Efeitos dos alimentos inteligentes e da atividade física

por                          André Luis Lanza

José Maria Montiel

Daniel Bartholomeu

Os diversos sistemas do nosso organismo, como o sistema cardiovascular, ou o digestivo, dependem, de forma essencial, de uma nutrição adequada para o seu bom desenvolvimento e funcionamento.

Isso é absolutamente verdadeiro para qualquer sistema orgânico, mas tem implicações importantes no caso do sistema nervoso e particularmente das funções do seu órgão principal, o cérebro. Inúmeros estudos em seres humanos e em animais de laboratório tem comprovado essas afirmativas.

Para o cérebro funcionar eficientemente na vida adulta, requer-se, como condição fundamental, que ele tenha se desenvolvido de forma adequada no início da vida.

Nos mamíferos, o desenvolvimento do cérebro começa já na embriogênese (processo através do qual o embrião é formado e se desenvolve) e continua durante uma fase relativamente curta da vida pós-natal. Essa fase, em seres humanos, termina ao final dos primeiros dois a quatro anos de vida.

No rato albino, o mamífero mais usado para estudos experimentais sobre o tema, tal fase compreende as três primeiras semanas da vida pós-natal, ou seja, o período do aleitamento.

Nesse período, o cérebro é mais vulnerável às agressões do ambiente, inclusive às nutricionais, devido ao fato de que nessa fase os processos implicados no desenvolvimento cerebral ocorrem com muita rapidez.

Esses processos compreendem, sobretudo, a hiperplasia (aumento da quantidade de células nervosas), a hipertrofia (aumento do seu tamanho), a mielinização (formação, nas fibras nervosas, de um envoltório de material lipídico – a mielina, fundamental para a transmissão eficiente dos impulsos elétricos neuronais) e a organização das sinapses (pontos de comunicação entre os neurônios).

A deficiência de um ou mais nutrientes na alimentação diária pode, sem dúvida, perturbar a organização estrutural (histológica) e bioquímica de um ou mais dos processos acima descritos, levando, geralmente, a repercussões sobre as suas funções.

Dependendo da intensidade e da duração das alterações nutricionais, as consequências terão impacto maior ou menor sobre todo o organismo.

Funções neurais básicas, como o processamento de informações sensoriais (por meio dos nossos cinco órgãos dos sentidos) e a percepção das sensações correspondentes, bem como a execução de tarefas motoras (produção de movimentos, resultantes da ativação dos músculos pelo sistema nervoso) podem ser afetadas em extensões variadas e de forma diretamente proporcional à intensidade e à duração das deficiências nutricionais.

Isto também se aplica no caso de funções neurais mais elaboradas, como aquelas envolvendo cognição, consciência, emoção, aprendizado e memória, processos cuja perturbação na infância pode levar a condições patológicas importantes para a vida adulta, tanto no que se refere à qualidade da vida do indivíduo, como à da sua contribuição para a sociedade em que vive.

Em várias partes do mundo, a desnutrição ainda afeta um número elevado de crianças, com impacto considerável sobre os índices de morbidade e de mortalidade infantil.

O custo econômico e social para o atendimento dos indivíduos que sobrevivem à desnutrição é elevado. Tal situação tem também um caráter moralmente perverso e eticamente inaceitável.

Tudo isso certamente tem influenciado vários grupos de pesquisadores, em sua decisão de investigar, tanto em animais de laboratório quanto em seres humanos, os efeitos da desnutrição infantil sobre o sistema nervoso central adulto, e assim proporem medidas para solucionar, ou ao menos atenuar o problema.

Dessas pesquisas tem emergido um extenso conjunto de dados que fornecem valiosas informações sobre o tema. Similarmente ao que ocorre em animais de laboratório, também em crianças tem sido amplamente documentado que a desnutrição pode, em certos casos, perturbar gravemente o desenvolvimento do sistema nervoso.

Por outro lado, embora menos investigado, aceita-se atualmente que a ingestão exagerada de alimentos, que tem como principal conseqüência a obesidade, pode também interferir no desenvolvimento e nas funções cerebrais.

