Sobre a agressividade no esporte e sua avaliação

por                      Daniel Bartholomeu

Afonso Antonio Machado

José Maria Montiel

A agressividade tem sido considerada como uma problemática bastante contundente dentro da sociedade atual e mesmo nos esportes. Embora a sociedade tente suprimir os comportamentos agressivos nos contextos diários por meio dos sistemas legais e penais, no esporte, certas condutas dessa natureza são, por vezes, reforçadas, sob a prerrogativa do “verdadeiro espírito esportivo” (Stephens, 1996).

Russel (1993) ressalta que os esportes provêm um setting no qual os atos de agressão interpessoal são, não somente tolerados como aplaudidos por muitos seguimentos da sociedade. As regras específicas de cada modalidade esportiva é que dizem quais formas de agressão são aceitáveis quais são ilegais.

Dentro desse contexto, Baron (1977) define a agressão como qualquer forma de comportamento dirigido ao objetivo de causar injúria ou danos a outra pessoa que, por sua vez, é motivada a evitar esse tipo de tratamento. Assim, não somente agressões físicas mas a intimidação (verbal ou não verbal) também é contemplada nessa definição, desde que sejam direcionados a causar prejuízos a outrem, sendo essa a definição adotada nesse trabalho. Autores como Anshel (1994) e Bredemeier (1978) propuseram formas diferentes de condutas agressivas, diferenciando agressividade hostil (definida como resposta agressiva a outros que o irritaram ou provocaram) também denominada por agressão reativa; da agressividade instrumental, desempenhada como um meio para alcançar a um fim específico como vencer uma competição, acarretando, igualmente, danos aos demais. Alguns autores fazem uma distinção básica desse tipo de conduta em relação ao comportamento assertivo, apontando que nesse último, não há a intenção de causar dano. Desse modo, danos acidentais causados são considerados ainda, respostas assertivas.

Vale ressaltar que, no esporte particularmente, as situações e regras específicas de cada modalidade determinariam a intencionalidade danosa de cada ato, sendo que, em certos esportes específicos como boxe, jiu-jitsu ou rugby, o dano, muitas vezes é visto como acidental. Tal componente de intencionalidade representa, justamente, a maior dificuldade em mensurar a agressividade no esporte e é seu elemento essencial. Em situação de jogo, comumente cabe aos árbritos determinar tal aspecto do comportamento emitido, introduzindo assim um novo critério operacional na definição do comportamento agressivo esportivo que é a violação de regras (Russel, 1981; Widmeyer & Birch, 1984).

A maior parte dos instrumentos desenvolvidos para a avaliação da agressividade no esporte ainda carece de estudos que atestem suas qualidades psicométricas. Ao lado disso, no Brasil, não foram identificados testes para tal objetivo, o que torna as avaliações das condutas agressivas demasiadamente sujeita à subjetividade de quem a observa (Mcguire e cols, 1992).

Bartholomeu e Machado (2008) publicaram estudos iniciais de uma medida de avaliação da agressividade em atletas. Foram investigados 172 atletas de cinco modalidades esportivas distintas, com idades entre 14 e 58 anos, com média de 21 anos (DP=5,99).  A escala foi composta de 54 itens descritores de condutas agressivas no esporte com respostas fechadas no formato likert com três níveis possíveis de avaliação em que o atleta deveria assinalar a freqüência de ocorrência entre sempre (2 pontos), às vezes (1 ponto) e nunca (0 ponto). Os resultados da análise de funcionamento diferencial de itens por sexo revelaram que somente seis desses demonstraram favorecer um ou outro desses grupos. A análise de componentes principais e rotação varimax sugeriu uma estrutura de três fatores que explicaram 44,31% de variância. Os fatores foram, Condutas Intimidativas, Comportamento agressivo declarado, Agressividade encoberta. Os coeficientes alfa de Cronbach variaram de 0,74 a 0,90. Não foram encontradas diferenças significativas em nenhum dos fatores entre as modalidades esportivas estudadas. Esses resultados habilitam o instrumento para o uso em futuras pesquisas.

Referências

Bartholomeu, D.; & Machado, A.A. (2008). Estudos iniciais de uma Escala de Agressividade em Competição. Interação em Psicologia, 12(2), p. 189-201.

McGuire, L., Cuutneya. K., Wrdnneyer, W. & Carron. A. (1992). Aggression as a potential mediator and the home advantage in professional ice hockey. Journal of Sport and Exercise Psychology, 14, 148-158.

Russell, G. (1993). The social psychology of sport.  New York: SpringerVerlag.

Widmeyer, W., & Birch, J. (1984). Aggression in professional ice Hockey: A strategy for success or a reaction to failure? The Journal of Psychology, 117, 77-84.

Anshel, M. (1994). Sport psychology: From theory to practice. Scottsdale, Gorsuch Scarisback.

Bredemeier B. (1994). Children’s moral reasoning and their assertive, aggressive, and submissive tendencies in sport and daily life. Journal of Sport and Exercise Psychology, 16, 1-14.

Baron, K. (1977). Human aggression. New York: Plenum. Berkowitz,

Stephens, D., & Bredemeier, H. (1996). Moral atmosphere and judgments about aggression in girl´s soccer. Relationships among moral and motivational variables. Journal of Sport and Exercise Psychology, l5,158-173.

Uma resposta

  1. bah foda esse comentário !!! hehe’ bezzo

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