Gus van Sant, autor de Psicose

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Publicada originalmente em 1944, FICCIONES reune dois livros lançados anteriormente pelo escritor argentino Jorge Luis Borges: EL JARDÍN DE SENDEROS QUE SE BIFURCAN (1941) e ARTIFICIOS (1944), somando, ao total, dezesseis contos.

Capa do livro FICCIONES, do escritor argentino Jorge Luis Borges, na edição da Alianza Editoria (reimpresso em 2001).

Lendo a edição da Alianza Editorial para a série “Bibilioteca Borges“, deparamos com o conto intitulado “Pierre Menard, autor del Quijote“. Nele, o narrador tece comentários sobre as obras literárias deixadas pelo personagem que dá nome ao texto, preocupado em reestabelecer o prestígio de seu finado colega, que fora arranhado por uma outra personagem, a crítica literária Madame Henri Bachelier, em um texto publicado em um jornal

“…cuya tendencia protestante no es un secreto ha tenido la desconsideración de inferir a sus deplorables lectores – si bien éstos son pocos y calvinistas, cuando no masones y circuncisos. Los amigos auténticos de Menard han visto con alarma ese catálogo y aun con cierta tristeza. Diríase que ayer nos reunimos ante el mármol final y entre los cipreses infaustos y ya el Error trata de empañar su Memoria… Decididamente, una breve rectificación es invevitable.”

Para cumprir o seu intento, o narrador do conto vai enumerando os textos publicados por Pierre Menard e também tecendo comentários sobre as qualidades do personagem. Numa linguagem “técnica” e citando nomes consagrados como os de Descartes, Leibniz, John Wilkins, Ramón Llull, Ruy López de Segura (que é um enxadrista), George Boole; Saint-Simon, Quevedo, Russell, Toulet, Paul Valéry, Jacques Reboul, Novalis, Daudet, Cervantes, Shakespeare, Poe, Baudelaire, Mallarmé, Edmond Teste, Lepanto, Lope (de Vega), Nietzsche, Homero, Virgilio, Louis Ferdinand Celine e James Joyce, o narrador vai se fiando numa suposta credibilidade como crítico literário/historiador para convencer o leitor da realidade daquilo que se prepara para contar: o verdadeiro leitmotiv de Pierre Menard que

“No quería componer otro Quijote – lo cual es fácil – sino el Quijote. Inútil agregar que no encaró nunca una transcripción mecánica del original: no se proponía copiarlo. Su admirable ambición era producir unas páginas que coincidieran – palabra por palabra y línea por línea – con las de Miguel de Cervantes.”

Nos parágrafos seguintes, são discutidos o método adotado por Menard para executar o seu plano, as dificuldades por ele enfrentadas e as soluções propostas. E, segundo o narrador, a obra, embora inacabada e fragmentada, seria ainda mais sutil que a do próprio Cervantes. E apresenta ao leitor, como uma revelação, a comparação entre o Quixote de Menard e o de Cervantes. Este último, por exemplo, escreveu, no nono capítulo do Dom Quixote, primeira parte:

“(…) la verdad, cuya madre es la historia, émula del tiempo, depósito de las acciones, testigo de lo pasado, ejemplo y aviso de lo presente, advertencia de lo por venir.”

E continua o nosso narrador, com os seus comentários e com a “reveladora” versão de Menard:

“Redactada en el siglo diecisiete, redactada por el «ingenio lego» Cervantes, esa enumeración es un mero elogio retórico de la historia. Menard, en cambio, escribe:

(…) la la verdad, cuya madre es la historia, émula del tiempo, depósito de las acciones, testigo de lo pasado, ejemplo y aviso de lo presente, advertencia de lo por venir.

La historia, madre de la verdad; la idea es asombrosa. Menard, contemporáneo de William James, no define la historia como una indagación de la realidad sino como su origen. La verdad histórica, para él, no es lo que sucedió; es lo que juzgamos que sucedió.”

Blasfêmia?

Em 1998, o diretor Gus van Sant lançou a sua versão “palavra por palavra, linha por linha” de uma das obras primas de Alfred Hitchcock, o filme “Psicose”, lançado, originalmente, em 1968.

Cartaz para a divulgação da versão de Gus van Sant para o filme Psicose.

O debate que se seguiu ao remake foi bastante acalorado e o humor geral da crítica considerou desnecessária uma tal versão lançada trinta anos após uma produção original tão bem acabada. Muitos consideraram, ainda, uma blasfêmia, um simples plágio, uma perda de tempo para os realizadores e para os espectadores. Valeria sempre mais rever o filme de Hitchcock.

Particularmente, gosto muito das duas versões e me escuso de justificar, como leigo na arte cinematográfica,  os porquês de me sentir bastante satisfeito assistindo a uma e a outra.

