Da criação à prática da Psicologia do Esporte

por Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso Antonio Machado

A criação da Sociedade Internacional de Psicologia do Esporte, datada de 1965, em Roma, vem demonstrando que esta área de conhecimento está presente em todo o mundo. Singer (1977) postula que até a década de70, a Psicologia do Esporte foi muito pouco estudada. Ao se iniciar a circulação de jornais, revistas, livros e boletins informativos, além da fundação da sociedade de pesquisadores do assunto, observam-se uma consolidação da área em vários países.

A Psicologia do Esporte é uma disciplina científica independente, com suas próprias teorias, métodos e programas de treinamento que verificam as bases e efeitos psíquicos das ações esportivas, considerando por um lado à análise de processos psíquicos básicos (cognição, motivação e emoção) e, por outro lado, a realização de tarefas práticas do diagnóstico e intervenção. Willians e Straub (1986) definem que a psicologia do esporte busca a identificação e a compreensão de teorias e técnicas psicológicas, que, aplicadas ao esporte tem o objetivo de buscar a maximização do rendimento e o desenvolvimento pessoal do atleta. Para Weinberg e Gould (2001) a Psicologia do Esporte e do exercício tem como base o estudo científico de pessoas e seus comportamentos no contexto do esporte e dos exercícios físicos. Identifica princípios e padrões que profissionais podem usar para ajudar os adultos e crianças que participam dessas atividades ou um benefício no esporte e nas atividades físicas. Ela se ocupa da análise e modificação de processos psíquicos e das ações esportivas.

Segundo Nitsch (apud Samulski, 1992) a ação esportiva á determinada pelas condições subjetivas e objetivas da ação. As condições objetivas podem ser, por exemplo, as capacidades físicas do rendimento, aspectos antropométricos e biomecânicos, condições climáticas, temperatura, dentre outros. As condições subjetivas referem-se a interesses e atitudes, motivações, experiências próprias, opiniões e preconceitos. A literatura internacional aponta que desde os anos de 1980 observou-se o início da intervenção psicológica no esporte para influenciar o rendimento. Isto ocorreu de maneira centrada na busca de problemas concretos do treinamento sob a ótica de uma ciência psicológica básica, submetida à indeterminação ecológica.

Pode-se afirmar, que, de acordo com as definições apresentadas, que uma das tarefas da Psicologia do Esporte é a aplicação de suas teorias e métodos na prática do esporte e a comprovação de sua utilidade, trabalhando com atenção e exatidão científica no esporte para não convertê-la em uma psicologia que simplifica todos os fenômenos. Outro aspecto é que a atividade esportiva é um campo ideal para as pesquisas da Psicologia do Esporte, ela necessita do esporte para comprovar suas teorias e para poder aplicar seus métodos.

 

Referências

Singer, R. N. (1977). Psicologia dos esportes: mitos e verdades. São Paulo : Harper & Row do Brasil.

Weinberg, R. S. & Gould, D. (2001). Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. Porto Alegre: Artmed.

Williams, J.M., & Straub, W.F. (1986). Sport psychology: Past, present, future. Em: J.Williams (Ed.), Applied sport psychology, (pp. 1-13). Palo Alto, CA: Mayfield.

Promessa

por Laís Semis

Artista revelação 2008 e 2009 pela BBC e pelo Grammy Awards, ela tem pavor de multidões. Suas canções podem até serem tristes e, mesmo com coração partido, a britânica demonstra experiência.

"21", de Adele, ultrapassou "Born This Way", de Lady Gaga, no ranking da Billboard

Com uma voz forte e altissonante entre uma série de mulheres loiras e bonitas. Embora não se encaixe na série de mulheres destrutivas, não foge aos cigarros e taças. Longe das histórias escandalosas, Adele trilha uma jovem carreira com dois discos, “19” (2008) e “21” (2011), em que a idade parece sempre o menor dos seus problemas.
O mundo pop bebe um gole de dor voltando sua atenção para Adele que em “21” intensifica ainda mais a tristeza presente em seu antecessor. Não é pop de entretenimento como pode ser ouvido nas últimas “divas” que rondam as paradas, gastam páginas e muitos, muitos minutos em rádios e exageradas performances em exibições televisivas.
Mas depois do fundo do poço de maravilhas de “21” em que a cantora chega com suas canções e sentimentos, o provável caminho é que o disco se torne uma despedida, e Adele encontre em um próximo trabalho mais felicidades para tocar aos ouvidos, mesmo que sem deixar os conflitos, até porque estes nunca se deixam passar.

Ansiedade e desempenho atlético: refinamento da definição do constructo

por Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso Antonio Machado

As relações entre a ansiedade e desempenho esportivo têm sido um tópico de interesse de treinadores, atletas e pesquisadores da psicologia dos esportes por anos. O momento esportivo particularmente fornece um setting adequado para a observação e estudo da ansiedade, uma vez que, seus participantes são expostos à situações repetitivas, identificáveis e predizíveis, permitindo uma estimativa de comportamentos ansiogênicos em contextos reais, assim como avaliar seus efeitos sob tarefas esportivas específicas.

