Batidas distantes

por Laís Semis

foto de Cybele Malinowski

foto de Cybele Malinowski

Um novo sucesso conquistou as rádios recentemente. Quem ouve fora de contexto pode até encontrar motivos pra achar que Gotye não é dos tempos de hoje. Com uma pegada oitentista, um visual comum e uma voz que lembra um pouco a tranquilidade de Sting, o cantor belga-australiano (nascido na Bélgica, mas crescido na Austrália, onde mora até hoje) começou sua discografia em 2003, com “Boardface” mas foi mesmo impulsionado pelo super hit “Somebody That I Used To Know”, do seu terceiro álbum, lançado em 2011 e intitulado “Making Mirrors”.

Nessa banda de um homem só, em que Wouter De Backer atende pelo nome de Gotye, o multi-intrumentista e compositor se responsabiliza pela gravação de tudo num quarto sozinho. E se apenas “Somebody That I Used To Know” vem surfando nessa onda internacional, eis uma bela oportunidade para olhar o trabalho de Gotye em sua totalidade e descobrir o que o trouxe até aqui.

“Somebody I Used To Know” conta com a presença da cantora neozelandesa Kimbra

“Somebody I Used To Know” conta com a presença da cantora neozelandesa Kimbra

“Making Mirrors” é um álbum que marca 10 anos de carreira do músico e que começou a ser construído em 2009. Contemplando o pop ao mesmo tempo que se deixa consumir por outros ritmos, como o soul e até uma pitadinha de eletrônico, e que numa colagem vai compondo um misto de sensações combinadas a letras charmosas. No entanto, nesse mix, algumas faixas acabam destoando do conjunto e não conseguem segurar o ritmo do álbum.

“Somebody” é sobre uma grande decepção amorosa, em que se apega nos detalhes ruins para que seja possível acreditar que aquela pessoa é apenas alguém que costumava conhecer. Para aprofundar o toque dramático, quem intervém são os vocais sedutores de Kimbra Johnson. O resultado é que a música recebeu 7 indicações ao ARIA Music Awards. E esse é só o primeiro single de “Making Mirrors”.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=8UVNT4wvIGY

8 de dezembro de 1980

por Laís Semis

Edifício Dakota, frente ao Central Park. Nova York era a cidade que o ex-beatle havia escolhido para viver com sua família depois de ter deixado pra trás a histeria adolescente das fãs da banda que, com 1 bilhão de cópias vendidas por todo o mundo, ainda é imbatível. Em busca de sua própria paz e acreditando que a única maneira de lutar contra a violência era pacificamente, John Lennon não poderia deixar de cumprir o seu destino enquanto símbolo e, ironicamente, ele seria vítima da violência contra a qual lutara, em frente a seu próprio apartamento.

Mark Chapman era grande fã dos Beatles, a relação de adoração e ódio, com John Lennon especialmente, era tão intensa que Chapman decidiu acabar com ela. Criticava o estilo de vida que ele levava e as declarações contra a religião. Ele vinha planejando friamente o assassinato de seu ídolo como um ritual, que não se importou em abrir detalhadamente em entrevistas posteriores.

Lennon autografando o disco de Chapman

Lennon autografando o disco de Chapman

Quando no final da tarde do dia 8, Lennon desceu com Yoko para ir até o estúdio gravar, Chapman o abordou para pedir um autógrafo em sua cópia do LP “Double Fantasy”. Dois meses antes da ocasião, Mark Chapman tinha chego ao mesmo ponto, mas desistiu do propósito de assassinar John Lennon. Mas, quando o ex-beatle retornou ao Edifício Dakota, Mark Chapman disparou 5 tiros contra ele.

Apenas o primeiro tiro não atingiu o alvo. Quando chegou ao hospital, John Lennon já tinha perdido 80% de seu sangue e estava inconsciente.

Condenado a prisão perpétua, tentou conquistar liberdade condicional depois dos 20 anos cumpridos de prisão, mas os sete pedidos foram negados. Mark Chapman se mantém em cela separada dos outros presos, devido às ameças que recebe.

Atingindo o real

por Laís Semis

A formação é peculiar: com um único integrante permanente, músicos se revezam no papel de outros três outros membros da banda desde 1998. E essa formação mutável que se mantém, só é possível pelo caráter virtual que Damon Albarn (Blur) e Jamie Hewlett (Tank Girl) transmitiram à essência Gorillaz e à seus membros animados.

Gorilaz foto1

Ao som de um misto de rock, rap, trip hop, os desenhos tomaram vida. Na pele de 2D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel, paralelo à trajetória de Albarn e Hewlett, enquanto realizadores do projeto, o Gorillaz deu vida às personagens, dentro de seu próprio espaço e tempo.

A história vai se desenvolvendo a cada disco; os personagens se encontram quando Murdoc atinge 2-D na cabeça e é sentenciado a cuidar dele por mil horas. Nesse tempo, Murdoc percebe o talento de 2-D para a música e já com a pretensão de se utilizar dela, encontra pelo caminho Russel e a pequena Noodle e juntos formaram o Gorillaz. A trajetória segue pelos próximos discos, mais conturbada, em meio a viagens pelo mundo, encontro com novas pessoas, traições, ataques e o retorno a Londres – mas o destino incerto da banda (nessa trajetória fictícia) é colocado em questão ao fim de cada álbum.

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As histórias são ilustradas através dos clipes numa realidade meio zumbi de personagens de cores escuras e vidas tortas. Invadindo o real com animações em 3D no palco, com o auxílio de telões de fundo para a ambientação do cenário, pessoas interagem compartilhando o mesmo palco com as animações transformando o show do Gorillaz num espetáculo em que a realidade virtual parece invadir a vida, naturalmente, fazendo daquelas projeções ídolos reais.

Cuidadosamente, o Gorillaz mantém as personalidades, encarnando a versão virtual como real e até mesmo interagindo fora do espaço virtual não apenas fazendo suas apresentações como também se portando enquanto porta-vozes do Gorillaz. Eles ainda não perambulam pelas ruas, mas a tecnologia levou o Gorillaz a sair de trás dos telões (no começo, as apresentações da banda aconteciam com os integrantes “escondidos” atrás de telões brancos que transpareciam apenas as sombras dos músicos) e se “materializar” pelo menos visualmente no mesmo plano que seu público, como uma banda virtual que tem o mesmo respaldo que qualquer outra banda.