS

Ogilvie, B.C. & Howe, M (1986). The trauma of termination from athletics. In Applied sport psychology: Personal growth to peak performance (1986) Williams, Jean M.  Palo Alto, Calif.: Mayfield Pub. Co.

HENSCHEN, K. P. (1998). Athletic staleness and burnout: Diagnosis, prevention, and treatment. In J. M. WILLIAMS (Ed.), Applied sport psychology: Personal growth to peak performance (3rd Edition), (pp. 398–408). Mountain View, CA: Mayfield.

POOLE, S., BRISTOW, A.F., SELKIRK, S. & RAFFERTY, B. (1989). Development and application of radioimmunoassays for interleukin-la and interleukin-lfi. J. Immunol. Methods, 116, 259-264.

Henschen, K.P., & Shelley, G.A. (1993). Counseling athletes with permanent disabilities. In D. Pargman (Ed.), Psychological bases of sport injuries (pp. 25 1-263). Morgantown, WV: Fitness Information Technology, Inc.

BECKER JÚNIOR, Benno. Manual de Psicologia do Esporte e Exercício. Porto Alegre: Novaprova, 1995.

Wiese, D. M. & Weiss, M. R. (1987). Psychological rehabilitation and physical injury: implications for the sportsmedicine team. Sport Psychologist, 1(4), 318 – 330

KublerRoss, E (1969). On Deafh and Dying, Macmillan, New York. Little, JC (1969). The athletes neurosis: A deprivation crisis, Acta Psychiatrica Scandinavica, 6, 79-92

Ogilvie, B. C. (1987). Counseling for sports career termination. In J. R. May & M. J. Asken (Eds.), Sport psychology: The psychological health of the athlete (pp. 213-230). New York: PMA Publishing Corp.

May, J. R., & Sieb, GE (1987). Athletic injuries: Psychosocial factors
in the onset, sequelae, rehabilitation, and prevention. In J. R. May & MJ Asken (Eds.), Sport
psychology: The psychological health of the athlete (pp. 157-1 85). New York: PMA

De como a história não acaba

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Ao longo da história da civilização ocidental, que até poucos séculos atrás limitava-se à história da civilização européia, encontramos vários pensadores alarmados com uma perspectiva assustadora para si e para os seus contemporâneos: o “evidente fim da história”. Guerras, pestes, declínios econômicos etc. fomentaram em momentos diversos um poderoso imaginário catastrófico, permeando inclusive explicações oferecidas pela história natural a fenômenos que atualmente classificamos como “geológicos”. Felizmente, ao menos até hoje, a história vem desmentindo o seu fim, mostrando-se rija e – ao soltar todo o peso dos séculos sobre os nossos ombros – cobra-nos força, coragem e estratégia para vencermos as demandas prementes do nosso cotidiano. No entanto, se a história nos pesa, ela também nos fomenta os trabalhadores hercúleos com a  cultura acumulada ao longo dos seus passos.

Eu acredito que o jogo não acabou. Vida longa à nossa história !!!

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

O amor gaico

por Rodrigo Rodrigues

Estesia [1] como azimute [2] a re-educação: a busca de um amor ‘Gaico’ [3] 
(originalmente publicado pelo autor [4] em www.filosofojr.wordpress.com)

Uma catástrofe que exalta, fazendo o mau uso da palavra, uma grandiosa ‘tragédia’: a angústia do caminhar para morte, fatalidade existencial para a qual não somos educados no conviver do viver. Essa angústia somente parece de menor intensidade em virtude do cotidiano vertiginoso, da rotina coletiva, do tempo escasso para reflexões, o que gera uma visualização embaçada, distante do eu observador…
 
São lançadas propostas como a necessária redução em cinqüenta por cento da emissão de gases (clorofluorcarbonetos – os CFCs). Mas o que não alvitra, as questões que ficam esquecidas, são as necessárias transformações de nosso valores, “normas, princípios ou padrões sociais aceitos ou mantidos por indivíduo, classe, sociedade[s], etc.”. (FERREIRA, p. 2044)
 
Nossa espécie em seu processo histórico não apresentou, significativamente, situações que buscassem um melhor relacionar com nossa mãe Gaia. Vemos expressos nas propostas políticas, educacionais, nas relações científico-tecnologica, da cultura alimentar, do religioso, da relação entre os homens consigo e com o mundo que o cerca, um limitar (o mero negar do dasein [5]), um afastar, que caminha a um vazio existencial, a um niilismo, como alguns já nos apontaram como Nietzsche e Foucault.
 
