Sobre psicologia do esporte na equipe de futebol

por Afonso Antonio Machado

Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

A incorporação do futebol na cultura do brasileiro ocorre ainda na maternidade, quando o pai, orgulhoso, pendura uma bola ou um par de chuteiras em miniatura na porta do quarto, para não gerar dúvidas quanto a masculinidade do menino que acaba de nascer, projetando que gostaria que o filho fosse um jogador no futuro.

Nesse sentido, todos os outros aparelhos que se encarregarão da educação do menino, também privilegiam os modelos e símbolos apreciados pela sociedade, fortalecendo a masculinidade e virilidade como condição essencial para a formação do homem. A consolidação desse modelo de homem ideal, com atributos de frieza, insensibilidade e virilidade, também encontra respaldo no meio esportivo, nesse caso no ambiente do futebol.

Não raramente, as crianças e adolescentes que procuram ingressar na carreira esportiva, são classificadas antes de tudo, pela sua coragem, agressividade e valentia. Ou seja, o modelo do verdadeiro herói guerreiro, másculo e viril.

Ao deixar a família, em busca da oportunidade para conquistar um lugar em uma equipe ou clube, o adolescente passa então a ser orientado por outras pessoas, nesse caso, pelo diretor, supervisor, preparador físico e pelo técnico, que a partir desse momento servirão como referência para a educação, comportamento e consolidação da identidade.

As viagens em decorrência dos jogos e das competições, o distanciamento da família, solidão, stress físico e emocional são fatores que também contribuem para fortalecer as relações afetivas entre os componentes do grupo e credita ao técnico, responsabilidades na formação do atleta, assumindo ele até as funções que eram designadas à família.

Da mesma forma que uma sociedade se compõe pela formação classes, facções ou guetos, integrados por indivíduos ativamente participativos nos seus grupos sociais, também é comum entre os profissionais de futebol a constituição de grupos no convívio social e profissional.

A relação entre pares tem início na infância, beneficiando seus componentes de diversas maneiras. Permite estabelecer troca de experiências, conhecimento, desperta habilidades necessárias para a sociabilidade, intimidade, solidariedade, fortalece os relacionamentos nas atividades realizadas em conjunto como, por exemplo, praticar esportes, ir a escola, ao cinema, enfim, ações que ajudam a desenvolver seu autoconceito e a auto-estima, permitindo a construção da identidade e fortalecendo os traços da personalidade.

Assim como acontece nos bairros, nos clubes ou na escola a relação entre pares também é percebida, e, de forma bastante intensa, no ambiente esportivo, nesse caso, no futebol. Como a definição para “pares” está baseada no conceito de “igualdade”, a formação dos grupos se estabelece em função das suas necessidades, da sua proximidade, dos seus interesses, da sua idade e sexo.

No caso específico do futebol, como todos os indivíduos pertencem ao mesmo sexo e têm os mesmos objetivos, essa relação se constitui então pela proximidade das posições de atuação no campo de jogo. Em muitos casos, os laços afetivos se fortalecem entre os atletas que atuam em posições próximas, ou seja, os atletas que compõem o setor defensivo de uma equipe geralmente formam seu grupo, enquanto que os atletas que atuam nas posições do meio do campo e os atacantes formam os demais grupos.

Geralmente os técnicos usam como estratégia para melhorar o relacionamento entre os atletas e a coesão do grupo, acomodar no mesmo quarto de hotel durante as viagens ou nos alojamentos, jogadores que ocupam posições táticas que se complementam, como os zagueiros com os alas, os atacantes com os meias, os goleiros com zagueiros e assim por diante.

Essa relação que a princípio se estabelece para definir estratégias de posicionamento e jogadas combinadas durante a realização dos jogos, contribui também para fortalecer as relações sociais fora do ambiente de trabalho. Portanto, as ligações desse grupo deixam o estádio e se mantém no dia a dia, no cotidiano.

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