Inimigos públicos

Por Laís Semis

Fúria, rebeldia, cabelo espetado, roupas rasgadas, alfinetes e muitas alfinetadas. Iggy Pop tinha aberto a porta pra que bandas como os Pistols tomassem conta da cena musical, mesmo que brevemente. Embora a carreira deles tenha durado pouco mais do que um ano, os Inimigos Públicos número 1 escreveram sua própria cartilha e carimbaram seus nomes definitivamente. Em seu único álbum de estúdio (capa amarela na versão britânica e rosa na americana), eles chegaram a primeira posição nas paradas inglesas, porém como o single “God Save the Queen” fora considerada ofensivo, o número 1 aparecia seguido por um traço ou um espaço em branco no lugar do nome da música. A singela homenagem à Rainha considerava a realeza britânica fascista, turistas como forma de lucrar e não conseguia enxergar futuro nos sonhos da Inglaterra.

Johnny Rotten, Sid Vicious, Steve Jones e Paul Cook

Os feitos dos Sex Pistols para tão pouco tempo foram notáveis, foram 14 meses tacando terror aos bons modos e à instituições de nome. Os primeiros a dizer palavrão em rede nacional, expulsos de duas gravadoras (entre elas a EMI, a qual dedicaram a musica “EMI Unlimited Edition” e os versos), impedidos de tocar em diversos lugares devido à fama que levavam e perseguidos por barcos da polícia britânica no rio Tâmisa durante o Jubileu da Rainha, um show no barco Queen Elizabeth.

A famosa imagem de “God Save the Queen”

Os Pistols eram uma ameaça ambulante, tocando em bares sujos e que aos poucos ia conquistando espaço e se tornando um tumulto nacional. Embora a imagem dos Pistols esteja freqüentemente associada ao baixista Sid Vicious, a única contribuição de Sid foi a sua imagem. Ele podia ser a personificação autodestrutiva da banda; mas quando ele chegou todo o circo já estava montado, o álbum gravado, o nome estampado. Para os próprios integrantes, Vicious era visto como alguém que não servia para o mundo da música; Rotten declarou uma vez que Sid “não passava de um cabide que preenchia um espaço vazio no palco”.

No entanto, todo o crédito do sucesso do punk não se deve aos Pistols e sim ao produtor deles, Malcolm McLaren, o grande magnata manipulador marqueteiro que soube como ninguém criar personagens reais e fazer seus monstrinhos sair à solta aterrorizando toda a cidade e criando asas para chegar em outros países.

E a lenda cerca-se de ironia: Malcolm McLaren, produtor dos Sex Pistols que dizia ter a fórmula pra fazer uma banda dar certo, teve uma carreira musical frustrada; Lydon, que criticava o consumismo, agora é garoto propaganda da manteiga mais vendida do Reino Unido, a Country Life. O cúmulo, no entanto, foi Johnny Rotten, após ter falado mal de possivelmente todas as bandas, ter dito que adoraria trabalhar com Britney Spears. E, não, ele não estava sendo cínico.

Uma resposta

  1. one can argue that it can go both ways

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: