Alimentação inteligente

por André Luiz Lanza

Afonso Antonio Machado

Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Os diversos sistemas do nosso organismo, como o sistema cardiovascular, ou o digestivo, dependem, de forma essencial, de uma nutrição adequada para o seu bom desenvolvimento e funcionamento.

Isso é absolutamente verdadeiro para qualquer sistema orgânico, mas tem implicações importantes no caso do sistema nervoso e particularmente das funções do seu órgão principal, o cérebro. Inúmeros estudos em seres humanos e em animais de laboratório tem comprovado essas afirmativas.

Para o cérebro funcionar eficientemente na vida adulta, requer-se, como condição fundamental, que ele tenha se desenvolvido de forma adequada no início da vida.

Nos mamíferos, o desenvolvimento do cérebro começa já na embriogênese (processo através do qual o embrião é formado e se desenvolve) e continua durante uma fase relativamente curta da vida pós-natal. Essa fase, em seres humanos, termina ao final dos primeiros dois a quatro anos de vida.

No rato albino, o mamífero mais usado para estudos experimentais sobre o tema, tal fase compreende as três primeiras semanas da vida pós-natal, ou seja, o período do aleitamento.

Nesse período, o cérebro é mais vulnerável às agressões do ambiente, inclusive às nutricionais, devido ao fato de que nessa fase os processos implicados no desenvolvimento cerebral ocorrem com muita rapidez.

Esses processos compreendem, sobretudo, a hiperplasia (aumento da quantidade de células nervosas), a hipertrofia (aumento do seu tamanho), a mielinização (formação, nas fibras nervosas, de um envoltório de material lipídico – a mielina, fundamental para a transmissão eficiente dos impulsos elétricos neuronais) e a organização das sinapses (pontos de comunicação entre os neurônios).

A deficiência de um ou mais nutrientes na alimentação diária pode, sem dúvida, perturbar a organização estrutural (histológica) e bioquímica de um ou mais dos processos acima descritos, levando, geralmente, a repercussões sobre as suas funções.

Dependendo da intensidade e da duração das alterações nutricionais, as consequências terão impacto maior ou menor sobre todo o organismo.

Funções neurais básicas, como o processamento de informações sensoriais (por meio dos nossos cinco órgãos dos sentidos) e a percepção das sensações correspondentes, bem como a execução de tarefas motoras (produção de movimentos, resultantes da ativação dos músculos pelo sistema nervoso) podem ser afetadas em extensões variadas e de forma diretamente proporcional à intensidade e à duração das deficiências nutricionais.

Isto também se aplica no caso de funções neurais mais elaboradas, como aquelas envolvendo cognição, consciência, emoção, aprendizado e memória, processos cuja perturbação na infância pode levar a condições patológicas importantes para a vida adulta, tanto no que se refere à qualidade da vida do indivíduo, como à da sua contribuição para a sociedade em que vive.

Em várias partes do mundo, a desnutrição ainda afeta um número elevado de crianças, com impacto considerável sobre os índices de morbidade e de mortalidade infantil.

O custo econômico e social para o atendimento dos indivíduos que sobrevivem à desnutrição é elevado. Tal situação tem também um caráter moralmente perverso e eticamente inaceitável.

Tudo isso certamente tem influenciado vários grupos de pesquisadores, em sua decisão de investigar, tanto em animais de laboratório quanto em seres humanos, os efeitos da desnutrição infantil sobre o sistema nervoso central adulto, e assim proporem medidas para solucionar, ou ao menos atenuar o problema.

Dessas pesquisas tem emergido um extenso conjunto de dados que fornecem valiosas informações sobre o tema. Similarmente ao que ocorre em animais de laboratório, também em crianças tem sido amplamente documentado que a desnutrição pode, em certos casos, perturbar gravemente o desenvolvimento do sistema nervoso.

Por outro lado, embora menos investigado, aceita-se atualmente que a ingestão exagerada de alimentos, que tem como principal conseqüência a obesidade, pode também interferir no desenvolvimento e nas funções cerebrais.

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