Aleatoriedades & Afins

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

A nossa colaboradora Laís Semis está desenvolvendo um excelente blog intitulado “Aleatoriedades & Afins” (www.aleatoriedadeseafins.wordpress.com).

Paralelamente às suas contribuições para o nosso “Taekwon-Do, Arte e Vida”, a autora também participa ativamente dos seguintes movimentos de divulgação cultural na região de Bauru-SP:

Vale muito a pena conferir todos estes sítios eletrônicos.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

Voa canarinho, voa…

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Em 2 de setembro de 2010, a Seleção Brasileira de Futebol participou de um jogo amistoso no velho continente e o reporter Paulo Passos publicou, no portal iG Esportes, um texto muito interessante sobre uma praça pública, situada em uma cidade da Catalunha, na Espanha, em cujo gramado não é permitido jogar bola e nem mesmo pisar. Certamente, existem em todo o mundo inúmeras outras praças com estas mesmas características e devemos inquirir o que há de realmente singular neste campo. Vale à pena acompanharmos algumas linhas do jornalista antes de retomarmos a nossa conversa.

«Para qualquer brasileiro que se interesse um pouco por futebol a palavra “Sarrià” remete a uma das derrotas mais dolorosas da seleção. Foi no estádio com esse nome, na cidade de Barcelona, que o festejado time comandado por Telê Santana perdeu para a Itália no Mundial de 1982. Já para a maioria dos moradores da cidade que receberá a seleção brasileira nesta quinta-feira, Sarrià é apenas um bairro de classe alta da capital da Catalunha.

Não foi só da memória dos barceloneses que o estádio, onde o Brasil caiu na Copa da Espanha, desapareceu. Desde 1997, o próprio não existe mais. No lugar, foi feita uma praça, rodeada por prédios residenciais e uma escola.» (http://esporte.ig.com.br/futebol/2010/09/02/palco+da+frustracao+de+82+sarria+some+e+da+lugar+a+praca+para+passeios+9579885.html

Mesmo tendo a consciência de que sou apenas um amador pouco versado nas quatro linhas, sustento, diante qualquer boleiro, que esta foi a melhor equipe de futebol a desfilar pelos gramados nos últimos trinta anos. A derrota que todos choramos abertamente naquele 5 de julho de 1982 não foi apenas a da Seleção Brasileira: foi de todo o futebol, de toda uma arte. O Carrossel Holandês já fora vítimado, em 1974, por uma Alemanha briosa, mas sem brilho. A incompreensão de um novo e tão improvável revés serve até nossos dias para justificar os empregos e os altos salários de uma quantidade significativa de “pernas de pau” e “brucutus”.

Naquele mesmo 1982, o Prêmio Esso de Jornalismo elegeu, para vencedor na categoria “Fotografia”, uma imagem originalmente publicada no Jornal da Tarde e que ficou associada, através de sua reprodução em diversos contextos, à “Trajédia do Sarrià”. De autoria de Reginaldo Manente, a foto reproduzida abaixo traz consigo a descrição que a acompanha no web site do Prêmio Esso de Jornalismo. (www.premioesso.com.br)

O dia em que o Brasil perdeu para a Itália por 3 a 2, deixando escapar, na Espanha, o titulo de tetracampeão mundial de futebol, foi de tristeza nacional. O menino chorando era o retrato de 120 milhões de brasileiros, naquele instante.

De onde vem tanta magia?

A Seleção Brasileira de Futebou marcou onze gols antológicos na Copa do Mundo disputada na Espanha, em 1982. A grande maioria fruto de um trabalho em equipe caracterizado por passes rápidos, precisos e elegantes, coroados algumas vezes com dribles eficientes. O filme a seguir dirime qualquer dúvida que se possa ainda ter sobre o mais alto grau de excelência alcançado nos últimos trinta anos por um time de futebol.

