Função cognitiva e exercícios físicos

por                      André Luiz Lanza

Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso  Machado

A importância do efeito do exercício físico na função cognitiva depende da natureza da tarefa cognitiva que está sendo avaliada e do tipo de exercício físico que foi aplicado.

Alguns processos fisiológicos explicam a melhora da função cognitiva em resposta ao exercício físico, dentre estes alterações hormonais (catecolaminas, ACTH e vasopressina); no b-endorfina; na liberação de serotonina, ativação de receptores específicos e diminuição da viscosidade sanguínea (Santos, et al).

Apesar das controvérsias, estudos epidemiológicos confirmam que pessoas moderadamente ativas têm menos risco de serem acometidas por disfunções mentais do que pessoas sedentárias, demonstrando que a participação em programas de exercícios físicos proporciona benefícios também para funções cognitivas .

Em estudo de McAuley e Rudolph , a integridade cerebrovascular, o aumento no transporte de oxigênio para o cérebro, a síntese e a degradação de neurotransmissores, bem como a diminuição da pressão arterial, dos níveis de colesterol e das triglicérides, a inibição da agregação plaquetária, o aumento da capacidade funcional e, conseqüentemente, a melhora da qualidade de vida são benefícios causados pelos exercícios físicos.

Van Boxtel, et al. (1997), em estudo com 132 indivíduos com idade entre 24 e 76 anos, submetidos a uma sessão aguda de exercício submáximo em cicloergômetro, incluindo testes de inteligência, memória verbal e velocidade no processamento de informações, evidenciou a ligação entre exercícios físicos e função cognitiva.

Segundo Williams e Lord(, observaram melhora no tempo de reação, na força muscular, na amplitude da memória e do humor e nas medidas de bem-estar em um grupo de idosos (n = 94) que participaram de um programa de exercícios com duração de 12 meses em comparação com um grupo controle.

Hill et al.(1993) também relacionaram o desempenho cognitivo com a capacidade aeróbia, submetendo 87 idosos sedentários a um programa de treinamento aeróbio.

Eles observaram efeitos positivos na memória lógica e na Escala Wechsler de Memória (WMS) no grupo treinado, em comparação com o controle que não treinou.

Existe uma grande carência de pesquisas nesta área de estudos, já que a influência de fatores como a intensidade, a duração e o tipo de exercício, ou ainda, a combinação do exercício aeróbio ao de força, a flexibilidade e a velocidade sobre os aspectos psicobiológicos, necessitam ser avaliados.

Referências

Santos, D.L.; Milano, M.E., Rosat, R. Exercício físico e memória. Revista Paulista de Educação Física 1998;12:95-106.    

GUEDES, Rubem Carlos Araújo; ROCHA-DE-MELO, Ana Paula; TEODOSIO, Naíde Regueira. Nutrição adequada: a base do funcionamento cerebral. Cienc. Cult.,  São Paulo,  v. 56,  n. 1, Jan.  2004 Disponível em: <http://www.cienciaecultura.bvs.br  Acesso em: 27/06/09.

Suutuama, T.; Ruoppila, I. Associations between cognitive functioning and physical activity in two 5-year follow-up studies of older finish persons. J Aging Phys Act 1998;6:169-83.

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