Da investigação desse tema originou-se a questão fundamental que tem motivado pesquisas no Laboratório de Fisiologia da Nutrição Naíde Teodósio (LAFINNT), do Departamento de Nutrição da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Essa questão poderia ser assim enunciada: como se desenvolveria e, completado o desenvolvimento, como funcionaria o cérebro submetido a alterações nutricionais?

Para responder a esta indagação, diferentes abordagens tem sido utilizadas, visando compreender até que ponto distúrbios nutricionais afetam aspectos da organização e funções cerebrais.

Sob essas condições, a atividade eletrofisiológica produzida pelo sistema nervoso pode ser bastante afetada, tanto ao nível periférico (nos nervos que levam informações do cérebro para os demais setores do organismo e vice-versa), quanto ao nível central (processamento de informações nas conexões intrínsecas, dentro do cérebro).

Evidências experimentais indicam que animais desnutridos apresentam elevada susceptibilidade a processos relacionados à excitabilidade neural, tais como reatividade aumentada a estímulos aversivos e facilitação para se obter crises convulsivas induzidas experimentalmente.

O estudo da excitabilidade cerebral pode ser feito registrando-se e analisando-se a atividade elétrica produzida pelo cérebro. Este, enquanto está vivo, produz espontaneamente (isto é, sem qualquer estímulo intencional aplicado pelo pesquisador) um padrão de ondas elétricas de caráter oscilatório, que constitui o que se chama eletroencefalograma (abreviadamente, eeg).

Na vigência de um estímulo sensorial específico (por exemplo, um flash de luz diante dos olhos), o cérebro produz potenciais elétricos, que se distinguem daqueles das ondas espontâneas do eeg pelo menos por três características principais: 1) tem forma gráfica característica (têm amplitude e duração distintas daquelas da atividade espontânea); 2) apresentam relação temporal com o estímulo que os provocou; 3) são produzidos em regiões específicas do cérebro, as quais estão funcionalmente relacionadas ao canal sensorial estimulado (se o estímulo é luminoso, os potenciais elétricos dele decorrentes são produzidos na região occipital, que é a que processa as informações visuais).

Tais potenciais elétricos constituem a resposta do cérebro ao estímulo sensorial (no caso, o flash de luz) e constituem o que chamamos de atividade elétrica provocada, ou evocada.

A parte da neurofisiologia que estuda a atividade elétrica do sistema nervoso é denominada Eletrofisiologia.

No início da década de 1940, nos primórdios da eletroencefalografia, o registro sistemático do eeg, associado ao seu estudo cuidadoso, em animais de laboratório, levou um jovem cientista brasileiro, o doutor Aristides Azevedo Pacheco Leão, a descobrir um fenômeno extremamente curioso e inusitado, que foi denominado de “depressão alastrante da atividade elétrica cerebral” (DA) que, em inglês, ficou conhecido como Leãos spreading depresssion.

Aqui, o termo “depressão” não se refere à doença psiquiátrica nomeada também por essa palavra, mas sim indica que a amplitude do eeg em uma determinada região cortical se torna temporariamente reduzida (deprimida), isto é, a diferença de potencial elétrico entre aquele ponto cortical e um outro ponto vizinho tende para zero, quando a região é invadida pela DA.

Em alguns casos, o traçado eletroencefalográfico se torna praticamente isoelétrico. Assim, a DA foi descrita originalmente como uma “onda” reversível e propagável de redução (“depressão”) da atividade elétrica cerebral (tanto a espontânea como a provocada), acompanhada do aparecimento de uma “variação lenta de voltagem” (VLV) na região do cérebro invadida pelo fenômeno, em resposta à estimulação elétrica, mecânica ou química de um ponto da superfície cerebral.

Tanto a depressão do eeg, quanto a VLV, características da DA se propagam de forma concêntrica a partir do ponto estimulado, atingindo gradualmente regiões corticais mais e mais distantes, enquanto a área inicialmente deprimida começa a se recuperar.

Como regra geral, a recuperação completa do eeg é obtida após5 a10 minutos. Ao contrário do eeg, a VLV tem características do tipo “tudo ou nada”, ou seja, a sua presença, com uma “forma de onda” bem definida, com início e fim fáceis de identificar, sempre indica a existência da DA.

