Hoje é terça-feira

por Laís Semis

“Sempre lançamos algo, e a partir daquilo começamos a tentar desmentir o que nós éramos. Que é um comportamento artístico por natureza. O que nós fomos em 2007, em 2009 nós desmentimos. Em 2011 nós desmentimos o que nós eramos em 2009. E no próximo álbum, obviamente faremos o mesmo.” Helio Flanders, em entrevista ao Portal e-Colab em março de 2012.

Capa do disco “Boa Parte de Mim Vai Embora”

Capa do disco “Boa Parte de Mim Vai Embora”

Lançado em 2011, o último disco da banda cuiabana Vanguart, “Boa Parte de Mim Vai Embora” abandona o niilismo de todos os amigos que querem morrer (prescrição da balada-sucesso “Semáforo” e aqueles versos que você já deve ter ouvido por aí “só acredito no semáforo, só acredito no avião, eu acredito no relógio e no coração”) por sentimentos mais nobres. Sentimentos mais nobres não – porque seria errado dizer que tais sentimentos inexistissem em suas canções, mas dessa vez os sentimentos aparecem desmascarados, totalmente nus e (pela primeira vez em um álbum) em português (com exceção de alguns poucos versos em espanhol na primeira faixa).

Entre procurar alguém e ir embora (uma vontade muito presente no disco – mas diferente das antigas vontades de partir), Helio Flanders e companhia (dos grandes) seguem em um embalo de uma voz que não deixa transparecer tanta felicidade das emotivas poesias tão bem compostas entrelaçadas a um violino e trompete.

Embora as letras olhem para o passado, outra vontade que parece ter se tornado recorrente nesse último Vanguart é a importância de se viver o presente e a consciência do tempo. Talvez por uma questão natural dos homens crescidos e necessidade presente nos seres de aproveitar a vida diante da perspectiva que ela lhe dá.

“Boa Parte de Mim Vai Embora” é um disco sobre mais do que ir embora. É um disco sobre renascer. E foi com belas canções que o Vanguart trouxe a renovação. Aqui eles aparecem, se mais calejados (“Engole”), mostram-se mais compreensíveis também diante das circunstâncias (como ilustra a faixa “Se Tiver Que Ser na Bala Vai”, “Eu Vou Lá” e “Das Lágrimas”).

Você pode encontrar muitas referências de coisas que eles ouvem, leem e veem.  Mas existe uma sinceridade musical no que o Vanguart produz. E nesse eterno desmentir de quem se é para quem um dia será, na noção do ser, que se faça presente pra que venha o futuro.

“Boa parte de mim vai embora,

A sua parte, que hoje sou eu.”

Para conferir a entrevista completa do e-Colab com o Vanguart, acesse:

http://e-colab.blogspot.com.br/2012/03/gr-12-entrevista-vanguart.html

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: