Voa canarinho, voa…

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Em 2 de setembro de 2010, a Seleção Brasileira de Futebol participou de um jogo amistoso no velho continente e o reporter Paulo Passos publicou, no portal iG Esportes, um texto muito interessante sobre uma praça pública, situada em uma cidade da Catalunha, na Espanha, em cujo gramado não é permitido jogar bola e nem mesmo pisar. Certamente, existem em todo o mundo inúmeras outras praças com estas mesmas características e devemos inquirir o que há de realmente singular neste campo. Vale à pena acompanharmos algumas linhas do jornalista antes de retomarmos a nossa conversa.

«Para qualquer brasileiro que se interesse um pouco por futebol a palavra “Sarrià” remete a uma das derrotas mais dolorosas da seleção. Foi no estádio com esse nome, na cidade de Barcelona, que o festejado time comandado por Telê Santana perdeu para a Itália no Mundial de 1982. Já para a maioria dos moradores da cidade que receberá a seleção brasileira nesta quinta-feira, Sarrià é apenas um bairro de classe alta da capital da Catalunha.

Não foi só da memória dos barceloneses que o estádio, onde o Brasil caiu na Copa da Espanha, desapareceu. Desde 1997, o próprio não existe mais. No lugar, foi feita uma praça, rodeada por prédios residenciais e uma escola.» (http://esporte.ig.com.br/futebol/2010/09/02/palco+da+frustracao+de+82+sarria+some+e+da+lugar+a+praca+para+passeios+9579885.html

Mesmo tendo a consciência de que sou apenas um amador pouco versado nas quatro linhas, sustento, diante qualquer boleiro, que esta foi a melhor equipe de futebol a desfilar pelos gramados nos últimos trinta anos. A derrota que todos choramos abertamente naquele 5 de julho de 1982 não foi apenas a da Seleção Brasileira: foi de todo o futebol, de toda uma arte. O Carrossel Holandês já fora vítimado, em 1974, por uma Alemanha briosa, mas sem brilho. A incompreensão de um novo e tão improvável revés serve até nossos dias para justificar os empregos e os altos salários de uma quantidade significativa de “pernas de pau” e “brucutus”.

Naquele mesmo 1982, o Prêmio Esso de Jornalismo elegeu, para vencedor na categoria “Fotografia”, uma imagem originalmente publicada no Jornal da Tarde e que ficou associada, através de sua reprodução em diversos contextos, à “Trajédia do Sarrià”. De autoria de Reginaldo Manente, a foto reproduzida abaixo traz consigo a descrição que a acompanha no web site do Prêmio Esso de Jornalismo. (www.premioesso.com.br)

O dia em que o Brasil perdeu para a Itália por 3 a 2, deixando escapar, na Espanha, o titulo de tetracampeão mundial de futebol, foi de tristeza nacional. O menino chorando era o retrato de 120 milhões de brasileiros, naquele instante.

De onde vem tanta magia?

A Seleção Brasileira de Futebou marcou onze gols antológicos na Copa do Mundo disputada na Espanha, em 1982. A grande maioria fruto de um trabalho em equipe caracterizado por passes rápidos, precisos e elegantes, coroados algumas vezes com dribles eficientes. O filme a seguir dirime qualquer dúvida que se possa ainda ter sobre o mais alto grau de excelência alcançado nos últimos trinta anos por um time de futebol.

Técnico: Telê Santana

Jogadores: Valdir Peres (São Paulo), Leandro (Flamengo), Oscar (São Paulo), Luisinho (Atlético Mineiro), Júnior (Flamengo), Cerezo (Atlético Mineiro), Falcão (Roma), Sócrates (Corinthians), Zico (Flamengo), Serginho (São Paulo), Éder (Atlético Mineiro), Paulo Sérgio (Botafogo), Carlos (Ponte Preta), Edevaldo (Internacional), Edinho (Fluminense), Juninho (Ponte Preta), Pedrinho (Vasco), Batista (Grêmio), Paulo Isidoro (Grêmio), Dirceu (Atlético de Madrid), Renato (São Paulo), Roberto Dinamite (Vasco).

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

Danger Days: Killjoys, make some noise!

por Laís Semis 

O traço de Smashing Pumpinks aparece mais forte agora em Gerard Way. Não fisicamente, porque este está cada vez mais distante, mas em suas músicas algo se remete ao Smashing. Gerard também deixa de ser parecido com a Wednesday Addams – da Família Addams – para encarnar um anime de cabelo vermelho, roupas coloridas em contraste com sua pele branca vampiresca. Mas não foram só os cabelos dos irmãos Way e o guarda-roupa da banda de Nova Jersey que mudaram de cor.

O novo estilo do vocalista Gerard Way é quase de fazer inveja a família Restart

Às vésperas de comemorar dez anos de carreira, o My Chemical Romance executa uma mudança em seu estilo, abandonando boa parte da negatividade característica deles. Os dias mais perigosos parecem ter sido deixados para trás, o único perigo é deixar de ser o MCR e apagar de vista seus dois últimos álbuns, o que não acontece neste novo, o intitulado “Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys”.

