Hula-hula, só que não

por Laís Semis

Jack Johnson

No meio do Oceano Pacífico, o arquipélago do Havaí, além das ondas, parece agregar uma brisa especial também para a música. Pelo menos parece que o cenário a que pertence e Jack Johnson são indissociáveis.

O som acústico, a voz mansa, as letras lotadas de romantismo desses de tirar os pés do chão. Até porque Jack Johnson sempre foi muito mais de estar sobre as águas. A paisagem compõe muito mais que a leveza com que as músicas se desenrolam. Antes de fazer do violão seu companheiro, Jack Johnson era surfista. Ainda aos quatro, ele começou a pegar ondas até que um acidente aos 17 mudou o rumo da vida. Embora a paixão pelo esporte não tenha deixado de existir e nem de ser praticada, ele passou a se dedicar a música; compondo. Jack não queria ser surfista profissional, mas também não acreditava muito numa carreira ao lado de seu violão. Então, decidiu ir pra Faculdade de Cinema, onde produziu documentários sobre surf com trilha sonora composta por ele mesmo.

Foi com a ajuda de Ben Harper e com o sucesso das músicas entre o circuito surfista que ele foi se convencendo de que poderia juntar o seu material produzido para o documentário “Sessions” e transformá-lo em seu álbum de estreia “Brushfire Fairytales” (2002). O apoio de Bem Harper ao amigo levou Jack Johnson ao sucesso ao abrir os shows da turnê de Harper. O auge veio em 2005, quando o disco “In Between Dreams” fez diferentes hits chegarem aos primeiros lugares das paradas da Austrália, Canadá e Estados Unidos.

As capas reforçam o gosto; dos 5 álbuns de estúdio lançados pelo músico, 3 contam com sombras de tranquilidade compondo a paisagem. Os clipes contemplam o ambiente das areias claras, pranchas, azul do oceano de fundindo com o céu, o verde, a vida. E Jack Johnson segue tranquilo com seu folk caminhando pela praia; debaixo de um braço o violão e, do outro, a prancha.

O pensamento é um ímã

por Laís Semis

Vivendo do Ócio e de saudade da Bahia

O nome do último disco lançado pela banda baiana Vivendo do Ócio fala sobre a atração. Atração entre o pensamento e o que o universo e a vida conspiram pra trazer pra perto de você. Embora com um título desses se espere um álbum que contemplem ideias no sentido de positividade, “O Pensamento É Um Ímã” (2012) transparece diferentes sensações, percorrendo muitos caminhos nesse disco.

Surgida em 2006, a Vivendo do Ócio tem duas produções anteriores: “Teorias de Amor Moderno” (2008) e “Nem Sempre Tão Normal” (2009). Discos que já vinham traçando a boa direção dos ventos e o reconhecimento da banda; “O Pensamento É Um Ímã” apenas agressiva a consolidação destes baianos, deixando à mostra a serenidade do tempo que passou.

Entre os pensamentos sobrevoam 11 faixas, entre elas “Silas” (“se essa maré me der um caldo, é porque quis mergulhar de cabeça”), que cumpriu o papel de apresentar com um clipe o novo disco ao público, como um primeiro hit. Atenção para “Nostalgia” e toda sua saudade da Bahia e “O Mais Clichê”; esta última se ganha destaque pela musicalidade que explora o regional e que faz o “O Pensamento É Um Ímã” caminhar mais longe, por além das letras. A música é uma parceria com Dadi (ex-Novos Baianos e influência declarada da banda) que faz a linha de baixo de “O Mais Clichê”.

A banda tem uma característica pegada indie rock mas sem deixar de se render às brasilidades, o que dá a eles e ao disco um gostinho especial das boas bandas que surgiram nos últimos anos no país.

E a senha de hoje é…

por Laís Semis

Abujamra

“O mundo de dentro da gente é maior que o mundo de fora da gente, o Universo de dentro da gente é o espaço sideral”, já diria André Abujamra em “Imaginação”. E haja imaginação pra lidar com um público tão diferente e com tanta fome de imagem, cores e formas. Há quem se dedique à isso, mas é preciso aflorar um espírito peculiar pra se permitir partir pra um universo anterior ou para entrar no Castelo.

Sílabas puxadas entre onomatopeias vão construindo uma ideia. Repetições que ritmam as mãos a serem lavadas (se não se perderem no batuque do “lava uma [mão], lava outra, lava uma). E por trás dessas músicas que muito além das histórias que ilustravam mexeram com o imaginário de crianças e das nem tão crianças também estão artistas como Roger (Ultraje a Rigor), Abujamra, Arnaldo Antunes e Hélio Ziskind.

Das que compunham a trilha sonora do programa infantil Castelo Rá-Tim-Bum, não se pode esquecer da música de abertura (Uuumm, Cassss, Bum, bum, bum, Cass… telo!), com a planta do Castelo Rá-Tim- Bum tomando vida em sua construção mágica ao redor de uma árvore e sincronizada com os comandos sonoros dos vocais, além de “Ratinho Tomando Banho”, “Lavar as Mãos”, os “Como se Faz…?” e “Que Som É Este?”.

Pra quem compartilhou das tardes e aventuras de 94 a 97 sintonizado na TV Cultura (e se deixou levar pelas reprises nos anos seguintes de novo ou por uma primeira vez), percorrendo os espaços encantados do Castelo na companhia de Nino (que tinha o quarto mais invejado do Brasil), Pedro, Biba e Zequinha, sempre fugindo dos disfarçados contratos imobiliários do ambicioso Dr. Abobrinha, vale relembrar das criações educativas, inteligentes, atrativas e simples: muita gente talentosa reunida na proposta do inesquecível Castelo Rá-Tim-Bum.  Personagens marcantes e de todos os gêneros: fadas que moram no lustre, jornalista de rosa, ETs, passarinhos, botas que falam, entregadores de pizza, um “Telekid” (Marcelo Tas), caipora, cobras, gatos bibliotecários, ratos, monstros “maus”, bruxos e um menino grande (três séculos de vida) e seus amigos normais que o vinha visitar diariamente recebidos pelo porteiro de lata.

Castelo Rá-Tim-Bum

Castelo Rá-Tim-Bum

E Plift Ploft Still, a porta se abriu!