Cartaz para a divulgação do filme Psicose, na sua versão original (1968), dirigida por Alfred Hitchcock.

Uma boa diversão é ver, lado a lado, ou sobrepostas, as imagens com trechos de ambas. Também é interessante acompanhar os comentários publicados no YouTube por fãs de Psycho.

Imagens – lado a lado – de PSICOSE (1998) e de PSICOSE (1968)

Imagens sobrepostas – de PSICOSE (1998) e de PSICOSE (1968)

Bons dias !!!

Sabum Nim Eduardo Godoi (4o. Dan)

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Artes marciais no cinema

por Luiz Carlos Silva

A década de 70 marcou muito na comunidade marcial, justamente pela grande explosão, verdadeira febre de filmes de artes marciais em sua ampla e absoluta maioria produzidos e filmados em Hong Kong e divulgados para todo o mundo. O grande nome , o artista marcial norte americano Bruce Lee.

Nós da primeira geração de praticantes de TKD no Brasil tivemos a oportunidade de assistir na época estes maravilhosos filmes que tanto nos alegraram, encantaram, divertiram, incentivaram e tanto divulgaram as artes marciais pelo mundo afora.

Os produtores, cineastas de Hong Kong, tiveram de contratar  vários mestres coreanos, peritos tanto em Taekwondo quanto em Hapkido, justamente porque a população praticamente exigia filmes onde sobressaíssem as técnicas de pernas, pés, chutes com salto, giratórios por causa destas técnicas serem justamente algo muito mais plástico, técnicas muito mais bonitas, efetivas e eficazes.

Também foram contratados atores de outros países como por exemplo:

Os japoneses peritos em Karate, Judo, Aikido. Yazuaki Kurata, o grande Sony Chiba, o ator natural da Indonésia Lo Lieh.

Posteriormente a grande atriz natural da Malásia Michelle Yeoh, a própria norte americana Cynthia Rothrock (Tang Soo Do, Taekwondo) filmou várias vezes em Hong Kong.

Vários destes atores que se consagraram são de Taiwan entre os quais Angela Mao.

As belíssimas atrizes de Hong Kong: Nora Miao e Maria Yi sobre estas era dito que não tinham formação em artes marciais.

Cito alguns destes verdadeiros ídolos, heróis que mais sucesso fizeram, a maioria perita em Kung Fu e a maioria natural de Hong Kong:

Jimmy Wang Yu, David Chiang, Ti Lung,  Chen Kuan Tai, Sammo Hung,  Alexander Fu Sheng morto tragicamente em um acidente de carro em 1983 aos 28 anos de idade ,Cheng Sing, Bolo Yeung, Carter Wong, Jason Pai Piao,Thompson Kao Kang, Jackie Chan (originalmente dublê), Chan Wai Man, Alan Tang, Yuen Biao (originalmente dublê (stunt man). Posteriormente Jet Li este natural da República Popular da China.

As duas principais companhias cinematográficas eram Shaw Brothers e Golden Harvest.

Entre os considerados clássicos citaremos apenas três.

  • “Five Fingers of death” com Lo Lieh
  • “Enter the Dragon” com Bruce Lee
  • “When Taekwondo strikes” único filme de Jhoon Rhee.

 

sobre ‘peixe grande’… dessa vez.

por Daniel Potenza

não ser bom para histórias deve ser o pior começo para falar de um filme. mas poderia ser pior: ser ruim da memória também… hum…

tentei notas da sequência das muitas e muitas histórias enquanto re-assistia ao filme pela seiláqual vez depois de nãoseiquantos anos. mas, como qualquer re-telespectador, havia tanta coisa não notada, tanto não vivido, referências perdidas e ainda tanto a descobrir… as notas foram esquecidas logo.

talvez devesse ter anotado as frases de efeito, os conselhos, as lições… mas muito certamente, alguém já havia feito isso; e desisti.

achei então que deveria ter chorado mais, saudadeado mais (não, meu pai não morreu… aliás, ronca do meu lado agora…). lembro (lembro?) ter sentido o filme muito intensamente noutra uma vez… minha mãe… há anos dormiu enfim… outra história.

o pai daqui conta histórias incríveis, exagera, muda de ideia a cada esquina e cativa. ri, faz piadas embaraçantes, me/se envergonha e diverte. ensina mais que qualquer um, desde quando era herói. desde quando eu nem sabia quanto iguais eram pai e filho…

até o fim.

e se, chorarei mais, saudadearei tanto que já dói a falta das histórias que ele não deve contar ao filho do filho que vem… se…

(sempre sempre espanto como mudam os sentidos mudados os contextos.)

não sou bom para histórias…e pior ainda no que poderia ser pior. as faltas que fazem…

então, pouco antes de dormir, sonho o dia em que o menino encontrará por acaso um filme velho na estante. e os muitos contextos que uma história promete… aos que (não) acreditam…

Aleatoriedades & Afins

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

A nossa colaboradora Laís Semis está desenvolvendo um excelente blog intitulado “Aleatoriedades & Afins” (www.aleatoriedadeseafins.wordpress.com).

Paralelamente às suas contribuições para o nosso “Taekwon-Do, Arte e Vida”, a autora também participa ativamente dos seguintes movimentos de divulgação cultural na região de Bauru-SP:

Vale muito a pena conferir todos estes sítios eletrônicos.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

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Felizes para sempre (whatever makes she happy)

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Lançado em 2004, o filme francês ILS SE MARIÈRENT ET EURENT BEAUCOUP D’ENFANTS é distribuido no Brasil com o título …E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE. Sob a direção de Yvan Attal e contando com a atuação da sempre competente Charlotte Gainsbourg (esposa, na vida real, desse diretor), o filme aborda o tema da infidelidade no casamento e oferece, durante alguns momentos, a presença de Johnny Depp encarnando um estranho sedutor. É interessante observar que o nome do ator não aparece no cartaz do filme nem nos créditos divulgados no sítio eletrônico oficial criado pela produtora Kino International (http://www.kino.com/happilyeverafter/), o que reserva, para alguns espectadores, uma agradável surpresa.

A obra apóia-se, também, numa trilha sonora encantadora: “I´m waiting for my man” (Velvet Underground), “No surprises” (Radiohead), “Nice dream” (Radiohead), “Can´t help falling in love” (Elvis Presley)…

Numa cena tocante, encontramos o possível par romântico Depp/Gainsbourg na seção de CD´s de uma grande loja, ouvindo, juntos, uma das mais belas canções de amor que o rock já produziu.

Se, por um lado, funciona como um elegante merchandising em prol da gravadora Virgin, a cena também pode ganhar uma vida independente do longa metragem: durante muito tempo, ignorando a existência do filme, eu a apreciei como um excelente video clip para a canção Creep.

Prezados Leitores, nas muitas vezes em que eu acompanhei, cantando emocioando, a execução desta segunda faixa do álbum Pablo Honey, eu sempre recebi os seus versos como o retrato de um jovem sofrendo por amar uma musa inatingível e por sentir-se indigno  de sua altivez: um amor platônico, do tipo que “gosta mas não encosta”, como diria um saudoso Professor de Literatura dos tempos em que fiz o curso pré-vestibular. No entanto, uma pesquisa rápida na versão da Wikipedia para a língua inglesa (http://en.wikipedia.org) nos revela um significado mais amplo desta composição para o bandleader da Radiohead.

«According to Yorke, “Creep” tells the tale of an inebriated man who tries to get the attention of a woman to whom he is attracted by following her around. In the end, he lacks the self-confidence to face her and feels he subconsciously is her. When asked about “Creep” in 1993, Yorke said, “I have a real problem being a man in the ’90s… Any man with any sensitivity or conscience toward the opposite sex would have a problem. To actually assert yourself in a masculine way without looking like you’re in a hard-rock band is a very difficult thing to do… It comes back to the music we write, which is not effeminate, but it’s not brutal in its arrogance. It is one of the things I’m always trying: To assert a sexual persona and on the other hand trying desperately to negate it.”»

A beleza desta gravação e o seu enorme sucesso levaram diversos artistas a se arriscarem em uma versão cover para ela. Das muitas que ouvi, a que me conquistou com maior cumplicidade é a da banda The Pretenders, cuja vocalista, Chrissie Hynde, nos convida a sofrer uma emoção genuinamente intensa.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

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O mundo gira, a Lusitana roda

Por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

O lançamento de DOGVILE, dirigido por Lars von Trier, em 2003, foi um grande marco para mim: além de um modo de conduzir o olhar do espectador que me era novo, de um cenário teatral com o chão de um galpão riscado para delimitar os diferentes ambientes em que se passa a estória, da crítica a uma religiosidade que justifica pequenas e grandes violências, o que mais me impressiona até hoje é a habilidade com que o filme capta a essência egoísta do homo sapiens.

Há muito adotei uma visão pessimista, com relação às possibilidades de atos desinteressados serem cometidos por mim e por meus pares. Lembro-me sempre do segundo capítulo do livro MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (Machado de Assis, 1881), em que o seu personagem principal, Brás Cubas, conta-nos a sua idéia de criar um

“…medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade.”