A necessidade de um novo olhar se torna premente, a superação de antigos parâmetros que até aqui foram rigidamente demarcados entre o pensado, sensível e o sentido, caminho histórico decorrente do processo moderno cientifico e que aceitamos sem reservas, nos adequando a situações emblemáticas. Com esse vazio que agigantamos em nossa aceitação, deparamo-nos com uma geração ‘internautica’ que cada vez se isola mais do mundo, no contato com o outro e por que não consigo mesmo. Uma visão moderna de cisão, parcializando o mundo e a vida, desarmonia, partes fragmentadas da existência que me atrevo a chamar de doença grupal, que vai além da tão comum esquizoidia para celeremente chegar ao limite, perigoso, de uma esquizofrenia coletiva. (DUARTE, p. 70)
 
Alusão bem posta pelos pensamentos de Fêlix Guattari, que a nossa atual crise global necessita de uma autêntica revolução política, social e cultural, re-orientando os objetivos da produção de bens materiais e imateriais e, com certeza, da relação entre sujeito-objeto-sujeito. Essa relação deve se traçar no construir-destruindo, não só nas relações de forças visíveis em grande escala, mas também visando os domínios moleculares do sentir, do inteligir e do desejar. (GUATTARI, p. 9) (voltemos nosso olhar para o antes, olhemos nos olhos de Spinoza [6] e vejamos a luz da lanterna de Diógenes [7] ─ phainesthai [8]).
 
O nosso estar-no-mundo acompanha uma necrose de nosso Bem sentir o mundo, os sentidos são menosprezados em favor de um alinhamento da produção do pensar racional, se fazendo sui generis um alinhamento. Hillman em seu Cidade & Alma, aponta: “queremos o mundo porque ele é bonito, seus sons, seus cheiros e suas texturas, a presença sensorial do mundo como um corpo [entendendo corpo em sua forma de intercorporeidade, além da consciência intencional, merleau-pontiana]. Resumindo, por baixo da crise ecológica está a crise mais profunda do amor: que nosso amor tenha abandonado o mundo, que o mundo esteja desamado, é o resultado direto da repressão da beleza, de sua beleza e de nossa sensibilidade para ela. Para que o amor retorne ao mundo, é preciso, primeiramente, que a beleza retorne, ou estaremos amando o mundo só como uma obrigação moral: limpá-lo, preservar a natureza, explorá-la menos. Se o amor depende da beleza, então, primeiro, vem a beleza, uma prioridade que está de acordo com a filosofia pagã, em vez da cristã. A beleza antes do amor também está de acordo com a experiência demasiado humana de sermos levados ao amor pelo encantamento da beleza” (HILLMAN, p. 131, op. cit., DUARTE, p. 32).
 
Esse buscar de um novo amor, um amor Gaico, deve ser acompanhado de uma re-educação, um re-educar dos sentidos (alinhamento da estesia), a somatória de uma transvaloração dos valores. O destruir o edifício social, com todos os seus êthos e éthos [9], buscando de seu terreno, de seus alicerces, um re-construir de um novo hábitat, com novas formas de habitá-lo (senti-lo), relacionar-se (ser-no-mundo).
 
