Atingindo o real

por Laís Semis

A formação é peculiar: com um único integrante permanente, músicos se revezam no papel de outros três outros membros da banda desde 1998. E essa formação mutável que se mantém, só é possível pelo caráter virtual que Damon Albarn (Blur) e Jamie Hewlett (Tank Girl) transmitiram à essência Gorillaz e à seus membros animados.

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Ao som de um misto de rock, rap, trip hop, os desenhos tomaram vida. Na pele de 2D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel, paralelo à trajetória de Albarn e Hewlett, enquanto realizadores do projeto, o Gorillaz deu vida às personagens, dentro de seu próprio espaço e tempo.

A história vai se desenvolvendo a cada disco; os personagens se encontram quando Murdoc atinge 2-D na cabeça e é sentenciado a cuidar dele por mil horas. Nesse tempo, Murdoc percebe o talento de 2-D para a música e já com a pretensão de se utilizar dela, encontra pelo caminho Russel e a pequena Noodle e juntos formaram o Gorillaz. A trajetória segue pelos próximos discos, mais conturbada, em meio a viagens pelo mundo, encontro com novas pessoas, traições, ataques e o retorno a Londres – mas o destino incerto da banda (nessa trajetória fictícia) é colocado em questão ao fim de cada álbum.

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As histórias são ilustradas através dos clipes numa realidade meio zumbi de personagens de cores escuras e vidas tortas. Invadindo o real com animações em 3D no palco, com o auxílio de telões de fundo para a ambientação do cenário, pessoas interagem compartilhando o mesmo palco com as animações transformando o show do Gorillaz num espetáculo em que a realidade virtual parece invadir a vida, naturalmente, fazendo daquelas projeções ídolos reais.

Cuidadosamente, o Gorillaz mantém as personalidades, encarnando a versão virtual como real e até mesmo interagindo fora do espaço virtual não apenas fazendo suas apresentações como também se portando enquanto porta-vozes do Gorillaz. Eles ainda não perambulam pelas ruas, mas a tecnologia levou o Gorillaz a sair de trás dos telões (no começo, as apresentações da banda aconteciam com os integrantes “escondidos” atrás de telões brancos que transpareciam apenas as sombras dos músicos) e se “materializar” pelo menos visualmente no mesmo plano que seu público, como uma banda virtual que tem o mesmo respaldo que qualquer outra banda.

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