Breve histórico e panorama da prática de atividade física no Brasil

por                      André Luiz Lanza

Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso  Machado

A atividade física sempre esteve presente na história da humanidade. Evidências históricas relatam a existência desta prática desde a cultura pré-histórica, como um componente integral da expressão religiosa, social e cultural.

No Brasil, o esporte e a prática de exercícios físicos foram introduzidos pelos imigrantes e representantes das oligarquias em contato com modismos europeus.

No século 19, período de grandes mudanças no cenário econômico, social e cultural no Brasil, surge a primeira lei sobre a educação física determinando a sua prática obrigatória como disciplina nos colégios do município da Corte (Castro, 2002).

Segundo Castro (2002), a prática de exercícios físicos contribuía para o desenvolvimento físico e moral das crianças, já que a ociosidade induzia as crianças a uma série de vícios, como a masturbação e o homossexualismo.

Os exercícios eram, então, prescritos pelos médicos de acordo com o gênero e a faixa etária dos alunos, compreendendo esta divisão como parte de um processo natural que envolvia o crescimento, o desenvolvimento e a formação sexual de jovens saudáveis.                                                                                                                                                                                                 

Segundo king AC, Martin JE, nas últimas décadas tem havido grande procura por parte dos indivíduos na prática de atividades físicas com objetivo de atingir o bem-estar físico e cognitivo.

Segundo relatório sobre padrões de vida dos brasileiros, elaborado pelo IBGE (2002), 26% dos homens realizam atividade física regular e somente 12,7% das mulheres estão envolvidas em algum programa de treinamento.

Quando se verifica a quantidade de pessoas que se exercitam pelo menos trinta minutos ou mais por dia, no mínimo três dias na semana, encontra-se 10,8% e 5,2% de homens e mulheres respectivamente.

Um estudo recente avaliou a freqüência da prática de atividades físicas na população adulta, tendo encontrado uma baixa prevalência de atividade física no lazer (13,0%), sendo que somente 3,3% da população estudada acumulava 30 minutos diários de atividades físicas em cinco ou mais dias da semana.

Atualmente vários estudos e pesquisas comprovam diversas alterações benéficas no organismo com a prática de atividades físicas, dentre estas se destacam os cardiorrespiratórios, aumento da densidade mineral óssea, diminuição do risco de doenças crônico-degenerativas e a melhoria na função cognitiva.

Referências

CASTRO, M. R. As Teses da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro: Marco Histórico dos Anos de 1850 no Conhecimento Biológico da Educação Física Brasileira. Dissertação de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola de Educação Física, Universidade Gama Filho. 2002

IBGE. (2002). Pesquisa sobre padrões de vida 1996-1997. Rio de Janeiro, IBGE, 1999. OU Fundação IBGE – Informações estatísticas e geocientíficas – contagem da população (2000) Disponível em: http://www.ibge.gov.br .   Acesso em 23/06/09.

Vida Roubada

por Laís Semis

“You need cooling

Baby, I’m not fooling”.

Memphis, 29 de maio de 1997. Rio Wolf. Os versos do Led Zepellin continuam a ecoar se misturando com a voz do Mystery White Boy.

“Way down inside

Honey, you need it

I’m gonna give you my love

I’m gonna give you my love”

Ele tinha um encontro marcado com a sua banda para as gravações do novo disco. Decidiu dar uma pequena parada antes de ir para o estúdio, perdido próximo do afluente do rio Mississipi, ele decide entrar de roupas e botas para nadar.

“Wanna whole lotta love

Wanna whole lotta love

Wanna whole lotta love

Wanna whole lotta love.”

Agora música nenhuma não toca mais. O rádio foi levado para longe por Foti, que o acompanhava naquela parada pelo Wolf. E nenhuma voz pode ser ouvida além de Foti invocando em vão o nome do Misterioso Garoto Branco.

Cinco dias depois daquela tarde em que cantou “Whole Lotta Love”, do Led Zepellin enquanto nadava, o corpo do cantor é encontrado próximo a nascente do Mississipi. Afogamento, 31 anos, músicas cheias de alma, um sorriso meio tímido, filho de mãe pianista e violoncelista e pai o jazzista-folk Tim Buckley.

Talvez você nunca tenha ouvido Jeff Buckley na MTV, rádios ou qualquer outro lugar em que sua exibição de hits seria comum.  Mas, definitivamente, você já deve ter topado com algumas de suas canções por aí, em outras vozes, porque de fãs famosos, mesmo que alguns nunca tenham regravado suas músicas, Buckley tem aos montes. Jimmy Page e Robert Plant, do Led, o beatle Paul McCartney, Morrissey, dos Smiths e o vocalista do U2, Bono Vox são alguns nomes que vigoram nessa lista.

