Único

Por Igor Santos

A música clássica, por um longo período, teve sua época de “ouro” em que grandes compositores como Pyotr I. Tchaikovsky, Johann S. Bach ou Johanes Brahms e muitos outros criavam verdadeiras obras eruditas, mas o tempo foi passando e, hoje, a criação não é mais prioridade; se assim podemos dizer, uma atenção foi voltada especialmente para a reprodução de modo com que seja de altíssimo nível, interpretação ideal, melodia e harmonia em pleno conjunto, equilíbrio sonoro. Após a Revolução Francesa, a orquestra em si teve uma grande evolução, contando, agora, com os naipes de metais, com maior articulação pelo seus rotores e pistos, fazendo com que o grupo de cordas e madeiras se ajustasse e, então, aumentar sua proporção, sem deixar de lado sua variedade. As obras sempre levaram características da época em questão, muitas vezes algumas eram uma crítica sobre o governo atual. Como a música clássica sempre soava como algo de mais valor, de alto nível, não só econômico mas intelectualmente, a maioria dos impérios sempre tinha vários homens voltados para este assunto, compositores da corte, compositores de operas, suítes entre outros, com o objetivo de agradar o imperador. Sua origem vem se abrindo conforme  se descobre a historia, há quem diga que suas raízes vêm da velha igreja litúrgica cristã, mas também há quem diga que foram os gregos com suas liras e poemas cantados, deram origem não só a música clássica mas também as trovas. Fico pensando, poderia ser os dois, ou nenhum dos dois, a música clássica tem seu próprio jeito de se comunicar, sem fazer menção a nenhuma raiz. Onde estiver terá tua própria linguagem.

Taekwon-Do, laughter and forgetting

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Assim como qualquer instituição que, ao longo de sua história, apresenta dissidências em seus quadros, o Taekwon-Do – tanto em seu estilo Kukkiwon (administrado, principalmente pela WTF) quanto em seu estilo Ch’ang Hon (administrado, principalmente, pelas três ITF´s existentes, além da GTF, ITA, TGB, AIMAA, GM Jhoon Rhee etc.) – tem as histórias de suas instiuições constantemente atualizadas de modo a sugerir vínculos de continuidade com o passado exclusivos para aqueles que permanecem em uma dada instituição e apagando de sua memória aqueles que dela se afastaram.

Riso e esquecimento

Este comportamento, bastante comum em empresas, partidos políticos, instituições de ensino e pesquisa, clubes etc., foi brilhantemente registrado por MILAN KUNDERA nas páginas iniciais de sua obra intitulada “The Book of Laughter and Forgetting”. Vale a pena conferir:

“In February 1948, the Communist leader Klement Gottwald stepped out on the balcony of a Baroque palace in Prague to harangue hundreds of thousands of citizens massed in Old Town Square. That was a great turning point in the history of Bohemia. A fateful moment of the kind that occurs only once or twice a millennium.

Gottwald was flanked by his comrades, with Clementis standing close to him. It was snowing and cold, and Gottwald was bareheaded. Bursting with solicitude, Clementis took off his fur hat and set it on Gottwald´s head.

The propaganda section made hundreds of thousands of copies of the photograph taken on the balcony where Gottwald, in a fur hat and surrounded by his comrades, spoke to the people. On that balcony the history of Communist Bohemia began. Every child knew that photograph, from seeing it on posters and in schoolbooks and museums.

Four years later, Clementis was charged with treason and hanged. The propaganda section immediately made him vanish from history and, of course, from all photographs. Ever since, Gottwald has been alone on the balcony. Where Clementis stood there is only the bare palece wall. Nothing remains of Clementis but the fur hat on Gottwald´s head.”

(MILAN KUNDERA, “The Book of Laughter and Forgetting”, Faber & Faber Limited, 1996, Part 1, Chapter 1)

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

Definições da ansiedade de competição

por Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso Antonio Machado

Segundo Cozzani e cols. (1997), a ansiedade é definida como um estado emocional de apreensão e tensão no qual o indivíduo responde a uma situação, não perigosa, mas de ameaça, com um grau de intensidade e magnitude desproporcionais ao objeto em questão. Segundo Rubio (2000), o excesso de ansiedade interfere negativamente no desempenho de atletas. Desta forma, a exposição a ameaças pode causar mudanças fisiológicas, o que faz com que o organismo consuma muita energia, podendo interferir em atividades de longa duração. Machado (2001) ressalta a importância de saber lidar com a ansiedade para que se consiga o nível ideal para cada situação, ou seja, adequar esses níveis de ansiedade para chegar a um desempenho ótimo ou facilitador da melhor performance, perceber como e de que maneira ela afeta o desempenho positivamente ou negativamente.

