Sou do mundo, sou Minas Gerais

Por Laís Semis

milton 700

Milton Nascimento é uma das figuras mais reconhecidas da MPB no mundo inteiro. Apesar de ser natural do Rio de Janeiro, mudou-se muito cedo para Minas, onde se criou e se fez mineiro de coração – intitulou um disco com o nome do estado, cantou sobre os trilhos que o ligavam ao porto ao mar, sobre os tambores de lá, cantou que era Minas Gerais.

Ao lado de Fernando Brant compôs sucessos que ganharam o mundo, que foram parar na voz de Peter Gabriel e de parceiros e grandes nomes da Música Popular Brasileira. Milton Nascimento tem uma discografia de simplesmente 40 álbuns (entre os de estúdio e os ao vivo) e já cantou em mais de 300 cidades do mundo.

Desde muito cedo estabeleceu contato com a música. Sua mãe adotiva era professora de música, enquanto seu pai era dono de uma estação de rádio.  Aos 2 anos ele ganhou seu primeiro instrumento: uma sanfoninha. Antes dos 13 viria outra sanfona, uma gaita e um violão, mais ou menos a mesma época em que forma seu primeiro grupo musical, o “Luar de Prata” que se tornaria “Milton Nascimento e Seu Conjunto” e se apresentaria por algumas cidades próximas da que morava.

Mas o engate na trajetória musical viria mesmo junto com a mudança de Três Pontas para a capital do Estado, quando, pelo Clube da Esquina, ao lado de encontros com Brant, Beto Guedes e Lô Borges surgiram canções como “Para Lennon e McCartney” e um novo movimento da música brasileira. A partir daí foi ganhar o mundo.

Paralelo à carreira de cantor e compositor, em 2002, criou o selo “Nascimento”, que além de produzir seus próprios projetos, lançou artistas novos no mercado, como Marina Machado e Pedrinho do Cavaco.

E hoje, tantos discos e anos depois, ainda permanece o que Elis Regina disse uma vez: “se Deus cantasse, seria com a voz de Milton Nascimento”.

Ebulição rítmica

por Laís Semis

Karina Buhr no Natura Nós

Desde 1997, Karina Buhr esteve à frente da banda Comadre Fulozinha, de Recife, que se utilizava dos ritmos baião e ciranda para base de suas músicas. O último trabalho da banda, “Vou Voltar Andando”, foi lançado em 2009. Em 2010, veio a carreira solo e com ela o prêmio de artista revelação pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

Karina Buhr é diferente das outras divas da música. Além de estar fora do eixo tradicional da música pop – apesar da onda Gaby Amarantos – Karina Buhr gosta de brincar com as palavras e fala. Essa nova fase de sua música, deixa de lado os estilos musicais de sua terra pra se abrir pra um Brasil Novo que mistura o pop ao MPB e até se deixar levar pelo indie.

karina_buhr

E pra quem achava que o primeiro disco, “Eu Menti Pra Você”, mostrava a compositora, percussionista, cantora e atriz, por completa em sua carreira solo, se enganou. Já no ano seguinte, ela veio com “Longe de Onde” (2012) e mostrou que brincar de experimentar combinações não apenas de palavras sobrepostas, como estilos.

Karina está em constante transformação musical.

A primeira audição pode causar estranheza – afinal de contas, comercial não é dos substantivos que mais a definem. E o que se espera de alguém que vem s

endo tão citada é que se seja facilmente compreendido e digestível.  Mas o que se esquecem é que esse é um Brasil de muitos tons e sons.

karina

O sotaque marcante é quem badala as canções de amor moderno e do mundo de Karina Buhr, mas não só. As batidas também fazem toda a diferença. Acompanhada por Bruno Buarque, André Lima, Guizado, Mau, Fernando Catatau e Edgar Scandurra os ritmos se multiplicam a cada faixa de seus discos, se transformando num descobrir de elementos e sensações. Ainda há muito verbo para Karina Buhr viver.