Em uma visão não pessimista, mas sim realística (Shopenhauriana), aprioristíca e póstuma simultaneamente (peço a licença antí-poética de conclamar as musas a me abençoar nesse doce esquecimento que se segue) chegamos, como espécie humana, em uma relação sem saídas, em que ou teremos uma extinção completa ou muitos milhões, bilhões se submeterão as dores e a morte, um apocalipse voluntário. E qual seria o nosso papel? Nosso momento histórico é o de re-pensar o mundo, deixando gotículas do vivido para que os que virão (“Crianças Índigos [10]”) possam fazer uso de todos os erros e acertos cometidos, e assim, e só assim, possam construir algo novo, repleto de um novo amor, de um novo olhar do/com o mundo.
 
NOTAS:
 
IMAGEM: GAYA AWAKES, James Cospito In.: Brooklin Arts Project
 
[1] Estesia: [Do gr. aisthesía.] Sentimento do belo, sensibilidade.
 
[2] Azimute: (mú). Do ár. as-sumet, pl. de as-samt, ‘caminho’, ‘direção’, ‘norteador’;
 
[3] De Gaia, Géia ou Gê era a deusa da Terra, na antiga Grécia era o elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora quase absurda. Atualmente temos com relevância a teoria ou hipótese Gaia, tese que sustenta ser o planeta Terra um ser vivo, afirmando que a biosfera do planeta é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio-ambiente. As reações do planeta às ações humanas podem ser entendidas como uma resposta auto-reguladora desse imenso organismo vivo, Gaia, que sente e reage organicamente

[4] Graduado em filosofia na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), especialista em Filosofia Clinica pelo Instituto Packter (POA), especialista em Filosofia Contemporânea – Ética (UFSJ), especialista em Gestão (FAPI), atualmente docente da Fundação de Ensino Superior de Bragança Paulista (FESB), de escolas da rede pública e particular. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade (GEPI – PUC/SP) e do Coletivo sócio-ambiental de Bragança e região.

[5] A palavra Dasein vem do Alemão e significa Ser-aí. O Ser-aí expressa o imediatismo e o inevitável, características da condição existencial. O é a abertura para o mundo iluminado e compreensivo. A característica básica do Dasein é a sua abertura para perceber e responder a tudo aquilo que está em sua presença. A utilização do termo Dasein é contemporânea, surgindo como fenômeno, isto é, como algo que se mostra a si mesmo. O Filósofo e Pensador, Martin Heidegger, re-significou a palavra Dasein para a expressão ser-no-mundo. “Ser” e não “Estar”; no sentido de existência e co-existência, e não de permanência ou passagem. Não se trata do homem interagir com o mundo, pois nesse caso daria a entender que pessoa e o seu ambiente são coisas distintas. Trata-se da relação e co-existência e até interdependência, entre pessoas e / ou ambiente, isto é entre “Daseins”.
 
[6] Benedictus de Spinoza (16321677), ganhou a fama pelas suas posições do panteísmo e do monismo neutro, e ainda devido ao fato da sua ética ter sido escrita sob a forma de postulado e definições, foi excomungado da comunidade judaica pelas sua críticas à ortodoxia religiosa, defendendo que Deus é o mecanismo imanente da natureza e do universo. Afirmava que a razão da natureza humana é composta pela somatória da vontade, inteligência e emoções
 
[7] Diógenes de Sínope (413-? a.C), foi um filósofo grego, talvez o maior representante do Cinismo. Foi o exemplo vivo que perpetuou a indiferença cínica perante o mundo. Desprezava a opinião pública e parece ter vivido em uma pipa ou barril. Diógenes é tido como o primeiro homem a afirmar, “Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular”, manifestando assim um cosmopolitismo relativamente raro em seu tempo. É famosa, por exemplo, a história de que ele saía em plena luz do dia com uma lanterna acesa procurando por homens verdadeiros (ou seja, homens auto-suficientes e virtuosos).
 
[8] phainesthai (grego: “mostrar-se” ou “estar na luz”), o modo como as coisas se apresentam, des-velamento, rompimento do Véu de Maya”.
 
[9] Éthos: “caráter de alguém”; êthos: “o conjunto de costumes instituídos por uma sociedade para formar, regular e controlar a conduta de seus membros.”. Obs.: A palavra ética tem sua etimologia do grego ethos.
 