Por isso, a VLV é muito usada para se calcular a velocidade com que o fenômeno se propaga pelo tecido nervoso. Surpreendentemente, em todos os vertebrados em que já se registrou a DA (desde peixes até mamíferos), a sua velocidade de propagação tem se mostrado notavelmente baixa (alguns mm/min), em comparação com a ordem de grandeza da propagação dos impulsos nervosos em axônios (até dezenas de m/s).

Essa peculiar velocidade da DA levou alguns autores a postular um mecanismo humoral para a propagação do fenômeno. Esse mecanismo seria baseado na liberação de um ou mais fatores químicos pelas células neurais, no momento em que elas fossem submetidas à DA.

De acordo com tal idéia, à medida que esses compostos se difundissem através do espaço extracelular, como conseqüência da DA, eles “contaminariam” as células vizinhas, deflagrando então, nelas, a DA.

Uma vez “deprimidas” eletricamente, essas células também passariam a liberar os fatores químicos, que contaminariam novas células, e assim por diante, dando lugar a uma propagação automantida, sustentada por essa verdadeira “alça de retro-alimentação positiva”.

No entanto, o esclarecimento dos mecanismos finais da DA não foi ainda totalmente atingido, a despeito de que durante quase seis décadas, desde a sua descrição inicial, se tenha acumulado um grande volume de informações sobre o fenômeno.

No estudo eletrofisiológico do cérebro submetido a alterações nutricionais, o LAFINNT tem utilizado a DA como um indicador da normalidade ou anormalidade cerebral. Particular atenção tem sido dada ao cálculo da velocidade de propagação do fenômeno.

Alterações dessa velocidade são interpretadas como indicação de que o tecido cortical está alterado, seja na sua estrutura, seja na sua atividade eletrofisiológica. Velocidades significantemente mais altas ou mais baixas do que aquela de animais normais (grupo controle) indicam, respectivamente, susceptibilidade do tecido cortical à DA aumentada ou diminuída, sugerindo as variações correspondentes na excitabilidade cortical.

No que se refere à desnutrição precoce, verificou-se que ela exerce um efeito facilitador sobre a propagação da DA, a julgar pelas suas velocidades de propagação, mais altas nos animais adultos que foram precocemente desnutridos, em comparação com animais controle, bem-nutridos durante toda a vida.

A suplementação, com proteínas, de uma dieta na qual esse nutriente era deficiente, tanto em quantidade quanto em qualidade, levou a resultados diversos, dependendo da qualidade da proteína usada na suplementação.

Quando se suplementou a dieta carente com uma proteína de baixa qualidade (de origem vegetal), os efeitos sobre a DA não foram revertidos. A reversão só foi conseguida quando a proteína usada na suplementação era a caseína, a proteína animal de excelência para os mamíferos.

Com base nessas observações pode-se concluir que os efeitos da desnutrição no início da vida sobre o desenvolvimento e as funções cerebrais não podem ser completamente evitados, se a alimentação deficiente for suplementada apenas com proteínas de baixo valor biológico, isto é, de baixa qualidade, definida pela falta de alguns aminoácidos essenciais.

Continuando a investigar, no rato, o cérebro desnutrido durante o aleitamento (as três primeiras semanas de vida pós-natal), descobriu-se que mesmo episódios curtos (apenas uma semana) de desnutrição são capazes de alterar, de forma duradoura, a susceptibilidade cortical à DA.

Verificou-se também que o maior impacto ocorre quando esse episódio curto de desnutrição acontece na terceira semana do aleitamento, sugerindo que os eventos de desenvolvimento cerebral que ocorrem nessa semana têm grande importância para o estabelecimento das características da DA, no cérebro adulto.

Esses resultados indicam também que o cérebro não parece ser tão homogêneo quanto inicialmente se pensava, em termos de desenvolvimento, uma vez que diferentes estruturas cerebrais desenvolvem-se em sub-períodos diversos durante o aleitamento, de forma que mesmo episódios curtos de desnutrição podem ter conseqüências funcionais importantes, conforme a fase do desenvolvimento em que ocorram e a estrutura cerebral que afetem.

Estudos adicionais mostraram que a administração de substâncias como o diazepam ou a glicose modifica as características da DA no cérebro de ratos adultos normais, porém têm pouco efeito naqueles animais que foram desnutridos no aleitamento.