No que tange o conceito relacionado à ansiedade, Samulski (1992) caracteriza o Estado Pré-Competitivo como o momento próximo da competição, em que passa pela cabeça do atleta suas oportunidades, riscos e conseqüências geradas pelo seu desempenho dentro da competição. O esportista que se depara com  essa situação, acaba passando para um estado de intensa carga psíquica (estresse psíquico), causando muitas vezes o sentimento de medo e temor. As alterações promovidas pelo estado pré-competitivo ocorrem nos campos fisiológico e psicológico. A resposta do atleta pode variar entre o chamado estado de febre, estado de apatia e estado ótimo de ativação, de acordo com Puni (1961), sendo que o atleta pode apresentar fisiologicamente intensa irradiação de processos fisiológicos e alguns indicadores de ansiedade bem como nervosismo, instabilidade emocional, medo do adversário, menor intensidade da percepção e concentração e aversão à competição. A ativação pode ser uma ótima disposição, pois gera autoconfiança, concentração e alta capacidade de controle psico-motor. Os resultados dos estados pré-competitivos no desempenho do atleta podem leva-lo à desorientação tática, perda do ritmo e controle sobre os movimentos, desmotivação, reações lentas e fadiga precoce. O estado pré-competitivo pode ser positivo quando o atleta compete com uma ótima conduta técnica, no controle das situações e é taticamente perfeito (Samulski, 1992).

De acordo com Machado (2001), para que o atleta possa caracterizar a importância de cada situação, é fundamental que o mesmo tenha o auxílio do Psicólogo do Esporte, pois este poderá trabalhar a forma de aumentar ou diminuir o nível de ansiedade do jogador. Além disso, o psicólogo do esporte também analisa a forma como o atleta lida com a transferência dos processos emocionais. Como exemplo, pode-se citar a torcida que irá deixá-lo confortável na partida ou torná-lo centro de um ambiente hostil e de pressão, fato que pode levar a uma inibição na execução dos movimentos. Em outro cenário, existe a possibilidade do jogador já ter sofrido uma contusão e por medo de se contundir novamente, tornar-se ansioso e acabar prejudicando a execução do movimento. Se o atleta falhar, estará sujeito ao fracasso, e assim, surgirá a dúvida pelas conseqüências desse ato.

O nível de ansiedade apresentado pelo atleta está intimamente ligado às condições da tarefa em questão, a pressão imposta, o nível de habilidade e a natureza da atividade. A interação dinâmica desses fatores revelará padrões de desempenhos. Torna-se necessário examinar cada uma das variáveis separadamente e posteriormente analisá-los de uma forma global (Singer, 1977). A ansiedade pré-competitiva normalmente é caracterizada por nervosismo, associando-se com ativação ou agitação do corpo, tendo um componente de pensamento, como preocupação e apreensão, chamado ansiedade cognitiva. Outro componente, é denominado ansiedade somática e refere-se às mudanças de momento a momento na ativação fisiológica percebida (Weinberg, 2001).

REFERÊNCIAS

Cozzani, M. (1997). Ansiedade: interferências no contexto esportivo. Psicologia do Esporte: temas emergentes.

Machado, A. A. (2001). Psicologia do Esporte. Campinas: Alínea.

Rubio, K. (2000). Psicologia do esporte: interfaces, pesquisa e intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Samulski, D. (1992). Psicologia do esporte: teoria e aplicação prática. Belo Horizonte Imprensa Universitária/UFMG, 1992.

Singer, R. N. (1977). Psicologia dos esportes: mitos e verdades. São Paulo : Harper & Row do Brasil.

Weinberg, R. S. & Gould, D. (2001). Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. Porto Alegre: Artmed.

Personalidade e o esporte: modelo dos cinco grandes fatores

por Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso Antonio Machado

Uma das principais discussões no que concerne a aplicação de testes de personalidade em atletas tem sido a questão da validade das medidas obtidas no contexto esportivo. Rushall (1975) e Martens (1975) ressaltam que uma das objeções feitas consiste na seleção indiscriminada da população de atletas que não permite obter validade para um grupo específico, dada as diferenças entre os tipos de esportes. Além disso, destacam que a maior parte das pesquisas nessa área apresentam problemas quanto ao tratamento estatístico dos dados, bem como às suas interpretações. Essa questão já vem sendo atentada há mais de vinte anos (Cratty, 1984).

Uma das soluções apontadas para esse problema é sugerida por Morgan (1978) ao mencionar a necessidade de que outras provas sejam aplicadas juntamente com as de personalidade, com vistas a fornecer uma maior compreensão dos atletas em questão. Ao lado disso, devem ser examinados também variáveis relativas aos aspectos emocionais e sociais envolvidos em cada modalidade esportiva, possibilitando, assim, combinar dados de personalidade com as diversas “tensões esportivas específicas”.

Dentre os inúmeros instrumentos disponíveis para a avaliação da personalidade estão o MMPI (Inventário Multifásico de Personalidade), o 16 PF de Cattell, que tem sido muito utilizado no contexto esportivo, entre outros. Na atualidade, uma nova proposta para a mensuração da personalidade têm emergido que é a dos Cinco Grandes Fatores (CGF). Esse modelo descreve dimensões básicas da personalidade e foram constituídos com base na aplicação de inúmeros instrumentos como o 16 PF, MMPI, escala de necessidades de Murray, entre outros. Esses testes, ao serem submetidos a análises fatoriais fornecem soluções similares com os CGF, independentemente da teoria que embasa esses instrumentos. (McCrae & Costa, 1989; Digman, 1990; McAdams, 1992; Briggs, 1992, Hutz e colaboradores, 1998).