Três faixas se sobresaem nele: “Bulletproof Heart”, “Planetary (GO!)” e “S/C/A/R/C/R/O/W”. “Danger Days” tem uma seqüência. A banda embarca numa historinha, onde são os próprios personagens do resgate da criança Sunshine, a história dos “fabulosos” killjoys Party Poison (Gerard), Jet Star (Ray Toro), Fun Ghoul (Frank Iero) e Kobra Kid (Mikey Way) atravessa as músicas e segue sendo contada nos clips. Do contexto, a única faixa que não cabe na narrativa é a última, “Vampire Money”, uma crítica a saga de vampiros bonzinhos e endinheirados, “Crepúsculo”. Parece que o My Chemical Romance aprendeu que com um pouco de humor e palavras ácidas polidas obtém-se o mesmo efeito do que os desnecessários gritos.

“Danger Days” é um disco que parece menos pessoal, como se eles estivessem dispostos a lutar por questões menos familiares, diferentemente do que acontecia, por exemplo, nas faixas “Helena” e “Cancer”. O elemento mórbido também é deixado de lado, nada de discursos sobre a morte e doenças terminais.  As canções de “Danger Days” andam pelas ruas, pelos corações (visível nas não-típicas baladinhas românticas “The Only Hope For Me Is You” e “Summertime”) e até mesmo pelo futuro, onde se localiza a história. Outra novidade aqui é que o baterista Bob Bryar deixa os companheiros de banda e que Gerard Way está, nitidamente, mais envolvido com quadrinhos. Mais um pouco abandona a música para se eternizar no papel.

Algo que o MCR definitivamente não perdeu foram as grandes produções, ainda mais teatral “Danger Days” conta com uma boa fotografia em seus vídeos e roteirinhos legais. É verdade que a banda sempre apresentou grandes produções audiovisuais, como é o caso de “Helena” e “The Ghost Of You”. “Helena” inclusive foi de fazer inveja a Jennifer Lopez e suas amigas cantoras e dançarinas. O MCR e seus bailarinos deixaram seus concorrentes pop na sapatilha durante o VMA 2005 com a coreografia de “Helena”, mesmo não tendo levado o prêmio. O que acontece depois é que eles não se limitam ao audiovisual, mas estendem essa realidade aos palcos, se vestindo e encarnando os personagens sobre quem cantam explosivamente. De soldadinhos do The Black Parade à gangue futurística killjoy, a cada disco a banda transforma a realidade de suas canções em suas próprias. Para quem gostou do trabalho deles em “Black Parade”, o disco anterior, “Danger Days” não deixa nada a desejar. 

Bob Bryar, Mikey Way, Gerard Way, Frank Iero e Ray Toro com seus uniformes darks de The Black Parade

Considerações sobre o transtorno obsessivo-compulsivo

por                      Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso  Machado

O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) é definido por um conjunto de sintomas que segundo Rosário-Campos e Mercadante (2000) pode ser caracterizado pelas obsessões e compulsões. As obsessões definem-se como eventos mentais- pensamentos, idéias, impulsos e imagens – vivenciados como intrusivos e incômodos podendo ser criadas a partir de substratos da mente como palavras, medos, preocupações, memórias, imagens, músicas ou cenas entre outros fatores. Em relação às compulsões pode-se definir como comportamentos ou atos mentais repetitivos realizados para com intuito de diminuir o incômodo e/ou a ansiedade, causados pelas obsessões, ou mesmo para evitar que uma situação temida possa efetivar-se. Entre suas características a questão da heterogeneidade é uma das principais peculiaridades. Segundo Del-Porto (2001) o transtorno inicia-se precocemente no sexo masculino, mas não tem idade determinada para o surgimento dos sintomas.

Para Torres (2001), os pensamentos obsessivos despertam uma ansiedade intensa e difícil de ser tolerada ocasionando inúmeros desconfortos. Os sintomas físicos apresentados, comumente são taquicardia, sudorese, tremores, cólica, entre outras manifestações. Em síntese, quando da ocorrência de pensamentos que possam lhes trazer algum risco, perigo ou ameaça, os indivíduos desenvolvem comportamentos/manifestações como manias, compulsões ou rituais de modo que tais manifestações venham a minimizar o sofrimento. Neste sentido, mesmo que de maneira exaustiva os atos compulsivos são vivenciados como uma obrigação e impossível de não cumprido. Após a realização do ato ou ritual, o sujeito experimenta uma sensação de alívio. Peres (2008) acrescenta que a vida de indivíduos com esse transtorno é constituído por regras, normas e hierarquias rígidas e normalmente vivem em função de tais rituais, mesmo que os pensamentos são dogmáticos e limitados.

Em relação ao início dos sintomas, Miranda & Bordin (2001) apontam que o transtorno inicia-se geralmente na infância, adolescência e da idade adulta inicial. Acrescenta que em aproximadamente 60% dos pacientes afirmam o surgimento das primeiras manifestações antes dos 25 anos e 74%, antes dos 30 anos de idade. Torres et. al. (2001) apontam que o surgimento dos sintomas costuma ser gradual. Quando a manifestação dos sintomas ocorre tardiamente possivelmente tratar-se de algum outro transtorno psiquiátrico, com sintomatologia análoga ao Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Os prejuízos ocasionados por esse transtorno comumente são observados interferências na qualidade de vida e na sua capacidade produtiva dos portadores, pois, por exemplo, em muitos dos casos, exige um tempo relativamente grande para a execução dos rituais. Segundo Del-Porto (2001), dos transtornos Mentais o TOC é o que apresenta maior impacto sobre a capacitação social dos portadores independentemente de cultura e regiões geograficas. Em outro estudo Torres et al. (2001), descrevem que os pensamentos obsessivos são difíceis de serem tolerados e extremamente desagradáveis, as pessoas que apresentam o problema sentem a necessidade de extravasá-lo de alguma forma e acabam adotando comportamentos que aliviam a sensação de ansiedade e angústia, ainda que momentâneos, o que torna os comportamentos enfadonhos e exaustivos, porém, as pessoas preferem submeter-se a eles a ter que conviver com medo ou a culpa das conseqüências negativas que, na sua crença, poderiam vir a ocorrer no caso de não fossem executados.

Referências

ROSARIO-CAMPOS, Maria Conceição do  and  MERCADANTE, Marcos T. Transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, suppl.2, pp. 16-19. ISSN 1516-4446.  doi: 10.1590/S1516-44462000000600005.

Acesso em 10/04/2009.

DEL-PORTO, José Alberto. Epidemiologia e aspectos transculturais do transtorno obsessivo-compulsivo. Ver. Brás. Psiquiatr. [on-line]. 2001, v. 23, suppl. 2, PP. 3-5. ISSN 1516-4446. dói: 10.1590/S1516-44462001000600002. Acesso em 10/04/2009.

GUEDES, Maria Luisa. Relação família-paciente no transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. Bras. Psiquiatr., 23 (2), p. 65-67, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-44462001000600019&script=sci_arttext. Acesso em: 24 abril 2010.

TORRES Albina Rodrigues, . Medos, dúvidas e manias: orientação para pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo e seus familiares. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

BORDIN, Isabel; MIRANDA, Mary A. Curso clínico e prognóstico do transtorno obsessivo-compulsivo. Rev Bras Psiquiatr, 23, v. 10, n. 2, 2001.

PERES, Alexandre José de Souza. Esquemas cognitivos e crenças mal-adaptativos da personalidade: elaboração de um instrumento de avaliação. 2008, Dissertação (Pós-graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações), Instituto de Psicologia, Distrito Federal, Brasília.

Desplugados

por Laís Semis 

Fora do Planet Hemp, depois de passar uma onda na cadeia, Marcelo D2 entrou em carreira solo, não abandonando totalmente a banda que retornaria ao estúdio e ao palco mais tarde. Em “Eu Tiro É Onda”, de 98, e em “À Procura da Batida Perfeita”, de 2003, D2 já tinha seu repertório de hip-hop com samba, mas foi o “Acústico MTV” que o ajudou a conquistar um público diferente e invadir até mesmo casas que não compartilhavam da ideologia do Planet Hemp.

Capa do Acústico MTV Marcelo D2

Marcelo D2, mais do que convidar o brasileiro para conhecer seu repertório em seu “Acústico”, deu uma nova imagem a um conhecido músico, fazendo do disco desplugado mais do que um portfólio. Outros, porém, se utilizaram do “Acústico” para mostrar a outra face, ressuscitar sucessos passados e pedir uma segunda chance a uma nova geração.

Em sua versão americana, o “Unplugged” provou que ao menos uma vez na carreira de grandes artistas é necessário deixar as distorções e toda a brincadeira elétrica de lado. Em 94, o Nirvana se dispôs a fazer um som acústico em Nova York, tocando seis faixas covers, três delas do Meat Puppets, como uma homenagem aos seus, até então, semi-desconhecidos ídolos e mostrar que também havia potencial num Nirvana menos elétrico.

Kurt Cobain, do Nirvana, durante o MTV Unplugged in New York

Já para o Capital Inicial, embora o disco trouxesse de volta os hits em novas versões, evidenciando seu passado de músicas consagradas e que se deixaram apagar por tentativas frustradas de discos-sucesso, ele foi o divisor de águas, o ponto de partida de uma carreira que estava em contínua decadência para uma que emplacaria sucessivos acertos. O disco renovou a carreira da banda, assim como aconteceu com os Engenheiros do Hawaii e o Kid Abelha, e por isso a tradição dos Acústicos segue, à procura da batida perfeita de cada artista ou, pelo menos, de uma face reluzente deles.