Se essas observações puderem ser extrapoladas para o ser humano (o que ainda não foi sistematicamente investigado), talvez ajude a explicar o fato de que alguns pacientes, quando submetidos a certos medicamentos que agem sobre o cérebro, não apresentam resposta terapêutica tão boa quanto à de outros pacientes.

Pode ser que, subjacente a essa redução da resposta terapêutica, estejam antecedentes de episódios de deficiência nutricional precoce.

Além da desnutrição, há estudo sobre diversas condições clinicamente relevantes para o ser humano, incluindo variáveis nutricionais e metabólicas, associadas a outras de natureza ambiental, hormonal e farmacológica.

Sabendo-se que tais condições são capazes de afetar o desenvolvimento e/ou as funções cerebrais, postulou-se que poderiam também modificar a capacidade do cérebro em produzir e propagar a DA.

Assim, já se identificou uma série de condições de importância clínica que facilitam a DA e outras que a dificultam.

A atividade elétrica neuronal é a principal característica fisiológica do tecido nervoso. É por meio dessa atividade que o cérebro consegue executar o imenso repertório de suas ações, desde as mais simples até aquelas altamente complexas.

Portanto, os métodos e técnicas que permitem o registro e a análise da atividade elétrica cerebral podem fornecer informações importantes para que se compreenda como esse órgão funciona, tanto sob condições normais, como patológicas.

Sobre o que foi descrito pode-se concluir que o registro eletrofisiológico do fenômeno conhecido como depressão alastrante da atividade elétrica cerebral é um instrumento muito interessante e valioso, tanto para os estudos sobre nutrição e funções cerebrais, como para aqueles envolvendo a nutrição e outras condições clinicamente importantes, que podem influenciar o funcionamento do sistema nervoso.

Muitos estudiosos da evolução creditam a degeneração da saúde e inteligência do homem a causas nutricionais. Segundo eles, não teria havido tempo suficiente para que o código genético humano modificasse suas informações de forma a fabricar enzimas capazes de digerir completamente os novos alimentos que o homem vem introduzindo em sua dieta.

Enquanto viveu como caçador-coletor, o homem teve uma excelente disponibilidade de vitaminas, minerais e gorduras saudáveis para promover o aperfeiçoamento de sua inteligência. Até que, há cerca de 10 mil anos, o homem parou de deslocar-se em busca do alimento e se fixou na terra, desenvolvendo a agricultura e a criação de animais.

Foi quando aconteceu a primeira grande modificação da dieta humana, com a introdução dos grãos, pães, leite e derivados.

Há pouco mais de 50 anos, com o advento da industrialização dos alimentos, uma outra grande modificação alimentar ocorreu, com a introdução dos fast-foods, gorduras processadas e alimentos exageradamente açucarados.

Segundo os pesquisadores, essa nova dieta vem determinando mudanças importantes, às quais o código genético humano definitivamente ainda não conseguiu se adaptar.

Hoje, frutas, legumes e verduras são alimentos cada vez mais raros nas dietas da maior parte da população. As gorduras saudáveis do peixe foram substituídas pelas gorduras processadas e hidrogenadas (margarinas), que são altamente oxidantes, ou seja, trabalham a favor dos radicais livres.

Não é de se admirar, portanto, que as doenças mentais e físicas venham aumentando em ritmo acelerado nas sociedades que se afastaram da alimentação natural.

Vejamos a questão dos ômegas, tipo de gorduras poliinsaturadas essenciais para o funcionamento cerebral.

Para que os ômegas exerçam sua ação benéfica, é preciso haver uma proporção exata deles: uma molécula de ômega 3 para cada quatro moléculas de ômega 6. Mas quando se come gorduras hidrogenadas ou processadas demais, acontece um desequilíbrio dos ômegas, com o aumento brutal dos ômegas 6, que então passarão a produzir substâncias neurotóxicas, que inflamam o cérebro. E onde há inflamação, há estresse oxidativo.

Com o refinamento, grãos e farinhas perdem substâncias preciosas para a saúde, como o cromo, mineral que ajuda a estabilizar o açúcar no sangue, o que é uma garantia de saúde física e mental.

Além de não possuírem o mineral, os carboidratos refinados ainda provocam a perda do cromo pela urina e o aumento de peso.

