O Pop

 por Laís Semis

I said I wasn’t gonna lose my head, but then PoP goes my heart. I wasn’t gonna fall in love again, but then PoP goes my heart.”

Em “Letra e Música”, filme estrelado por Hugh Grant e Drew Barrymore, a história gira em torno de um ex-integrante de uma boy band que 20 anos depois do sucesso vive uma carreira solo decadente sustentada pelos hits da sua ex-banda, a PoP.

Assim como o personagem, outras bandas produzidas comercialmente no universo pop, conquistaram corações de meninas por todo o mundo souberam aproveitar do momento presente, mas não conseguiram se manter ativas entre tantos egos e canções passageiras.

Mesmo aqueles que tentaram um retorno alguns anos depois, não cativaram uma nova multidão para se descabelar aos pés do palco e colecionar pastas e mais pastas de materiais publicados sobre seus queridinhos. E lá se vão outros 20 anos desde que as boys bands botavam banca no mundo da música. Ser “pop” para muitas bandas pode até ser considerado ofensivo, mas o pop faz o coração de muita gente (mesmo que não escancaradamente).

As letras são todas entrelaçadas num romance, que devia ter dado certo, em um sofrimento causado por uma garota, um triângulo amoroso desfavorável, um coração partido ou um amor sublime. A falta de coreografia e o coro masculino formado pela banda podem até gerar alguma dúvida; mas pelos gritos estridentes na primeira fila fica perceptível que o formato ainda vive dias gloriosos.

Marron 5

Maroon 5

O Maroon 5 tem sido um exemplo de como uma boy band pode ter uma carreira respeitável e constante.  Baladinhas e discos inteiros românticos, participações de cantoras como Christina Aguilera e Rihanna, produzidas por cinco adoráveis integrantes que chamam a atenção das meninas dialogam com o universo pop e emplacam hits. Com quatro álbuns de estúdio, o Maroon 5 iniciou suas atividade em 1995 com o nome de Kara’s Flowers (que chegou a lançar um disco, mas não vingou) e foi conhecida por este nome até 2001, quando com a entrada do guitarrista James Valentine, a banda passa a se chamar Marron 5 e logo no ano seguinte, vem o disco de estreia “Songs About Jane” (2002).

A nova fase da banda consegue não só aclamações, como também se consolida em sua formação e produção. Agora com “Overexposed” (2012), eles atingem pela primeira vez o topo das paradas britânicas e chegam ao Brasil nesse mês com três datas marcadas de sua nova turnê.

O fracasso escolar e a atuação da Psicopedagogia

por                            Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

O fracasso escolar é estudado, ao longo dos anos, por diferentes perspectivas teóricas, físico/biológico, psicológico, social, educacional, entre outros. Atualmente no Brasil, estudos têm apontado que as dificuldades escolares vivenciadas por parcela significativa da população em idade escolar são decorrentes de problemas significativos em leitura e escrita, matemática, distorções entre série escolar e idade, períodos prolongados para se completar o Ensino Fundamental, altos índices de evasão escolar e desempenho acadêmico aquém do esperado para a idade do aluno, entre outros. No intuito de esclarecer e embasar tais problemáticas uma multiplicidade de questões são içadas ao se falar das dificuldades de aprendizagem em crianças oriundas de diferentes olhares. Neste sentido, a Psicopedagogia apresenta-se tendo como foco facilitar o processo de aprendizagem.

A atuação do psicopedagogo envolve uma análise minuciosa dos múltiplos aspectos implícitos na queixa de que uma criança está apresentando dificuldades para aprender e problemas relacionados. Esta análise tende a permitir o entendimento e compreensão das possíveis causas de tais dificuldades, dando subsídios para uma proposta de intervenção adequada, seja educacional e até mesmo clinica. Os procedimentos utilizados pela psicopedagogia tendem a propiciar conhecimentos aprofundado dos múltiplos aspectos inerentes a uma queixa de dificuldade de aprendizagem possibilitando compreender o indivíduo de uma maneira globalizada, ou seja, acadêmicos, físicos e especialmente psicológicos.