Esse Jeff Buckley desconhecido do grande público agora terá sua chance de ser reconhecido por toda sua poesia com efeitos sinestésicos. O esquecimento está prestes a acabar. Pelo menos é uma das promessas que o longa sobre o músico deve levar a frente. Há grandes chances do cantor ser representado por James Franco (“Homem Aranha” e “Comer, Rezar e Amar”), o que também contribuiria para maior visibilidade do filme e, conseqüentemente, da carreira e trabalho de Buckley.

James Franco (à esquerda) é a principal aposta para o interprete de Jeff Buckley (à direita) no longa pela semelhança física com o cantor

No caso desse filme realmente sair, Jeff Buckley finalmente alcançará o reconhecimento merecido do público como autor e cantor de um álbum cheio de magia sentimental como é, em toda sua graça, “Grace” (1996). E quem sabe, com um pouco mais de paciência e busca, também não venha o louvor merecido ao seu emocionante trabalho póstumo “Sketches for My Sweetheart the Drunk” (1998). Já que não é esperado que tudo que foi ofuscado durante esses anos, venha à tona de uma vez, principalmente, levando em conta que Jeff Buckley é o tipo de música para se conhecer aos poucos, para poder saborear tudo o que ela tem a oferecer. O que talvez explique o fato de “Grace” não ter vendido tanto quanto os produtores haviam imaginado.

“Grace” pode até ser sobre tudo o que ele gostaria de enterrar e esquecer para sempre. Mas, com certeza, é um daqueles álbuns que jamais devem ser enterrados no esquecimento ou passarem despercebidos. Já é tempo de Jeff Buckley ser descoberto pelas multidões.

Felizes para sempre (whatever makes she happy)

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Lançado em 2004, o filme francês ILS SE MARIÈRENT ET EURENT BEAUCOUP D’ENFANTS é distribuido no Brasil com o título …E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE. Sob a direção de Yvan Attal e contando com a atuação da sempre competente Charlotte Gainsbourg (esposa, na vida real, desse diretor), o filme aborda o tema da infidelidade no casamento e oferece, durante alguns momentos, a presença de Johnny Depp encarnando um estranho sedutor. É interessante observar que o nome do ator não aparece no cartaz do filme nem nos créditos divulgados no sítio eletrônico oficial criado pela produtora Kino International (http://www.kino.com/happilyeverafter/), o que reserva, para alguns espectadores, uma agradável surpresa.

A obra apóia-se, também, numa trilha sonora encantadora: “I´m waiting for my man” (Velvet Underground), “No surprises” (Radiohead), “Nice dream” (Radiohead), “Can´t help falling in love” (Elvis Presley)…

Numa cena tocante, encontramos o possível par romântico Depp/Gainsbourg na seção de CD´s de uma grande loja, ouvindo, juntos, uma das mais belas canções de amor que o rock já produziu.

Se, por um lado, funciona como um elegante merchandising em prol da gravadora Virgin, a cena também pode ganhar uma vida independente do longa metragem: durante muito tempo, ignorando a existência do filme, eu a apreciei como um excelente video clip para a canção Creep.

Prezados Leitores, nas muitas vezes em que eu acompanhei, cantando emocioando, a execução desta segunda faixa do álbum Pablo Honey, eu sempre recebi os seus versos como o retrato de um jovem sofrendo por amar uma musa inatingível e por sentir-se indigno  de sua altivez: um amor platônico, do tipo que “gosta mas não encosta”, como diria um saudoso Professor de Literatura dos tempos em que fiz o curso pré-vestibular. No entanto, uma pesquisa rápida na versão da Wikipedia para a língua inglesa (http://en.wikipedia.org) nos revela um significado mais amplo desta composição para o bandleader da Radiohead.

«According to Yorke, “Creep” tells the tale of an inebriated man who tries to get the attention of a woman to whom he is attracted by following her around. In the end, he lacks the self-confidence to face her and feels he subconsciously is her. When asked about “Creep” in 1993, Yorke said, “I have a real problem being a man in the ’90s… Any man with any sensitivity or conscience toward the opposite sex would have a problem. To actually assert yourself in a masculine way without looking like you’re in a hard-rock band is a very difficult thing to do… It comes back to the music we write, which is not effeminate, but it’s not brutal in its arrogance. It is one of the things I’m always trying: To assert a sexual persona and on the other hand trying desperately to negate it.”»