Grãos e farinhas refinados perdem também fibras, que ajudam a disponibilizar a glicose mais lentamente para o organismo, o que é muito bom, pois evita uma liberação muito rápida da insulina.

Quem não come frutas, verduras, legumes e grãos integrais cedo ou tarde começa a apresentar sintomas que são resultado de um estado de desnutrição, quadro cada vez mais comum em pessoas que nunca experimentaram a fome.

Trata-se uma desnutrição subclínica, que não acontece por ausência de alimento, mas sim pela falta de nutrientes.

Escolher os alimentos sob a ótica do que é mais fácil ou atraente representa um risco muito sério. Nossa alegria de viver, nosso potencial hormonal e imunológico, enfim, o bem-estar físico e mental estão diretamente ligados ao estilo de alimentação que adotamos.

Cada célula é dependente de cerca de 40 nutrientes para se manter saudável, e quando essa demanda não é satisfeita, a célula entraem sofrimento. Nocérebro, isso é o início dos processos neurodegenerativos e do envelhecimento precoce.

Seja nos casos onde há falta de sensibilidade dos receptores, seja quando há uma deficiência em sua produção, estamos, novamente, diante da questão dos nutrientes.

Para produzir e fazer funcionar qualquer proteína receptora é necessário uma grande variedade de vitaminas, minerais e aminoácidos, que apenas uma alimentação bem equilibrada pode fornecer.

A dieta tradicional brasileira está mudando, especialmente entre os jovens. Existe hoje em dia um aumento do consumo de comidas processadas, frituras com altos índices calóricos, refrigerantes, doces e comidas inimigas do cérebro.

Isso explica a duplicação da taxa de obesidade entre os brasileiros desde o meio dos anos 70 e o aumento do Alzheimer e Parkinson em indivíduos de meia-idade, além de alterações psicológicas como a depressão.

Atividade Física

A atividade física é qualquer tipo de contração muscular que pode ou não, levar ao movimento, independente da finalidade: postura, trabalho, locomoção, esporte e lazer. O exercício físico é conceituado como uma forma especial de atividade física, planejada, sistematizada, progressiva e adaptada ao indivíduo, sempre com o objetivo de estimular uma ou várias adaptações morfológicas e/ ou funcionais (Santarém, 1999).

São cada vez mais escassas as pessoas que efetuam exercícios físicos em seu cotidiano. Por inúmeras razões dentre elas tempo, enfermidade, desinteresse, preguiça dentre outros.

Sempre sendo motivo da não prática aos exercícios físicos, gradativamente o indivíduo está propenso a futuros problemas de saúde.

Observadamente, os maiores motivos para a prática do exercício físico são por vaidade ou para manutenção da saúde.

Na natureza, tudo que foi criado surgiu a partir de uma necessidade, para logo haver uma adaptação. Que se entrelaça em outras necessidades e adaptações, constituindo então, todo um equilíbrio que existe na fauna, flora, na Terra.

Desde o surgimento da pálpebra, até a formação de um furacão em pleno oceano, são resultados disso.

Para isso, foram milhões de anos de adaptação e evolução. Sempre em um equilíbrio, no qual, a sobrevivência é o objetivo. A natureza se adapta, nosso organismo se adapta, e todos os sistemas se submetem a isso.

Na nossa espécime, observamos todo um organismo com total capacidade de adaptação em grande parte dos ambientes. Graças, inclusive ao nosso cérebro, que desenvolve trabalhos para isso. Que é suprido dos nutrientes bombeados pelo coração.

Nutrientes que surgem a partir da absorção de seus respectivos componentes no sistema digestivo. Nutrientes aderidos através da alimentação, no qual, cada alimento tem uma determinada concentração de variados nutrientes que suprem “n” necessidades de cada grupo de células específicas do corpo.

Esses alimentos são adquiridos, a partir da realização de trabalho do homem que efetua tal atividade para aderi-lo. Trabalho que consiste em um esforço físico que consta no gasto de energia e dependendo do esforço feito, certas proteínas são necessárias para que haja o desenvolvimento dos ossos e músculos obtendo resistência suficiente para tal trabalho.

Esforço físico que dependendo do seu grau, a quantidade de nutrientes absorvidos, varia de acordo com a frequencia e a força com que o coração bombeia. Suprindo todos os músculos efetuadores de atividades, inclusive o cérebro. Garantindo a sobrevivência do indivíduo.

