Ansiedade e desempenho acadêmico

por            Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

Afonso Antonio Machado

A ansiedade dentro do contexto escolar recebeu maior atenção dos pesquisadores a partir da década de 1950. Ao fazer uma relação entre ansiedade e desempenho da criança da pré-escola, jardim de infância e da primeira série, Grossman  encontrou que a ansiedade interferiu na aprendizagem apenas dos alunos da 1ª série.

O surgimento da ansiedade pode estar ainda associado à capacidade da criança de interpretar não só o seu desempenho, como também de estabelecer comparações do próprio rendimento com a atuação de outras crianças, sobretudo em situações avaliativas. Nesse sentido, ocorre uma experiência repetida de insucessos acompanhadas de um sentimento de inferioridade, frustração e incompetência frente à turma, produzindo ainda mais dificuldades e podendo culminar no fracasso escolar.

A ansiedade apresenta-se como uma sensação altamente desagradável acompanhada de reações corporais como sudorese, cefaléia, necessidade de evacuar súbita, entre outras, que serve como um alerta para informar sobre um perigo eminente afim de que a pessoa tome medidas para lidar com esta ameaça que pode variar desde danos corporais, até possível punição ou frustração de necessidades sociais ou corporais. Ressalta-se que as experiências de ansiedade possuem dois componentes: a consciência de sensações fisiológicas, acompanhado do fato de se estar nervoso .

Inúmeros autores forneceram diferentes definições de ansiedade com base em inúmeras perspectivas. Nesse estudo, a concepção de ansiedade adotada é do Manual de Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10).  Estes Manuais mencionam sintomas como inquietação, sensação de estar com os nervos à flor da pele, fatigabilidade, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, perturbação do sono, sudorese, palpitações, tonturas, desconforto epigástrico, medos preocupação que causam sofrimento e prejuízo em algumas áreas importantes da vida do indivíduo.

Essas manifestações em contextos com situações ameaçadoras são consideradas normais, sendo considerada patológica quando é uma resposta inadequada a certo estímulo, em virtude de sua intensidade e duração. A ansiedade normal seria aquela que nos acompanha ao longo do desenvolvimento e das experiências novas a fim de formar uma identidade, sendo, nesta perspectiva, um sinal de vitalidade e servindo para desepertar e motivar o organismo adquirindo assim, caráter de sobrevivência. Ressalta-se que a ansiedade de forma geral impele a realização de determinadas ações visando à remoção da ameaça. Dessa forma, não é necessariamente prejudicial ao bom desempenho escolar, já que um certo nível de ansiedade pode beneficiar a aprendizagem, dependendo do grau que se apresenta.

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