Técnico: Telê Santana

Jogadores: Valdir Peres (São Paulo), Leandro (Flamengo), Oscar (São Paulo), Luisinho (Atlético Mineiro), Júnior (Flamengo), Cerezo (Atlético Mineiro), Falcão (Roma), Sócrates (Corinthians), Zico (Flamengo), Serginho (São Paulo), Éder (Atlético Mineiro), Paulo Sérgio (Botafogo), Carlos (Ponte Preta), Edevaldo (Internacional), Edinho (Fluminense), Juninho (Ponte Preta), Pedrinho (Vasco), Batista (Grêmio), Paulo Isidoro (Grêmio), Dirceu (Atlético de Madrid), Renato (São Paulo), Roberto Dinamite (Vasco).

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

Miles a(radio)head

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Em 2010 são completos 40 anos do lançamento de “BITCHES BREW”, álbum que inspirou muitas inovações na música popular em todo o mundo, tornando-se um emblema do jazz-rock fusion. Certamente, muitas conquistas desta avant garde ainda ecoam em nossos ouvidos, mesmo através de uns arranjos inocentes da herança que carregam.

Capa do álbum Bitches Brew, de Miles Davis, lançado em 1970

A partir de 1968, Miles Davis participa do desenvolvimento do jazz-rock fusion: as influências de Jimi Hendrix, James Brown e Sly Stone, o movimento Black Power e todo um clima de ebulição política contribuiram para “amplificar” a participação de instrumentos elétricos em suas obras, culminando com o lançamento do álbum duplo BITCHES BREW” em 1970. Este que foi o seu maior sucesso de vendas em toda a carreira levou – pela primeira vez na história – um jazz man para a capa da conceituada revista de rock Rolling Stone (www.rollingstone.com). Portanto, não surpreendem a sua inclusão póstuma no Rock & Roll Hall of Fame, em 13 de março 2006 e esta sua afirmação: “Prince poderia muito bem ser o Duke Ellington do rock”.

Capa do álbum Doo Bop, gravado em 1991 e lançado, postumamente, em 1992

No artigo “Sobre fotos e música”, já publicado neste blog, apresento umas opiniões sobre o imaginário envolvendo o rock e o jazz reificado através de seus fotógrafos. Retomo, em parte, o assunto, abordando esta personagem que buscou intersecções possíveis entre ambos os gêneros musicais e que procurou – também em suas poses – mostrar uma “atitude” pouco comum nos retratos dos jazz men.

Em 1957, lançou o álbum intitulado “MILES AHEAD”, obra-prima consequente de sua parceria com Gil Evans. Em outros dois momentos, trocadilhos com o seu nome também nomearam com sucesso discos seus: em 1958 temos o lançamento de “MILESTONES” e, em 1966, “MILES SMILES”.

Capa original do álbum Miles Ahead, de Miles Davis, lançado em 1957

Uma pesquisa ligeira na Wikipedia (www.wikipedia.com) já nos informa sobre o descontentamento de Miles Davis com a capa original deste álbum e um modo como questionou George Avakian, então executivo da gravadora Columbia:  “Why’d you put that white bitch on there?”. Posteriormente, a arte original da capa foi substituida por uma foto do músico.

 

 

Nova capa do álbum Miles Ahead, após a reclamação do músico

 

De Miles a Radiohead

Para mim a banda de rock atual mais interessante é a Radiohead. E, após o estrondoso sucesso de “OK COMPUTER” (1997), considerado por muitos o álbum de rock mais importante do final do século XX, ela também surpreendeu, para gostos e desgostos, a crítica e os seus próprios fãs com o lançamento da obra “KID A” (2000). Considero-a, pela surpresa e repercussão, o “BITCHES BREW” da Radiohead.

Embora os meus comentários soem um tanto heréticos, basta eu ouvir a faixa “The National Anthem” para eu imediatamente pensar em Miles Davis, em jazz-rock fusion e, na parte final da música, lembrar também de um Charles Mingus da composição “Better git it in your soul”.

Convido-os a apreciar esta bela canção da Radiohead, através do video abaixo:

Também vale à pena conferir o Charles Mingus citado acima:

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
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Sobre fotos e música

 por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Muitos textos referem-se ao cinema como a “sétima arte”. Ignorando quais são as outras enumeradas, uma breve pesquisa na Wikipedia (www.wikipedia.com) apresentou-me a música, a pintura, a escultura, a arquitetura, a literatura, a coreografia, a fotografia e a história em quadrinhos. A fotografia é citada como a “oitava arte” numa ordem que, para mim, não denota hierarquia que valha.

Aprendi cedo o valor do olhar ritualizado num click, emoldurando o objeto e intervindo em sua realidade, acrescentando-lhe, ao menos, alguma incerteza. Tantos cuidados nas frações de segundo entre a pose – com ou sem intenções – e o percurso decisivo da luz através do obturador. Hoje, o custo relativamente baixo para a geração de imagens banalizou o registro: ante o franco atirador do passado, metralhas imprecisas nos tomam de assalto o cotidiano.

Comparando estilos musicais, eu tenho a impressão de que o jazz sempre foi o melhor enquadrado por lentes fotográficas. Parece-me que o rock, por exemplo, não recebeu ao longo de sua história um tratamento tão generoso e, passo a passo, criou uma linguagem propriamente codificada nos video clips. Encontramos, certamente, instantâneos memoráveis, como muitos dedicados a The Beatles. 

Copiado de http://www.blogar.com.br/pass/2006/04/os_beatles_nunc.html

The Beatles

Copiado de http://www.atrilhasonora.com/2010/03/trilha-especial-beatles-num-ceu-de.html

The Beatles

Além das cenas corriqueiras envolvendo os músicos, a fotografia do rock, em geral, procura transmitir uma “atitude”, seja ela irreverente, sensual, libertária ou agressiva. A seguir, destaco a obra clássica da fotografa britânica Pennie Smith retratando Paul Simonon da banda The Clash pronto para destruir o seu contrabaixo durante uma apresentação.

Paul Simonon - The Clash

Paul Simonon - The Clash

Em uma edição especial, a revista Q Magazine (www.qthemusic.com) elegeu esta  como uma das melhores fotos sobre rock de todos os tempos. Uma reportagem publicada em 2003 repete as palavras de Paul du Noyer, editor daquela edição : “This was a picture that lots of photographers mentioned without prompting… it’s a classic picture because it captures the ultimate rock ‘n’ roll moment – total loss of control” (www.repeatfanzine.co.uk).

 

Herman Leonard (1923 – 2010)

Como amante de ambos os estilos musicais, não consigo imaginar um video clip com músicos de jazz. Talvez, um Louis Armstrong ou um Miles Davis em fases mais avançadas de suas carreiras ou, mais recentemente, um John Pizzarelli meeting The Beatles… Creio que a alma do jazz pulsa mais fortemente nas sombras e nos contrastes do retrato em branco e preto com a fumaça dos cigarros dando movimento aos corpos.

Sonny Stitt por Herman Leonard

Uma pesquisa rápida na internet revelará inúmeras faces do jazz retratadas por Herman Leonard, considerado por muitos como o fotógrafo que melhor captou, através de suas lentes, a emoção transmitida por sua música e por seus heróis.  E é neste ponto que se distinguem, para mim, a fotografia do rock e a fotografia do jazz. A “atitude” do primeiro soa, em muitos casos, uma pose ensaiada, um marketing bem feito. Já o blues feeling do segundo nos chega muito naturalmente a partir da imagem solitária de um mito.

Duke Ellington por Herman Leonard

Das obras-primas de Herman Leonard, o que mais me encanta é o registro da felicidade de Duke Ellington ao ouvir Ella Fitzgerald, tendo  ao seu lado e mais ao fundo, Benny Goodman. Em momentos vários, recebi como um bálsamo a sua voz cantando “Someone to watch over me” enquanto contemplava essa imagem reproduzida em um album da Decca (Ella: Legendary Decca Recordings).
Ella Fitzgerald, Duke Ellington e Benny Goodman

Ella Fitzgerald, Duke Ellington e Benny Goodman

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
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