Nunca Fomos Tão Brasileiros

Por Laís Semis

Em meio ao cerrado de Brasília entre o fim da década de 70 e começo de 80, uma série de bandas amigas se formaram inspiradas no movimento punk que tomava os jovens rebeldes da época. Conhecida como a Turma da Colina, numa referência aos prédios residenciais da Universidade de Brasília, eles discutiam de Rousseau à The Clash. Politizados, enérgicos e esperando apenas por uma tomada para ligar seus equipamentos para fazer barulho, a Turma da Colina deu origem a algumas das bandas que escreveram com tinta permanente a história do rock brasileiro – Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e Plebe Rude.

SOMOS TÃO JOVENSSSS

Mas longe de terem vendido as 20 milhões de cópias da Legião Urbana, a Plebe Rude foi a banda mais politizada da Turma, deixando um retrato de um Brasil que mesmo 30 anos depois se aproxima bastante de sua realidade atual. Na contramão dos romantismos de sucesso certeiro, eles pautaram os movimentos da ditadura, censura, repressão e deram coro à voz do povo, trazendo em seu repertório canções que como levam os nomes –  “Vote em Branco”, “Bravo Mundo Novo”, “O Concreto Já Rachou”, “Até Quando Esperar”, “Plebiscito”, “Pressão Social” –  traduzem um sentimento forte de uma nova construção sócio-política.

As críticas presentes na essência da banda, mesmo não tendo sido escritas para este fim de um Brasil 2013, caberiam como trilha sonora das manifestações do Passe Livre tão bem quanto o grito de “Vem pra Rua”, lançado (não propositalmente) pelo Rappa.

Formada inicialmente por Philippe Seabra, Gutje, André X e Jander Bilaphra, a Plebe Rude teve apenas 6 álbuns de estúdio, com grandes intervalos de tempo em que trabalhou no lançamento de coletâneas e discos ao vivo. Hoje, quem integra o grupo é Clemente, integrante também da Inocentes.

O rock de Brasília, apesar de ter como cenário a capital do país e ter envolvido em seus primórdios formações que misturavam integrantes (Aborto Elétrico, Blitx, Fusão, 5ª Coluna e XXX) e as bandas terem prosseguido num desenvolvimento próximo, mantendo a amizade, nunca deixou de trilhar seu caminho trazendo consigo as peculiaridades de cada uma das bandas. Pode comparar.

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Portanto, em tempos em o espírito de esperança e revolução retornam às ruas e o grito de conquista caiu de novo na boca do povo, nada mais propício para os que não conhecem, buscar essa referência ou ainda pros saudosistas dos anos 80, tirar o pó da sua discografia da Plebe. Afinal, nós nunca fomos todos juntos tão brasileiros.

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