Esse modelo e não apresenta uma explicação teórica a priori dos motivos de serem cinco os fatores e, embora hajam algumas divergências quanto à denominação dos mesmos, ou das características em cada dimensão, não representam problemas metodológicos ou epistemológicos. Alguns autores como Goldberg (1981), Hogan (1983) estudaram as soluções fatoriais encontradas entre os testes de personalidade e contribuíram para o entendimento atual dos fatores para explicar a personalidade. Nesse contexto, os fatores seriam: Extroversão/Introversão (Fator I), pessoas com altas pontuações nesse fator seriam caracterizadas como despreocupadas, impulsivas, espontâneas, aventureiras, entre outros aspectos. Esse fator é correspondente ao fator I da escala de Eysenck (1970) bem como ao fator “Atividade Social” do sistema de Guilford (Hutz & colaboradores, 1998).

Por sua vez, o Segundo fator é o Nível de Socialização, e suas tendências são agradabilidade social, calor humano, doçura, altruismo, cuidado, amor e apoio emocional, sendo que seu oposto é caracterizado por hostilidade, indiferença aos demais, egoísmo e inveja. Esse fator abrange alguns itens da escala de Psicoticismo de Eysenck em meados de 1970. A esse respeito, Digman (1990) destaca que a quase totalidade da variância desse fator de Eysenck estaria explicada nos fatores II e III dos CGF (Hutz & colaboradores, 1998).

O terceiro fator é a Escrupulosidade e pessoas com predominância nesse traço caracterizam-se como honestas, sensíveis afetivamente, preocupadas com os outros, responsáveis, e pessoas em seu oposto apresentariam irresponsabilidade, negligencia, dureza e insensibilidade (Hutz & colaboradores, 1998). O Fator IV corresponde ao Neuroticismo ou Estabilidade Emocional, abrange aspectos como afeto positivo e negativo, instabilidade emocional, ansiedade, depressão, melancolia, tristeza, nervosismo e temor. Pessoas em seu oposto seriam pouco impulsivas e recuperariam o autocontrole com facilidade (Hutz e colaboradores, 1998).

Finalmente, o Fator V é a Abertura a Experiência e envolve fantasia, imaginação, abertura para novas experiências, flexibilidade de pensamento. Esse fator pode ainda ser denominado Intelecto, já que também é caracterizado pela percepção que a pessoa tem de sua capacidade (Hutz & colaboradores, 1998). De acordo com alguns autores em pesquisas realizadas nos últimos 10 anos os estudo têm demonstrado a solidez desses fatores. Assim, esse modelo tem sido considerado por inúmeros autores como o melhor na atualidade para a dsecrição da personalidade. Ainda, sugere-se que se tratam de dimensões básicas da personalidade, desejáveis de se obter em quaisquer pessoas com que se vá interagir (McCrae & John, 1992; McCrae, Costa, & Piedmont, 1993; Huttz, 1998; McAdams, 1992).

Referências

Briggs, S. R. (1992). Assessing the Five-Factor Model of personality description. Journal of Personality, 60, 253-293.

Cratty, B.J. (1984). Psychology in Contemporary Sport. Englewood Cliffs: Prentice-Hall.

Digman, J. M. (1990). Personality structure: The emergence of the Five-Factor Model. Annual Review of Psychology, 41, 417-440.

Goldberg, L. R. (1981). Language and individual differences: The search for universals in personality lexicons. Review of Personality and Social Psychology, 2, 141-165.

Hogan, R. (1983). Socioanalytic theory of personality. Em M. M. Page (Ed.), 1982 Nebraska Symposium on Motivation: Personality – Current Theory and Research (pp. 55-89). Lincoln, NE: University of Nebraska Press.

Hutz, C.S.; Nunes, C.H.; Silveira, A.D.; Serra, J.; Anton, M.; & Wieczorek, L.S. (1998). O desenvolvimento de marcadores para a avaliação da personalidade no modelo dos cinco grandes fatores. Psicologia Reflexão e Crítica,

Martens, R. (1975). Social psychology and physical activity. New York: Harper Row.

McAdams, D. P. (1992). The Five-factor Model in personality: A critical appraisal. Journal of Personality, 60, 329-361.

McCrae, R. R. & Costa, P. T. (1989). More reasons to adopt the Five-Factor Model. American Psychologist, 44, 451-452.

McCrae, R. R. & John, O. P. (1992). An introduction to the Five-Factor Model and its applications. Jounal of Personality, 60, 175-216.

McCrae, R. R., Costa, P. T., & Piedmont, R. L. (1993). Folk concepts, natural language, and psychological constructs: The California Psychological Inventory and the Five-Factor Model. Journal of Personality, 61, 1-26.

Morgan, W.P. (1978). Sport personology: the credulous-skeptical argument in perspective. Em W.F.Straub, Sport psychology, An analysis of athletic behavior. Movement Publications.

Rushall, B.S. (1975). Psychodynamics and personality in sport: Status and values. Em H.T.A. Whiting (Ed.), Readings in sport psychology. London: Lepus.