A supervisão pedagógica no processo de formação e desenvolvimento profissional

por Ana Rita Bruni

O docente constrói sua identidade, no processo de desenvolvimento profissional, integrando múltiplos saberes, complementando formação e experiência. Stenhouse ( 1981 ) lembra que não é possível que o professor desenvolva um currículo sem seu próprio desenvolvimento, devendo este último modificar as suas práticas à luz das suas reflexões sobre sua prática. Galvão (2000) descreve ainda o crescimento profissional como uma construção feita a partir de descobertas pessoais de natureza humana e social, técnica , mas também relacional .

A supervisão pedagógica é vista como um processo que integra esses saberes, onde o supervisor atua como coconstrutor das aprendizagens, refletido com o supervisionado. John Dewey, filósofo americano ( 1859-1952) foi um dos precursores da corrente reflexiva no campo educacional. Em seus trabalhos, reconhece que há uma defasagem entre os currículos escolares e as práticas cotidianas. Salienta a necessidade de modificar a abordagem pedagógica tradicional, procurando flexibilizá-las aos contextos aos quais estão inseridos. Acredita que, em desempenharem tarefas com significado pessoal e sentido, a partir de situações reais, os alunos aprenderão com maior facilidade e terão maiores chances de generalizar e aplicar seus conhecimentos.

A função do pensamento reflexivo seria então de modificar uma situação problema em algo claro e coerente. Dewey ( 1959) diz sobre o pensamento reflexivo  “ como a espécie de pensamento que consiste em examinar mentalmente o assunto e dar-lhe consideração séria e consecutiva”. O pensamento reflexivo, deste modo, é um ato intencional e consciente e não espontâneo. Interando-se fatos e ideias, bases do pensamento reflexivo, surgirá uma resolução ou um conjunto de resoluções ( Alarcão, 1996 ). Observando-se, obtém-se  os dados; intervindo sobre estes, surgem as idéias, que precisam de confirmação. De acordo com Dewey ( 1910 ), “ a análise conduz à síntese e a síntese completa a análise”. Sendo assim, supervisor e supervisionado tem que assumir o papel de protagonistas num processo de formação continuada.

Tendo como pressuposto os apontamentos anteriores, cabe a questão de como verificar esse processo no ambiente de supervisão? É sábido que muitas vezes, não se tem a clareza de que , se algo for feito de outra forma, poderá obter melhores resultados ou otimizar o tempo, por exemplo. Em várias atuações profissionais, a prática é solitária e não se pode discutir com outros da mesma área ( diferentemente de uma equipe ) a atuação para rever metas ou corrigir percursos. É nesse contexto que temos a possibilidade da supervisão. Se observarmos o significado da palavra SUPERVISÃO, constatamos que é formada por duas outras : SUPER ( sobre) e VISÃO ( olhar ). Temos então um “ olhar sobre”, “ observar algo”,” ver de cima”. É a ação de conhecer, de um modo mais amplo, uma certa área de atuação ou ramo profissional, visando possibilitar o aperfeiçoamento constante e contínuo da prática, a partir do que se tem como partida.

Portanto, é um processo formativo, de capacitação, para instrumentalizar o supervisionado para o saber fazer, formar para pensar, perceber e interpretar dados e situações, a fim de estabelecer novas metas para uma intervenção competente. Para Tejada ( 2000), o profissional deve possuir os seguintes atributos, capacidade de reflexão sobre a prática; atitude autocrítica e avaliação profissional, para ponderar erros e acertos como parte de um todo maior, e assim poder refazer seu percurso, num processo de revisão permanente; flexibilidade ou capacidade de se adaptar à mudança; tolerância à incerteza, ao risco e à insegurança que conduzem as políticas educativas; capacidade de iniciativa e de tomada de decisões; relação poder/autonomia para intervir; trabalho em equipe, bem como estabelecer relações de pertinência entre grupos maiores nos quais está inserido, observando papéis, responsabilidades e tarefas individuais;  vontade de autoaperfeiçoamento; compromisso ético em termos profissionais e pessoais.

Outros apontamentos são de poder buscar conhecimentos teóricos aprendidos e embasamento em experiências anteriores, a fim de compreender, interpretar e definir a atuação que melhor contemplará a situação em questão e, criar formas eficientes de registro e outras técnicas organizacionais. O espaço da supervisão visa, deste modo, permitir aos profissionais avançarem em sua prática, buscarem novas possibilidades e, acima  de tudo, terem um espaço para aprimorarem a autocrítica e assim manterem suas atividades num processo dinâmico e atual.

Referencias

– ALARCÂO, I ( org) – Formação reflexiva de professores – estratégias de supervisão . Porto. Porto editora .1996

– DEWEY,J –Como pensamos – Como se relaciona o pensamento reflexivo com o processo educativo : uma reexposição. 3ª edição. São Paulo. Cia Editora Nacional. 1959

– GALVÂO,C. – Da formação à prática profissional .In Inovação 13 , PP 57 a 82. 2000

– STENHOUSE,L. – Investigácion y Desarrollo Del Curriculum. Madrid. Morata. 1981

– TEJADA,J. – “El docente inovador “, in Torre, S.; Barrios, O. ( coord) . Estratégias didácticas innovadoras : recursos para la formación y el cambio. Col Recursos, 31. Barcelona. Octaedro. 2000

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