Ansiedade e desempenho atlético: refinamento da definição do constructo

por Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso Antonio Machado

As relações entre a ansiedade e desempenho esportivo têm sido um tópico de interesse de treinadores, atletas e pesquisadores da psicologia dos esportes por anos. O momento esportivo particularmente fornece um setting adequado para a observação e estudo da ansiedade, uma vez que, seus participantes são expostos à situações repetitivas, identificáveis e predizíveis, permitindo uma estimativa de comportamentos ansiogênicos em contextos reais, assim como avaliar seus efeitos sob tarefas esportivas específicas.

Alguns pesquisadores como Nash (1987) e Olerud (1989) ressaltam a importância de se investigar a ansiedade no esporte, relatando que atletas com níveis mais elevados de ansiedade em situações de competição apresentam uma maior tendência a machucarem-se e levam um maior tempo para retornar aos treinos após os danos. Essas e outras investigações conduziram a implicações práticas importantes na medida que, uma observação adequada da ansiedade de atletas possibilitaria uma maior compreensão dos fatores que a antecedem, de sua dinâmica e de suas conseqüências.

Além disso, com uma avaliação adequada da ansiedade de atletas, a implementação de programas de intervenção ficaria facilitada, assim como seu acompanhamento. Os avanços recentes na produção de medidas em psicologia permitiram um progresso na avaliação da ansiedade, embora haja ainda certa confusão quanto à definição do constructo, já que certos trabalhos não diferenciam termos como excitação, stress e ansiedade. Essa controvérsia será apresentada à continuação.

A excitação é o termo mais geral dos três, Cannon (1929) o usou  para se referir à energia mobilizadora fisiológica em resposta a situações que ameaçam a integridade  física do organismo. É a dimensão de intensidade que subjaz os comportamentos. Por sua vez, o termo estresse é usado em duas formas diferentes. Primeiramente, em relação ao equilíbrio entre as demandas situacionais e os recursos do indivíduo. O segundo uso do termo se refere às respostas do indivíduo à estressores. Nessa perspectiva, o estresse se refere à uma resposta cognitiva-afetiva envolvendo uma avaliação da ameaça e excitação fisiológica aumentada (Spielberger, 1966).

Finalmente, a ansiedade é uma variação das respostas ao estresse e um constructo multifacetado. Basicamente, consiste de uma resposta aversiva emocional, um motivo de evitação caracterizado por preocupação e apreensão quanto à possibilidade de danos físicos ou psicológicos, associado à excitação fisiológica aumentada resultante da avaliação da ameaça (Jones & Swain, 1995).

 

Referencias

 

Cannon. W. B. (1929). The mechanism of emotional disturbance of bodily functions. New England Journal of Medicine 195, 877-884.

Jones, J.G., & Swain, A. (1995) – Predispositions to experience debilitative and facilitative anxiety in elite and non-elite performers. The Sport Psychologist, 9, 201-211.

Nash, H. L. (1987). Elite child-athletes: How much does victory costs. The Physician and Sports Medicine, 15, 128-133

Olerud, J. E. (1989). Acne in a young athlete. In N. J. Smith (Ed.). Common problems in pediatric spoils medicine (pp. 54-59). Chicago: Year Book. Medical Publishers.

Spielberger, C. D. (1966). Theory and research on anxiety. Em C.D. Spielberger (Ed.) Anxiety and behavior (pp. 1-17). New York: Academic Press.

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