Aeronautas: considerações sobre o trabalho na aviação

por                   José M. Montiel

Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

Aeronauta é o profissional habilitado pelo Ministério da Aeronáutica, que exerce atividade a bordo de aeronave civil nacional, mediante contrato de trabalho regido pela legislação trabalhista, conforme a lei 7183/84 (Sindicato Nacional dos Aeronautas, 2005). São vários os fatores estressantes que os aeronautas encontram em sua profissão, os quais obrigam seu organismo a lançar mão de mecanismos de defesa e de compensação. Alguns desses fatores podem ser: alimentação irregular, mudanças climáticas, baixa umidade do ar, ruídos e vibrações da aeronave, cruzamento de vários fusos horários, incorreta gestão do sono, entre outros.

Os fatores estressantes podem acarretar sintomas clínicos como dor de cabeça, falta de apetite, esquecimento, astenia (diminuição de força física), diarréia ou constipação, palpitações, irritabilidade, baixa capacidade de concentração, insônia, dor no peito, tiques faciais, perturbações visuais e auditivas, emagrecimento, redução da atividade sexual, tremores, agressividade, sarcasmo, uso imoderado de fumo e álcool. A condição pode ainda degenerar para quadros neuróticos como fobias, ansiedade, depressão, obsessão, compulsão, além da dependência de drogas.

Neste sentido os aeronautas são obrigados a adaptar seu organismo aos horários de trabalho e ter horas de sono forçadas, independentemente da hora do dia, a realizar refeições irregularmente, por vezes substituídas por um lanche, também nem sempre em condições confortáveis. Parece haver uma incompatibilidade entre o funcionamento do organismo com a organização e gestão desse trabalho. Os aeronautas vivem o risco como conteúdo do trabalho. A vivência do risco não se efetiva somente no momento do acidente. Ela está no momento da possibilidade dessa ocorrência, em situações de incidente, mas sobretudo no conteúdo cotidiano com esse trabalho diante da alta potencialidade de risco dos sistemas automatizados e nas condições que trabalham. Vive a possibilidade e a potencialidade entre medo e angústia, podendo produzir quadros de depressão. Casos de depressão tem sido notados na aviação internacional. O objetivo do estudo com esse público é minimizar os efeitos ambientais adversos que os aeronautas sofrem e propor maneiras que diminuam o estresse do seu trabalho.

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