Janeiro sempre vem

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

web site do Instituto Militar de Engenharia apresenta um portal desenvolvido pela Seção de Engenharia Cartográfica e intitulado “Janus“. Um nome como este alimenta a nossa curiosidade e demanda explicações: encontramo-nas no próprio portal, no campo “Janus? Por quê?

“Na mitologia Greco-Romana, JANUS é o deus dos portais e transições, inícios e fins. Também é associada a ele a mudança entre a vida primitiva e a civilização, o obscurantismo e a ciência, o campo e a cidade e as cerimônias de mudança durante as vidas dos mortais. É representado com duas faces, uma olhando para o passado, outra para o futuro.” (http://www.cartografia.ime.eb.br/index.html)

Em homenagem a Janus, o mês inaugural ainda acalenta muitas propostas de mudança em nossas vidas que não sobreviverão ao calendário de impostos ou às dívidas contraídas durante os festejos do fim do ano. Após o carnaval, resta-nos um olhar para trás arrependido e um olhar para frente assustado.

Estátua de Janus - Vaticano

Numa escala temporal mais ampla, a nossa imagem bifronte traz muitas vezes o horizonte atrofiado por notas amargas saboreadas ao longo da vida e a nostalgia pode nublar os olhos para o presente e mesmo vendá-los para o futuro. Em “Rayuela” (2a. ed., 5a. reimpressão – Buenos Aires: Aguilar, Altea, Taurus, Alfaguara S.A., 2007), obra-prima do escritor argentino Julio Cortázar cujo título torna-se “O jogo da amarelinha” ao ser traduzido para a língua portuguesa, o personagem Horácio Oliveira constata-se preso ao enunciado:

“A todo el mundo le pasa igual, la estatua de Jano es un despilfarro inútil, en realidad después de los cuarenta años la verdadera cara la tenemos en la nuca, mirando desesperadamente para atrás. Es lo que se llama propriamente un lugar común. Nada que hacerle, hay que decirlo así, con las palabras que tuercen de aburrimiento los labios de los adolescentes unirrostros.” (Rayuela, capítulo 21)

Reconheço na jactância uma atitude condenável. No entanto, são sinceros o meu distanciamento habitual do passado e os meus passos sonhados à frente, românticos até: sobretudo, mantenho os pés no chão. É preciso fugir à armadilha de Janus e, como diria Carlos Drummond de Andrade:

“Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”

(Mãos Dadas – 1940)

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: