Golden touch

por Laís Semis

Não é dos feitos que mais gosta de se gabar, mas o invocado vocalista da banda inglesa Razorlight, Johnny Borrell, já integrou por um curto período a Libertines. Tempos depois ele sairia no tapa com o ex-vocal Doherty (e no ano seguinte declararia guerra ao The Kooks). Fato é que vocalistas invocados geralmente procuram (ou acabam encontrando naturalmente) duas coisas: arqui-inimigos e conquistar um império como o de nenhum outro.

Em 2010 a banda que passava pela mesma formação desde 2004, quando lançou seu primeiro álbum, passou por uma reestruturação interna: todos os integrantes saíram da banda, com exceção de Borrell que arranjou outros três companheiros para substituir os antigos. Em entrevista ao tabloide britânico The Sun, o baterista Andy Burrows disse que “não conseguia entender como se sentia tão triste tocando numa banda que tinha vendido milhões de cópias”.

Musiquinhas agradáveis, semi-hits, covers de personalidade, ápices de fúria musical contrapostos a bonança entre faixas e dentro delas próprias compõe uma sonoridade que não se prende ao rock de rua feito or grande parte das bandas contemporâneas ao Razorlight. A construção se preocupa em manter a qualidade de álbum para álbum, variar a mesmice se transformando naturalmente como uma banda madura e nunca se esquece de trabalhar as letras.

Johnny Borrell

Johnny Borrell

Mas a safra colhida pós-Nevermind balançou um pouco o padrão que o rock parecia ter criado de lançar artistas destaques a cada geração que representassem o “teen spirit” de cada uma. Integrando uma geração bem menos rebelde, que não quebrou nenhum tabu, não deu a cara a tapa e nem se pintou de sonhadora revolucionária, a Razorlight teve que dividir espaço com uma lista de outras bandas como ela: (a queridíssma) Strokes, Libertines, White Stripes, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Bloc Party (se lembra deles?)…

Geração Strokes (a banda que acabou se tornando ícone dos anos 00, mas nem próximo de um Beatles, Sex Pistols, U2 ou Nirvana), a Razorlight sempre soou meio ressentida e se auto colocou num pedestal tentando se afirmar (desnecessariamente, assim como vem fazendo o Oasis desde os anos 90, mas com menos prestígio do que esses conterrâneos) como uma grande banda que produz material de qualidade e que merece ser louvada sob os holofotes. Menos extremista que os irmãos Gallagher, Borrell simplesmente exagera na dose de adjetivos arrogantes. O tom de superioridade de Borrell poderia ser só uma atitude conflituosa que engrandecesse a produção da banda, deixando-a ainda mais em voga e resplandecendo uma nova voz da década (passada). Antes fosse o “toque de ouro” que os tornassem únicos perante tantos outros. No entanto, acaba soando apenas como um apelo mimado de mais uma banda que ainda procura o reconhecimento do sucesso absoluto em vão em uma época que como bem disse Helio Flanders, do Vanguart, sobre esse mercado fonográfico que se criou, “ninguém mais vai estourar”. E nada vai ser tão bom quanto Johnny Borrell afirmar que é.

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