Embora, em princípio, uma tal invenção pudesse apontar para um lado bondoso e desprendido do caráter de nossa personagem,  seguindo mais algumas linhas do texto encontramos revelada a essência de suas intenções:

“Assim, a minha idéia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro; de outro lado, sede de nomeada. Digamos: – amor da glória.”

Por que Manderlay não me impressionou ?

Eu aguardei com grandes espectativas o lançamento, em 2005, do filme MANDERLAY (continuação de DOGVILLE e dirigido novamente por Lars von Trier). Embora não contasse mais com a atriz Nicole Kidman no papel principal, a personagem Grace foi muito bem interpretada pela  atriz Bryce Dallas Howard e a força desta sequência reside numa abordagem dialética da questão racial nos Estados Unidos da América e que foge das facilidades de um olhar politicamente correto e piegas. No entanto, por que este filme, cuidado por mim como uma obra-prima, não me impressionou o tanto quanto DOGVILLE ?

Coerentemente, a linguagem cinematográfica adotada em MANDERLAY é a mesma da obra anterior e as estratégias narrativas que tanto me surpreenderam no filme de 2003, desta vez, perderam a força da novidade: por mais que eu destacasse (racionalmente) a qualidade da obra, sentia, após o término da projeção, aquele gosto incômodo de “mais do mesmo”.

Sou apixonado pela Lidi.

Dois pesos e duas medidas

Nunca li um texto reclamando de Claude Monet, após ter desenvolvido um novo jeito de pintar, repetir o estilo de suas pinceladas em vários quadros. Nós, leigos em pintura, ficamos até animados e nos sentimos mais “cultos” ao reconhecermos a sua autoria em uma tela (ou reprodução de uma tela) que contemplamos pela primeira vez. O “mais do mesmo” nos permite, então, um gostoso júbilo e nos sentimos um pouquinho mais próximos de uma fraternidade artística usualmente restrita a especialistas.

Uma obra característica de Claude Monet

Mais do mesmo Claude Monet

Eu também poderia ter usado como exemplo o escultor Auguste Rodin ou vários outros nomes. Alguém, em sã consciência esperou de Frank Sinatra uma revolução a cada novo álbum lançado ? Ou que Glen Miller se “reinventasse” a cada nova gravação com a sua big band ? No entanto, todos valorizamos as diferentes fases de uma banda de rock como o U2 (leio, em muita crítica especializada, o uso da expressão “camaleônico” e não sei se o objetivo é realmente informar ao leitor que a banda somente apresentou “novas cores” por um instinto de sobrevivência ou se o termo – rigorosamente mal empregado –  procura denotar a grande  habilidade da banda para expandir as fronteiras musicais do rock).

Prezado Leitor, depois de seus esforços para adentrar no universo de um José Saramago e não se sentir perdido com a sua pontuação, com o seus diálogos, com o seu ritmo, podendo contar vantagem para os amigos de que você lê e compreende uma obra tão complexa e rica, você esperaria que o escritor mudasse a sua linguagem narrativa ?

Por outro lado, um novo álbum da banda Oasis, mesmo que repitisse com muita qualidade a “fórmula” consagrada em (What´s the Story) Morning Glory, de 1995, soaria cansativo. Apenas “mais do mesmo”.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

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O ovo da serpente

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Como não historiador, suspendo em dúvida as impressões que trago da República de Weimar.  Umas poucas leituras, muito senso comum e uma terrível angústia quando revejo uma das obras-primas de Ingmar Bergman retratando um caldo de cultura que também contribuiu para a ascensão do nazismo na Alemanha [O OVO DA SERPENTE (Das Schlangenei / The Serpent’s Egg) Alemanha/EUA, 1977].

Aterrorizam-me os processos em que o medo vai se embrenhando no dia a dia de uma comunidade de tal modo que as posturas autoritárias apresentam-se cada vez mais naturalizadas e o que espanta àquele coletivo são as atitudes discordantes. Com matizes e intensidades variados, encontro imposições e silêncios em inúmeras instituições cotidianas (famílias, empresas, escolas, clubes etc.). Emblemático para os nossos tempos foi a aprovação do Patriotic Act por uma nação que, no século XVIII, melhor representou – através do processo de sua independência – os ideais iluministas e que serviu como modelo para o surgimento de muitas democracias modernas. Acredito que a criação dos Estados Unidos da América ajudou muito mais a difusão de ares republicanos do que a tão mistificada Revolução Francesa, que gestou um império napoleônico e não um estado democrático.

Eu vejo, em muitas de nossas renúncias públicas e privadas, uma contribuição tácita para a  legitimação  de pequenas e grandes tiranias. Lembro-me, também, de uns versos de Eduardo Alves da Costa:

No caminho com Maiakóvski

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

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