Em síntese, as dificuldades de aprendizagem são multideterminadas, complexas e podem trazer graves conseqüências a todos os envolvidos. O psicopedagogo deve lançar um olhar crítico e minucioso sobre cada caso, buscado uma compreensão global do problema. Cabe a ele o desafio de transformar a realidade, por meio de propostas de intervenções efetivas e com uma sólida base teórica.

Gus van Sant, autor de Psicose

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Publicada originalmente em 1944, FICCIONES reune dois livros lançados anteriormente pelo escritor argentino Jorge Luis Borges: EL JARDÍN DE SENDEROS QUE SE BIFURCAN (1941) e ARTIFICIOS (1944), somando, ao total, dezesseis contos.

Capa do livro FICCIONES, do escritor argentino Jorge Luis Borges, na edição da Alianza Editoria (reimpresso em 2001).

Lendo a edição da Alianza Editorial para a série “Bibilioteca Borges“, deparamos com o conto intitulado “Pierre Menard, autor del Quijote“. Nele, o narrador tece comentários sobre as obras literárias deixadas pelo personagem que dá nome ao texto, preocupado em reestabelecer o prestígio de seu finado colega, que fora arranhado por uma outra personagem, a crítica literária Madame Henri Bachelier, em um texto publicado em um jornal

“…cuya tendencia protestante no es un secreto ha tenido la desconsideración de inferir a sus deplorables lectores – si bien éstos son pocos y calvinistas, cuando no masones y circuncisos. Los amigos auténticos de Menard han visto con alarma ese catálogo y aun con cierta tristeza. Diríase que ayer nos reunimos ante el mármol final y entre los cipreses infaustos y ya el Error trata de empañar su Memoria… Decididamente, una breve rectificación es invevitable.”

Para cumprir o seu intento, o narrador do conto vai enumerando os textos publicados por Pierre Menard e também tecendo comentários sobre as qualidades do personagem. Numa linguagem “técnica” e citando nomes consagrados como os de Descartes, Leibniz, John Wilkins, Ramón Llull, Ruy López de Segura (que é um enxadrista), George Boole; Saint-Simon, Quevedo, Russell, Toulet, Paul Valéry, Jacques Reboul, Novalis, Daudet, Cervantes, Shakespeare, Poe, Baudelaire, Mallarmé, Edmond Teste, Lepanto, Lope (de Vega), Nietzsche, Homero, Virgilio, Louis Ferdinand Celine e James Joyce, o narrador vai se fiando numa suposta credibilidade como crítico literário/historiador para convencer o leitor da realidade daquilo que se prepara para contar: o verdadeiro leitmotiv de Pierre Menard que

“No quería componer otro Quijote – lo cual es fácil – sino el Quijote. Inútil agregar que no encaró nunca una transcripción mecánica del original: no se proponía copiarlo. Su admirable ambición era producir unas páginas que coincidieran – palabra por palabra y línea por línea – con las de Miguel de Cervantes.”

Nos parágrafos seguintes, são discutidos o método adotado por Menard para executar o seu plano, as dificuldades por ele enfrentadas e as soluções propostas. E, segundo o narrador, a obra, embora inacabada e fragmentada, seria ainda mais sutil que a do próprio Cervantes. E apresenta ao leitor, como uma revelação, a comparação entre o Quixote de Menard e o de Cervantes. Este último, por exemplo, escreveu, no nono capítulo do Dom Quixote, primeira parte:

“(…) la verdad, cuya madre es la historia, émula del tiempo, depósito de las acciones, testigo de lo pasado, ejemplo y aviso de lo presente, advertencia de lo por venir.”

E continua o nosso narrador, com os seus comentários e com a “reveladora” versão de Menard:

“Redactada en el siglo diecisiete, redactada por el «ingenio lego» Cervantes, esa enumeración es un mero elogio retórico de la historia. Menard, en cambio, escribe:

(…) la la verdad, cuya madre es la historia, émula del tiempo, depósito de las acciones, testigo de lo pasado, ejemplo y aviso de lo presente, advertencia de lo por venir.