Sendo até hoje esse tipo de equilíbrio em nosso organismo, não só do coração, músculos e ossos, mas, para milhares de pequenos e grandes sistemas que existem em nosso corpo. Tornando o esforço físico, um componente da nossa natureza, que garante um equilíbrio, perante o nosso organismo.

Exemplos:

No sedentarismo excessivo, ou até simples. Hoje em dia gerado através do frequente uso da internet, tv, video-games etc. O organismo se adapta as poucas necessidades de impacto, e começa a descalssificar os ossos, ou seja, o cálcio passa a ser menos absorvido pelos ossos e é espalhado para outros pontos de necessidade.

Havendo redução da massa óssea causando então, maior fragilidade aos ossos, pela sua baixa densidade, submetendo a um maior risco de fraturas, ou seja, a Osteoporose.

Dentre as soluções, além de ingerir cálcio e vitamina D, e a exposição regular ao Sol para o desenvolvimento de vitamina D pelo própio organismo.

Há exercícios rotineiros, que se encaixam bem no cotidiano, como nos coletivos: vôlei, futebol, basquete, handebol entre outros. Ou os individuais: atletismo, tênis e algumas artes marciais.

Treinamentos com pesos também ajudam na prevenção, por levar forças tensão aos ossos. Atividades aquáticas e ciclismo, não tem muita eficácia nessa manuntenção.

Pessoas que praticam exercícios físicos em geral, tem uma agradável sensação de bem-estar. Pois ao o praticar, estimula-se o organismo a produzir serotonina, o responsável pelo efeito prazeroso. No qual, remédios anti-depressivos, procuram causar mesmo efeito, não tão eficaz quanto ao da atividade física, através do Lítio, que estimula a produção também, da serotonina.

Tal façanha de ambos, também provoca a formação de novas células no hipocampo, área cerebral responsável pela memória e aprendizagem. Quem possui essa área atrofiada, possui sintomas depressivos.

A glicose, encontrada em alimentos de alto teor de carboidrato, responsável pela energia das células para a realização de suas respectivas atividades. Somente é transportada e inserida em tais células, graças a insulina. Que é produzida no pâncreas pelas células Beta. Atividade somente realizada quando há a necessidade do gasto de energia pelo corpo. Ou seja, o consumo de glicose. Não havendo tal necessidade, a produção de insulina cai e a glicose ingerida fica no sangue, formando placas obstruintes, elevando a pressão arterial, cujas consequências já conhecemos. Logo, com a taxa baixa de insulina, inicia-se a Diabetes Mellitus. A partir dessa diabete, os sintomas que aparecem são de poliúria, polidipsia, polifadiga, hiperglicemia, glocosúria, infecções cutâneas e genitais, impotência sexual, alterações visuais, renais ou neurológicos, dentre outros.

Muitas vezes, enfermidades que surgem ou pioram, são consequências diretas da escassez de atividades físicas. Podendo-se facilmente visualizar sua importância em nossos dia-a-dia.

Porém, não podemos deixar que ocorra uma alienação ao exercício físico a ponto de não ser mais uma ferramenta para o bem-estar, e tomar conta do indivíduo sendo escravizado à busca pela saúde. Levando-o a causar sérios danos a si.

Portanto, deve-se obter orientação de profissionais, desde nutricionistas, até aos personal trainers. Contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

A atividade física sempre esteve presente na história da humanidade. Evidências históricas relatam a existência desta prática desde a cultura pré-histórica, como um componente integral da expressão religiosa, social e cultural.

No Brasil, o esporte e a prática de exercícios físicos foram introduzidos pelos imigrantes e representantes das oligarquias em contato com modismos europeus.

No século 19, período de grandes mudanças no cenário econômico, social e cultural no Brasil, surge a primeira lei sobre a educação física determinando a sua prática obrigatória como disciplina nos colégios do município da Corte (Castro, 2002).

Segundo Schpun (1999) e Castro (2002), a prática de exercícios físicos contribuía para o desenvolvimento físico e moral das crianças, já que a ociosidade induzia as crianças a uma série de vícios, como a masturbação e o homossexualismo.