Alguns pesquisadores como Nash (1987) e Olerud (1989) ressaltam a importância de se investigar a ansiedade no esporte, relatando que atletas com níveis mais elevados de ansiedade em situações de competição apresentam uma maior tendência a machucarem-se e levam um maior tempo para retornar aos treinos após os danos. Essas e outras investigações conduziram a implicações práticas importantes na medida que, uma observação adequada da ansiedade de atletas possibilitaria uma maior compreensão dos fatores que a antecedem, de sua dinâmica e de suas conseqüências.

Além disso, com uma avaliação adequada da ansiedade de atletas, a implementação de programas de intervenção ficaria facilitada, assim como seu acompanhamento. Os avanços recentes na produção de medidas em psicologia permitiram um progresso na avaliação da ansiedade, embora haja ainda certa confusão quanto à definição do constructo, já que certos trabalhos não diferenciam termos como excitação, stress e ansiedade. Essa controvérsia será apresentada à continuação.

A excitação é o termo mais geral dos três, Cannon (1929) o usou  para se referir à energia mobilizadora fisiológica em resposta a situações que ameaçam a integridade  física do organismo. É a dimensão de intensidade que subjaz os comportamentos. Por sua vez, o termo estresse é usado em duas formas diferentes. Primeiramente, em relação ao equilíbrio entre as demandas situacionais e os recursos do indivíduo. O segundo uso do termo se refere às respostas do indivíduo à estressores. Nessa perspectiva, o estresse se refere à uma resposta cognitiva-afetiva envolvendo uma avaliação da ameaça e excitação fisiológica aumentada (Spielberger, 1966).

Finalmente, a ansiedade é uma variação das respostas ao estresse e um constructo multifacetado. Basicamente, consiste de uma resposta aversiva emocional, um motivo de evitação caracterizado por preocupação e apreensão quanto à possibilidade de danos físicos ou psicológicos, associado à excitação fisiológica aumentada resultante da avaliação da ameaça (Jones & Swain, 1995).

 

Referencias

 

Cannon. W. B. (1929). The mechanism of emotional disturbance of bodily functions. New England Journal of Medicine 195, 877-884.

Jones, J.G., & Swain, A. (1995) – Predispositions to experience debilitative and facilitative anxiety in elite and non-elite performers. The Sport Psychologist, 9, 201-211.

Nash, H. L. (1987). Elite child-athletes: How much does victory costs. The Physician and Sports Medicine, 15, 128-133

Olerud, J. E. (1989). Acne in a young athlete. In N. J. Smith (Ed.). Common problems in pediatric spoils medicine (pp. 54-59). Chicago: Year Book. Medical Publishers.

Spielberger, C. D. (1966). Theory and research on anxiety. Em C.D. Spielberger (Ed.) Anxiety and behavior (pp. 1-17). New York: Academic Press.

Sou Nós

por Laís Semis

Os Los Hermanos nunca foram os preferidos da maioria. A maioria, aliás, tem o – péssimo – costume de dizer por aí que o Los Hermanos é aquela banda (de barbudos) que toca “Anna Julia”. A música fez tanto sucesso que até mesmo Jim Capaldi, ao lado do ex-beatle George Harrison, chegaram a fazer uma versão da música e inglês.

Você pode até achar que a pegada deles não é das mais digestivas, mas é difícil ignorar os trabalhos que eles vêm fazendo separados. Rodrigo Amarante acabou desenvolvendo o Little Joy, ao lado do stroke Fabrízio Moretti e de sua namorada, a californiana Binki Shapiro. No clima praia, eles fizeram um som que caiu no agrado dos moderninhos, dos brasileiros melancólicos, dos mais sossegados e dos que deixam se levar pelos ritmos.

O Hermano Rodrigo Amarante, o stroke Fabrízio Moretti e Binki Shapiro integram a banda Little Joy

Também não deixou nada a desejar o primogênito solo do hermano de Amarante, Marcelo Camelo. Agora, o filho caçula, “Toque Dela”, repete o efeito. Flui tanto quanto o “sou” (ou “nós”, dependendo de como você olha a capa do disco) que marcou a estréia de Camelo em seu próprio bloco do eu sozinho com um disco pincelado com sentimento até mesmo onde é inusitado, contendo músicas como “Passeando” ou “Saudade” que, com suas três e quatro linhas, conseguem ser íntimas.

“Toque Dela” até parece o outro lado da mesma face de “sou/nós”, o que ainda que maravilhoso, não mostra muito mais do que já foi visto de Marcelo Camelo.

A intrigante capa do primeiro álbum solo de Marcelo Camelo, "sou” que de ponta cabeça pode ser lido “nós”