A beleza desta gravação e o seu enorme sucesso levaram diversos artistas a se arriscarem em uma versão cover para ela. Das muitas que ouvi, a que me conquistou com maior cumplicidade é a da banda The Pretenders, cuja vocalista, Chrissie Hynde, nos convida a sofrer uma emoção genuinamente intensa.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

Delimitação do campo profissional do Psicólogo do Esporte

por                      Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso  Machado

A psicologia do Esporte se constitui como uma vasta área tanto de atuação profissional como na produção de conhecimento, no entanto, ainda que sua denominação esteja vinculada a uma especialidade da psicologia, existem profissionais com diferentes formações interagindo nesse campo.Existindo assim, uma diferença significativa entre dois tipos de especialidade: psicologia clinica do esporte e psicologia educacional do esporte.

Os psicólogos clínicos do esporte são profissionais com formação em Psicologia tendo o direito a fazer psicodiagnóstico esportivo e praticar intervenções clínicas tanto para o atleta individualmente quanto em contextos grupais. Autorizados pelos conselhos esses profissionais recebem treinamento adicional em psicologia do esporte (pós graduação, aperfeiçoamento, cursos livres, etc.), para poderem atuar e intervir. A função dos psicólogos clínicos do esporte é essencial, pois alguns atletas e praticantes de exercícios físicos desenvolvem graves transtornos emocionais e necessitam de tratamento especial (Brewer e Petrie [ apud Weinberg & Gould 2001] pag. 30).

Já o psicólogo educacional do esporte é profissional com formação em Educação Física e estudam a psicologia do movimento humano, particularmente no que diz respeito a contextos esportivos e a exercícios físicos. A função deste profissional é de atuar sobre a produção de conhecimento, pesquisa, ensino da Psicologia do Esporte e desenvolvimento de instrumentos de avaliação.O psicólogo educacional do esporte que tem treinamento sobre técnicas mentais educam atletas e praticantes de exercícios em relação às habilidades psicológicas e seu desenvolvimento, tais como, controle de ansiedade, desenvolvimento de confiança, aperfeiçoamento da comunicação, etc.Esta é uma polêmica que se sucede no campo acadêmico, pois, se discute muito a questão relacionada com a formação do psicólogo do esporte e seus limites de atuação profissional. Ambos profissionais devem ter conhecimento profundo sobre a psicologia e a ciência dos esportes e exercício (Weinberg & Gould, 2001, p..31 e 32)

A principal distinção do campo de atuação destes profissionais diz respeito à intervenção, pois, ambos podem atuar na área acadêmica; desenvolvendo testes, ministrando palestra, mas cabendo, apenas ao psicólogo do esporte clínico a atuação e intervenção psicológica, principalmente no tratamento com atletas e praticantes de exercícios com transtornos emocionais.

Referências

WEINBERG, R., & GOULD, D. (2001). Psicologia do Esporte e do Exercício Físico –

2ª ed. Porto alegre: Artmed.

Bowie: Ziggy Stardust e os aracnídeos

por Laís Semis

Os olhos de cores diferentes não são de nascença e nem são lente. Com a pupila totalmente dilatada o tempo todo, o azul quase não dá pra ser notado e a visão é afetada. Uma briga com o melhor amigo durante a adolescência resultou no problema, mas não foi suficiente pra fazer a amizade acabar, ele é o responsável pela arte de alguns de seus álbuns.

Do homem que vendeu o mundo a Ziggy Stardust, odisséias espaciais, pintado de branco, com cabelo laranja, o redor dos olhos pintados de azul ou com um raio atravessando seu rosto, vestindo uma espécie de macacão colorido, em um visual andrógino. Foi no meio dessa loucura, que tomou conta de Bowie e se tornou parte de sua vida durante a década de 70, que os lapsos de memória e outros danos físicos permanentes se fizeram, mais ou menos quando percebeu que apesar de seu nome ter sido feito, tinha jogado sua vida fora. E correu atrás enquanto ainda tinha tempo para não perdê-la.

David Bowie durante a fase de Ziggy Stardust

A influência de David Bowie está em quase todos os artistas modernos, nas esperadas bandas de rock até o visual de Lady Gaga. E até mesmo ultrapassa o espaço musical. David Bowie virou até nome de aranha (Heteropoda davidbowie foi descoberta em 2009 e é uma espécie em extinção, seus pelos amarelos, segundo o descobridor, lembram o antigo visual do cantor). São cinco décadas de reinvenção própria, álbuns contemplados e sucessos comerciais. E embora faça anos que nada novo é lançado em sua discografia, de tempos em tempos, Bowie ressurge em algum lugar no mundo da música, do cinema ou da produção, se camuflando, se camaleando com alguma arte de seu gosto e mostrando mais uma faceta do Starman.

Heteropoda davidbowie, a aranha que ganhou o nome do cantor inglês