[10] “Uma Criança Índigo é aquela que apresenta um novo e incomum conjunto de atributos psicológicos e mostra um padrão de comportamento geralmente não documentado ainda. Este padrão tem fatores comuns e únicos que sugerem que aqueles que interagem com elas (pais em particular) mudam seu tratamento e orientação com objetivo de obter o equilíbrio. Ignorar esses novos padrões é potencialmente criar desequilíbrio e frustração na mente desta preciosa nova vida.” (Lee Carroll)

BIBLIOGRAFIA:
 
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000. 1014p..

CARROL. Lee; TOBER, Jan. Crianças Índigo: crianças muito especiais estão chegando!. São Paulo: Butterfly, 2005. 264p..

DUARTE J., João Francisco. O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível. (Tese de doutorado) Faculdade Estadual de Campinas. 2000. 234 p..

FERREIRA, Aurélio B. de H. Novo Aurélio: O Dicionário da Língua Portuguesa. Século XXI. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2128 p..

GUATTARI, Fêlix. As três ecologias. Campinas: Papirus, 1990. 56 p..

HILLMAN, James. Cidade & Alma. São Paulo: Studio Nobel, 1993.

 

O terceiro “J”

por Laís Semis

Do túmulo pichado em Paris, no mesmo cemitério em que se encontram também Chopin e Oscar Wilde, ressurgem as lendas. Lendas criadas em suas viagens de infância sobre índios e xamãs das estradas do Novo México, sobre sua banda e sua morte, que muitos acreditam ter sido forjada. Ser cantor, ter uma banda, atrair multidões não estavam nos seus planos. Ele queria mesmo era ser escritor ou sociólogo, adorava autores como Aldous Huxley e Arthur Rimbaud; não via muita coisa na TV e não tinha assistido mais que dois shows em sua vida.

“Vamos formar uma banda de rock e ganhar uma fortuna”, foi o que o tecladista Ray Manzarek disse a Jim Morrison quando o ouviu cantar pela primeira vez na faculdade de cinema. O Doors era diferente dos Beatles e dos Stones, não apenas a música, mas também o público. Pela fúria e pela beleza conquistou a juventude incendiária dos Stones e as garotas românticas que compunham a platéia beatlemaníaca.

Em meio à avalanche de reconhecimento como poeta e músico, ele queria mesmo era ser dono de um teatro. Fato visível em suas entrevistas, letras, histórias, apresentações. Apresentações teatrais em que interpretava o Adônis e a alma possuída ao mesmo tempo.

O sucesso nos Estados Unidos o dominou e o consumou. Vivendo sempre nos excessos, Jim Morrison era uma pessoa que se dizia capaz de manipular a imprensa e que adorava checar os limites da realidade por curiosidade. Calças de couro, olhos azuis, cabelos escuros encaracolados. Símbolo de beleza, juventude e uma posterior e fatal decadência. O sucesso lhe virou ao avesso, do universitário tímido de cinema passou a figura do poeta bêbado incontrolável; de sedutor, a alguém desleixado, com a barba sempre por fazer e acima do peso.

Jim Morrison em seu retrato mais conhecido, fotografado por Joel Brodsky, em setembro de 67

Atormentado com a vida que estava levando, foi em busca de paz e descanso que se mudou para a França e jamais retornou. Pouco menos de 4 meses após se mudar para Paris, Jim Morrison era o terceiro “J” da geração hippie; não apenas compôs o mesmo time que Janis Joplin e Jimi Hendrix nos palcos, mas também se conduziu ao mesmo destino trágico.

Assim, partiu junto aos anos 60, pondo fim à loucura desenfreada dos hippies e da contracultura, abrindo portas para os 70. Porque, como aprendeu Jim Morrison com William Blake, “quando as portas da percepção são abertas, as coisas surgem como realmente são: infinitas”.