Os exercícios eram, então, prescritos pelos médicos de acordo com o gênero e a faixa etária dos alunos, compreendendo esta divisão como parte de um processo natural que envolvia o crescimento, o desenvolvimento e a formação sexual de jovens saudáveis (Schpun, 1999: 50-51).

Segundo king AC, Martin JE, nas últimas décadas tem havido grande procura por parte dos indivíduos na prática de atividades físicas com objetivo de atingir o bem-estar físico e cognitivo.

Segundo relatório sobre padrões de vida dos brasileiros, elaborado pelo IBGE (2002), 26% dos homens realizam atividade física regular e somente 12,7% das mulheres estão envolvidas em algum programa de treinamento.

Quando se verifica a quantidade de pessoas que se exercitam pelo menos trinta minutos ou mais por dia, no mínimo três dias na semana, encontra-se 10,8% e 5,2% de homens e mulheres respectivamente.

Um estudo recente de Monteiro et al. avaliou a freqüência da prática de atividades físicas na população adulta, tendo encontrado uma baixa prevalência de atividade física no lazer (13,0%), sendo que somente 3,3% da população estudada acumulava 30 minutos diários de atividades físicas em cinco ou mais dias da semana (Pate et  al).

Atualmente vários estudos e pesquisas comprovam diversas alterações benéficas no organismo com a prática de atividades físicas, dentre estas se destacam os cardiorrespiratórios, aumento da densidade mineral óssea, diminuição do risco de doenças crônico-degenerativas e a melhoria na função cognitiva.

Função Cognitiva

Têm-se como função cognitiva as fases do processo de informação, como percepção, aprendizagem, memória, atenção, vigilância, raciocínio, solução de problemas e o funcionamento psicomotor (tempo de reação, tempo de movimento, velocidade de desempenho).

São vários os fatores de risco que podem aumentar a predisposição de um indivíduo ao prejuízo cognitivo entre eles destacam-se idade, gênero, histórico familiar, trauma craniano, nível educacional, tabagismo, etilismo, estresse mental, aspectos nutricionais e socialização.

Fatores esses que levam a redução da velocidade no processamento de informações, decréscimo de atenção, déficit sensorial, redução da capacidade de memória de trabalho, prejuízo na função do lobo frontal e na função neurotransmissora, além da deterioração da circulação sanguínea central e da barreira hematoencefálica.

A partir da terceira década de vida ocorre a perda de neurônios com concomitante declínio do desempenho cognitivo. Os processos baseados em habilidades da inteligência cristalizada, como conhecimento verbal e compreensão continuam mantidos ou até melhoram com o passar dos anos, diferentemente dos processos baseados em habilidades da inteligência fluida, tais como tarefas aprendidas, mas não executadas, que sofrem declínio.

O cérebro é sensível a inúmeros fatores que resultam em danos às redes neurais. De forma similar aos outros tecidos, ele possui a capacidade de auto-reparação/auto-adaptação, ou mesmo uma compensação pela perda de neurônios e interrupções na arquitetura neural.

Quando ocorre um desequilíbrio entre lesão neuronal e reparação, essa capacidade de plasticidade neuronal é prejudicada, estabelecendo-se então o envelhecimento cerebral e a demência.

Função cognitiva e exercícios físicos

A importância do efeito do exercício físico na função cognitiva depende da natureza da tarefa cognitiva que está sendo avaliada e do tipo de exercício físico que foi aplicado.

Alguns processos fisiológicos explicam a melhora da função cognitiva em resposta ao exercício físico, dentre estes alterações hormonais (catecolaminas, ACTH e vasopressina); no b-endorfina; na liberação de serotonina, ativação de receptores específicos e diminuição da viscosidade sanguínea (Santos, et al).

Apesar das controvérsias, estudos epidemiológicos confirmam que pessoas moderadamente ativas têm menos risco de serem acometidas por disfunções mentais do que pessoas sedentárias, demonstrando que a participação em programas de exercícios físicos proporciona benefícios também para funções cognitivas.

Em estudo de McAuley e Rudolph, a integridade cerebrovascular, o aumento no transporte de oxigênio para o cérebro, a síntese e a degradação de neurotransmissores, bem como a diminuição da pressão arterial, dos níveis de colesterol e das triglicérides, a inibição da agregação plaquetária, o aumento da capacidade funcional e, conseqüentemente, a melhora da qualidade de vida são benefícios causados pelos exercícios físicos.

