Publish or perish

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Para comemorar os quarenta anos do lançamento de CIEN AÑOS DE SOLEDAD, a Real Academia Española – juntamente com a Asociación De Academias De La Lengua Española – publicou, em 2007, uma cuidadosa edição da novela do escritor colombiano Gabriel García Márquez e que teve o texto revisado pelo próprio autor.

Capa da edição comemorativa de CIEN AÑOS DE SOLEDAD

Um dos ensaios que acompanham a obra inaugura seus parágrafos com a citação de uma frase retirada da autobiografia de Gabriel García Márquez, intitulada VIVIR PARA CONTARLA :

“La vida no es la que uno vivió, sino la que uno recuerda y cómo la recuerda para contarla.”

Para o ensaista Victor Garcia de La Concha, é significativo o fato desta autobiografia começar com a evocação de uma viagem a Arataca (uma pequena cidade situada no norte da Colômbia) empreendida por Gabriel García Márquez e sua mãe para vender a casa onde nascera e vivera, durante a sua infância, até a morte de seu avô. O choque entre as suas memórias de uma Arataca idealizada, paradisíaca e o povoado abandonado (“… no había un alma en las calles y los dos avanzaban com el sufrimiento creciente de ver cómo había pasado el tiempo por aquel entrañable lugar.”) marcariam para sempre o autor colombiano agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Ao encontrarem, finalmente, uma senhora que costurava em uma pequena “botica”, sua mãe reconheceria a esposa do farmacêutico e ambas permaneceriam abraçadas, chorando continuamente e sem trocar palavras, durante um longo período. Acompanhando este gesto, o escritor conta ter ficado “estremecido por la centidumbre de que aquel largo abrazo de lágrimas calladas era algo irreparable que estaba ocurriendo para siempre em mi propia vida”.

Gabriel García Márquez teria repetido muitas vezes que, após ter presenciado este longo choro sem palavras, surgiu-lhe a idéia de contar por escrito “todo el pasado de aquel episodio”. Nasceria também ali o universo mágico de Macondo a ser retratado em CIEN AÑOS DE SOLEDAD, compreendidas através de uma epifania entre lágrimas as realidades distintas que a memória pode nos apresentar de um mesmo fato, de um mesmo lugar, das mesmas pessoas.

Macondo - oil on canvas- 38" X 42" - pintura de Victor Morgado

Ainda segundo o ensaio, Gabriel García Márquez já vinha desenvolvendo um romance baseado em suas memórias de infância e que se chamaria LA CASA. No entanto, a realidade encontrada em Arataca o faria perceber como falso aquilo que vinha escrevendo sob uma pauta realista: a partir daquele 1950, contando o autor vinte e três anos de idade, foram muitos os seus caminhos em busca do tom mais adequedo para contar “todo el pasado de aquel episodio”. Deste modo, o lançamento de CIEN AÑOS DE SOLEDAD ocorreria somente em 1967 e as palavras do autor, citadas por Victor Garcia de La Concha, nos inspiram a buscar a chave (a clave) para as nossas próprias composições.

“Tuve que vivir veinte años y escribir cuatro libros de apredizaje para descubrir que la solución estaba en los orígenes mismos del problema: había que contar el cuento, simplemente, como lo contaban los abuelos. Es decir en un tono impertérrito, con una serenidad a toda prueba que no se alteraba aunque se le estuviera cargando el mundo encima, y sin poner en duda en ningún momento lo que estaban contando, así fuera lo más frívolo o lo más truculento, como si hubieran sabido aquellos viejos que en literatura no hay nada más convincente que la propia convicción.”

Quanta poesia e quanta prosa perecem regularmente, vítimas de uns pudores literários que impedem a publicação de nossas memórias ? Precisamos recuperar esta nossa habilidade ancestral para contar estórias, tornando-as verossímeis a partir da nossa própia convicção e libertando-as o quanto for necessário da realidade dos fatos.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

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