Doors no outdoor de promoção do seu próprio álbum. Janeiro de 1967

Sobre a Fisioterapia

por Ellen Araújo

Fisioterapia é uma ciência aplicada tendo por objeto de estudos o movimento humano em todas as suas formas de expressão e potencialidades, tanto nas alterações patológicas quanto nas repercussões psíquicas e orgânicas. Nosso objetivo é preservar, manter (forma preventiva), desenvolver ou restaurar (reabilitação) a integridade de órgãos, sistema ou função.

Como processo terapêutico utiliza conhecimentos e recursos próprios, utilizando-os com base nas condições psico-físico-social, tendo por objetivo promover, aperfeiçoar ou adaptar o indivíduo a melhoria de qualidade de vida.

O Fisioterapeuta é um profissional de Saúde, com formação acadêmica Superior, habilitado à construção do diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais, a prescrição das condutas fisioterapêuticas, a sua ordenação e indução no paciente bem como, o acompanhamento da evolução do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço.

Nós Fisioterapeutas prestamos serviços na área clínica (ambulatórios, consultórios, centros de reabilitação, hospitais e clínica), saúde coletiva (ações básicas de saúde, fisioterapia do trabalho, programas institucionais, vigilância sanitária), educação (direção e coordenação de cursos, docência – níveis: secundário e superior, extensão, pesquisa, supervisão técnica e administrativa), outras (esporte e indústria de equipamentos de uso fisioterapêutico).

NOSSA MISSÃO:

COMPREENDER O UNIVERSO DE CADA SER HUMANO,

RESPEITAR AS DIFERENÇAS,

BRINDAR AS DESCOBERTAS E

BUSCAR A EVOLUÇÃO!

Boa forma

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Lembro-me de um fato curioso ocorrido em 1998. Naquele ano, disputando o campeonato nacional numa categoria correspondente a minha graduação, sagrei-me “Campeão de Forma”. Uma de minhas irmãs, orgulhosa desta conquista, divulgou-a entre as suas muitas colegas de faculdade, o que gerou, em algumas delas, certo interesse em me conhecer. Não tardou o encontro e a decepção ao verem chegando a casa de minha irmã um corpo franzino, nada hercúleo: a minha “boa forma” era de outra natureza.

No Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do (mais conhecido como Taekwon-Do estilo ITF), as Formas (em coreano, usamos a expressão Tul) ocupam um lugar de grande destaque na vida de um praticante sério e os seus aprendizados exigem muita dedicação e a orientação de Instrutores e Mestres qualificados (no web site www.fbt.org.br encontramos, no campo “Academias”, uma relação de locais onde excelentes profissionais ensinam o Taekwon-Do ITF). Também a International Taekwon-Do Federation – ITF exige de seus Instrutores e Mestres a participação regular em cursos internacionais oferecidos com o objetivo de se manter um alto padrão de qualidade técnica em todo o mundo.

O que é uma Forma?

No primeiro volume da obra Legacy (versão em inglês de uma enciclopédia escrita pelo criador do Taekwon-Do, o General Choi Hong Hi e somando quinze volumes), encontramos a seguinte definição:

“Patterns are various fundamental movements, most of which represent either attack or defense techniques, set to a fixed and logical sequence.” (Legacy, volume 1, página 153)

De um modo mais simples, podemos dizer que uma Forma equivale a uma “coreografia” em que, a cada passo, executa-se um movimento já determinado pelo criador do Taekwon-Do com o objetivo de se aperfeiçoar a técnica, buscando sempre os ataques e as defesas ideais. Existem, no total, vinte e quatro Formas, cada uma com uma sequência própria de movimentos e exigindo diferentes habilidades do praticante.

Convido todos os Leitores a conhecerem melhor esta dimensão tão importante de nossa arte marcial, assitindo ao Sabum Nim Ricardo Ramírez (5o. Dan ITF) executando o Tul nomeado Choong Moo.

Este filme foi gravado pelo Boosabum Giovani Godoi (2o. Dan ITF) e faz parte de uma coletânea de filmes a disposição no “canal do YouTube” intitulado TKD Harmonia Jaguar B. Giovani. Recomendo fortemente a todos os Leitores uma visita a:

http://www.youtube.com/user/TKDJAGUAR

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro