Considerações sobre o transtorno obsessivo-compulsivo

por                      Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso  Machado

O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) é definido por um conjunto de sintomas que segundo Rosário-Campos e Mercadante (2000) pode ser caracterizado pelas obsessões e compulsões. As obsessões definem-se como eventos mentais- pensamentos, idéias, impulsos e imagens – vivenciados como intrusivos e incômodos podendo ser criadas a partir de substratos da mente como palavras, medos, preocupações, memórias, imagens, músicas ou cenas entre outros fatores. Em relação às compulsões pode-se definir como comportamentos ou atos mentais repetitivos realizados para com intuito de diminuir o incômodo e/ou a ansiedade, causados pelas obsessões, ou mesmo para evitar que uma situação temida possa efetivar-se. Entre suas características a questão da heterogeneidade é uma das principais peculiaridades. Segundo Del-Porto (2001) o transtorno inicia-se precocemente no sexo masculino, mas não tem idade determinada para o surgimento dos sintomas.

Para Torres (2001), os pensamentos obsessivos despertam uma ansiedade intensa e difícil de ser tolerada ocasionando inúmeros desconfortos. Os sintomas físicos apresentados, comumente são taquicardia, sudorese, tremores, cólica, entre outras manifestações. Em síntese, quando da ocorrência de pensamentos que possam lhes trazer algum risco, perigo ou ameaça, os indivíduos desenvolvem comportamentos/manifestações como manias, compulsões ou rituais de modo que tais manifestações venham a minimizar o sofrimento. Neste sentido, mesmo que de maneira exaustiva os atos compulsivos são vivenciados como uma obrigação e impossível de não cumprido. Após a realização do ato ou ritual, o sujeito experimenta uma sensação de alívio. Peres (2008) acrescenta que a vida de indivíduos com esse transtorno é constituído por regras, normas e hierarquias rígidas e normalmente vivem em função de tais rituais, mesmo que os pensamentos são dogmáticos e limitados.

Em relação ao início dos sintomas, Miranda & Bordin (2001) apontam que o transtorno inicia-se geralmente na infância, adolescência e da idade adulta inicial. Acrescenta que em aproximadamente 60% dos pacientes afirmam o surgimento das primeiras manifestações antes dos 25 anos e 74%, antes dos 30 anos de idade. Torres et. al. (2001) apontam que o surgimento dos sintomas costuma ser gradual. Quando a manifestação dos sintomas ocorre tardiamente possivelmente tratar-se de algum outro transtorno psiquiátrico, com sintomatologia análoga ao Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Os prejuízos ocasionados por esse transtorno comumente são observados interferências na qualidade de vida e na sua capacidade produtiva dos portadores, pois, por exemplo, em muitos dos casos, exige um tempo relativamente grande para a execução dos rituais. Segundo Del-Porto (2001), dos transtornos Mentais o TOC é o que apresenta maior impacto sobre a capacitação social dos portadores independentemente de cultura e regiões geograficas. Em outro estudo Torres et al. (2001), descrevem que os pensamentos obsessivos são difíceis de serem tolerados e extremamente desagradáveis, as pessoas que apresentam o problema sentem a necessidade de extravasá-lo de alguma forma e acabam adotando comportamentos que aliviam a sensação de ansiedade e angústia, ainda que momentâneos, o que torna os comportamentos enfadonhos e exaustivos, porém, as pessoas preferem submeter-se a eles a ter que conviver com medo ou a culpa das conseqüências negativas que, na sua crença, poderiam vir a ocorrer no caso de não fossem executados.

Referências

ROSARIO-CAMPOS, Maria Conceição do  and  MERCADANTE, Marcos T. Transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, suppl.2, pp. 16-19. ISSN 1516-4446.  doi: 10.1590/S1516-44462000000600005.

Acesso em 10/04/2009.

DEL-PORTO, José Alberto. Epidemiologia e aspectos transculturais do transtorno obsessivo-compulsivo. Ver. Brás. Psiquiatr. [on-line]. 2001, v. 23, suppl. 2, PP. 3-5. ISSN 1516-4446. dói: 10.1590/S1516-44462001000600002. Acesso em 10/04/2009.

GUEDES, Maria Luisa. Relação família-paciente no transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. Bras. Psiquiatr., 23 (2), p. 65-67, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-44462001000600019&script=sci_arttext. Acesso em: 24 abril 2010.

TORRES Albina Rodrigues, . Medos, dúvidas e manias: orientação para pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo e seus familiares. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

BORDIN, Isabel; MIRANDA, Mary A. Curso clínico e prognóstico do transtorno obsessivo-compulsivo. Rev Bras Psiquiatr, 23, v. 10, n. 2, 2001.

PERES, Alexandre José de Souza. Esquemas cognitivos e crenças mal-adaptativos da personalidade: elaboração de um instrumento de avaliação. 2008, Dissertação (Pós-graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações), Instituto de Psicologia, Distrito Federal, Brasília.

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