Van Boxtel, et al. (1997), em estudo com 132 indivíduos com idade entre 24 e 76 anos, submetidos a uma sessão aguda de exercício submáximo em cicloergômetro, incluindo testes de inteligência, memória verbal e velocidade no processamento de informações, evidenciou a ligação entre exercícios físicos e função cognitiva.

Segundo Williams e Lord(, observaram melhora no tempo de reação, na força muscular, na amplitude da memória e do humor e nas medidas de bem-estar em um grupo de idosos (n = 94) que participaram de um programa de exercícios com duração de 12 meses em comparação com um grupo controle.

Hill et al.(1993) também relacionaram o desempenho cognitivo com a capacidade aeróbia, submetendo 87 idosos sedentários a um programa de treinamento aeróbio.

Eles observaram efeitos positivos na memória lógica e na Escala Wechsler de Memória (WMS) no grupo treinado, em comparação com o controle que não treinou.

Existe uma grande carência de pesquisas nesta área de estudos, já que a influência de fatores como a intensidade, a duração e o tipo de exercício, ou ainda, a combinação do exercício aeróbio ao de força, a flexibilidade e a velocidade sobre os aspectos psicobiológicos, necessitam ser avaliados.

Função cognitiva e nutrição cerebral

São vários os estudos que ligam a má nutrição ao desenvolvimento de doenças mentais.

Segundo a Dra. Milagros Marot Casañas (Doutora em Psiquiatria do Hospital Hermanos Amerjeira, em CUBA), em estudo de revisão foram reunidas várias pesquisas sobre nutrição cerebral e função cognitiva.

Em seu estudo ela afirma que as doenças mentais como esquizofrenia, depressão, Alzheimer estão totalmente ligadas à deficiência de aminoácidos, lipídios, carboidratos, vitaminas e minerais, pois a plenitude do funcionamento cerebral necessita de nutrientes que são obtidos a partir de alimentos da dieta.

Porém, há certa precariedade em estudos que comprovem melhoria no desempenho cognitivo na inteligência, em indivíduos saudáveis que seguem uma dieta equilibrada.

Porém sabe-se que, assim como outros tecidos do organismo, o cérebro necessita de oxigênio e nutrientes para suprir seu metabolismo.

Uma dieta adequada em nutrientes pode desempenhar um papel importante na função cognitiva mantendo a estrutura cerebral e o bom funcionamento dos neurônios

A glicose é a principal fonte de energia para o cérebro. Os carboidratos, grandes fornecedores de glicose são absorvidos rapidamente, devendo dar preferência aos complexos como pão, batata e grãos, pois fornecem energia de forma mais regular do que os carboidratos simples, como o açúcar dos doces, que não fornecem energia de forma constante e acabam sendo transformados em gordura.

Os ácidos graxos poliinsaturados em específico ômega-3 e ômega-6  desempenham importantes funções no desenvolvimento e funcionamento do cérebro desde o período gestacional até o envelhecimento

São conhecidos por promoverem maior fluidez e plasticidade cerebral e denominados essenciais por não serem sintetizados pelo organismo, daí a importância de peixes como salmão, atum, sardinha, castanhas, semente de linhaça, entre outros, poderosas fontes destes nutrientes no cardápio do indivíduo

As frutas, legumes e verduras possuem as vitaminas A, C e E e betacaroteno e selênio, antioxidantes que protegem dos radicais livres.

Estes são produzidos com a energia gerada no cérebro. Além disso são importantes na composição de uma dieta saudável, pois têm baixa densidade energética, isto é, poucas calorias em relação ao volume do alimento consumido, favorecendo a manutenção saudável do peso corporal.

Folhas verde-escuras como brócolis, repolho, couve e espinafre são exemplos de alimentos antioxidantes. Frutas como maçã, morango, ameixa, banana e as ricasem vitamina Ccomo a laranja, kiwi, abacaxi, tangerina e acerola também são poderosos anti-radicais livres assim como beta-caroteno, presente na cenoura, tomate, abóbora, entre outros alimentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Uma resposta

  1. Interessante, mas creio que falta uma abordagem complementar sobre somatids…

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