La historia, madre de la verdad; la idea es asombrosa. Menard, contemporáneo de William James, no define la historia como una indagación de la realidad sino como su origen. La verdad histórica, para él, no es lo que sucedió; es lo que juzgamos que sucedió.”

Blasfêmia?

Em 1998, o diretor Gus van Sant lançou a sua versão “palavra por palavra, linha por linha” de uma das obras primas de Alfred Hitchcock, o filme “Psicose”, lançado, originalmente, em 1968.

Cartaz para a divulgação da versão de Gus van Sant para o filme Psicose.

O debate que se seguiu ao remake foi bastante acalorado e o humor geral da crítica considerou desnecessária uma tal versão lançada trinta anos após uma produção original tão bem acabada. Muitos consideraram, ainda, uma blasfêmia, um simples plágio, uma perda de tempo para os realizadores e para os espectadores. Valeria sempre mais rever o filme de Hitchcock.

Particularmente, gosto muito das duas versões e me escuso de justificar, como leigo na arte cinematográfica,  os porquês de me sentir bastante satisfeito assistindo a uma e a outra.

Cartaz para a divulgação do filme Psicose, na sua versão original (1968), dirigida por Alfred Hitchcock.

Uma boa diversão é ver, lado a lado, ou sobrepostas, as imagens com trechos de ambas. Também é interessante acompanhar os comentários publicados no YouTube por fãs de Psycho.

Imagens – lado a lado – de PSICOSE (1998) e de PSICOSE (1968)

Imagens sobrepostas – de PSICOSE (1998) e de PSICOSE (1968)

Bons dias !!!

Sabum Nim Eduardo Godoi (4o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Rua Armando Steck, 408 – sala 3 – Centro – Louveira – SP – CEP 13.290-000

Abandonando o Olimpo

por Laís Semis

Poucos detalhes denunciam, numa olhada por cima, as décadas que ficaram para trás. Talvez tenha mantido o mesmo corte de cabelo nos últimos 40 anos, mas o fato é que as roupas e a temática características que se perpetuaram por sua carreira passaram, como os anos. Parece improvável que um semi-deus do heavy metal possa abandonar o legado e buscar uma nova construção por um caminho que soa tão diferente do que aquele que transformou o rock.

No fim da década de 60, o acréscimo de guitarras pesadas às canções foi levando Robert Plant, Jimmy Page, John Bonham e John Paul Jones a muito além das vendas de seus álbuns mundo a fora, assim como o envolvimento deles com esta experimentação acabou consolidando o nascimento de um novo gênero para o rock, o heavy metal. Além das guitarras pesadas, o Led Zeppelin carrega consigo uma forte ligação com magia negra (Page, principalmente, seria adepto e praticante de rituais) e histórias de que a banda teria feito um pacto se fortaleceriam uma imagem sombria com elementos surgidos a cada álbum, criando sobre a banda e sobre todo o heavy metal uma aura ainda mais obscura do que o rock havia criado.

Led Zeppelin

Led Zeppelin

 

O fim da banda veio em 80, com a morte do baterista John Bonham. As reuniões posteriores aconteceram apenas em ocasiões especiais (raras). E, assim, diferente de tantas bandas que nostalgicamente procuram manter a mesma linha e perpetuar o símbolo, os agudos e as calças justíssimas bocas de sino ficaram para trás.

Plant ganhou, em 2007, a companhia de um violino e Alison Krauss, cantora de bluegrass, num disco intitulado “Raising Sand”. Num disco mais folk, mais country, de duetos, Plant e Krauss se pegam em composições de Tom Waits, Everly Brothers, Rowland Salley, Gene Clark… e “Please, Read the Letter” traz Plant e Page juntos novamente.

Recentemente, Plant tirou para voltar a se dedicar ao Band Of Joys (“Band Of Joys” era o nome da banda que Plant tinha com o baterista John Bonham antes de formarem o Led Zeppelin), apresentando releituras de blues, alguns clássicos do Led Zeppelin, da carreira solo do músico e músicas da própria banda, ao lado do cantor Patty Griffin e do guitarrista Buddy Miller.