Partida de hits

Na metade dos anos 90, Samuel Rosa e os colegas do Skank já provavam o sabor do mega sucesso. “Garota Nacional” tocava o tempo todo nas rádios e os programas de TV além de reprisar as apresentações da banda, sempre os tinham como convidados. Mas Samuel Rosa tinha outras preocupações. “Nós já tínhamos assistido à trajetória de vários grupos dos anos 80, não bastava ter o sabor do hit cantado pelo Brasil inteiro, isso não dava tranquilidade”.

Skank+cosmotron

Mas o Skank teve muito mais que o prestígio de um hit cantado pelo país, conquistou temas de aberturas de novelas globais e seus hits, se compilados, não caberiam nem em um álbum triplo. Apesar do constante sucesso, ele não foi instantâneo e teve que passar por cima dos estereótipos. Vindos de um tempo que as bandas de rock eram predominantes do Rio e São Paulo, eles acreditaram que o rock poderia tomar as terras mineiras, mesmo quando as gravadoras ainda não botavam fé.

Com quase 22 anos de estrada e 6 milhões de cópias vendidas, a banda formada em Belo Horizonte se permite correr por um viés pop, em que se abordam temáticas românticas, em sua grande maioria, e paixões que às vezes flertam com o futebol. O outro grande gosto do vocalista Samuel Rosa que sonhou ser jogador e, aos 14 anos, tentou entrar para o Atlético Mineiro, sem sucesso.

 

O homônimo primeiro álbum teve repercussão local, no entanto, os álbuns seguintes levaram as turnês do Skank à outros países latinos, aos Estados Unidos e à Europa. Seus covers e versões trazidas de outras línguas, como “Tanto” (I Want You, de Bob Dylan), “Vamos Fugir” (Gilberto Gil) ou “Estare Perdido Em Tus Dedos” (versão em espanhol de Wrapped Around Your Finger, do The Police) sempre foram aceitos por trazerem algo próprio do Skank.

Hoje, duas décadas depois, olhando para trás, parece que as apreensões de Samuel Rosa estiveram bem longe de se tornarem reais.

 

 

Sobre psicologia do esporte na equipe de futebol

por Afonso Antonio Machado

Daniel Bartholomeu

José Maria Montiel

A incorporação do futebol na cultura do brasileiro ocorre ainda na maternidade, quando o pai, orgulhoso, pendura uma bola ou um par de chuteiras em miniatura na porta do quarto, para não gerar dúvidas quanto a masculinidade do menino que acaba de nascer, projetando que gostaria que o filho fosse um jogador no futuro.

Nesse sentido, todos os outros aparelhos que se encarregarão da educação do menino, também privilegiam os modelos e símbolos apreciados pela sociedade, fortalecendo a masculinidade e virilidade como condição essencial para a formação do homem. A consolidação desse modelo de homem ideal, com atributos de frieza, insensibilidade e virilidade, também encontra respaldo no meio esportivo, nesse caso no ambiente do futebol.

Não raramente, as crianças e adolescentes que procuram ingressar na carreira esportiva, são classificadas antes de tudo, pela sua coragem, agressividade e valentia. Ou seja, o modelo do verdadeiro herói guerreiro, másculo e viril.

Ao deixar a família, em busca da oportunidade para conquistar um lugar em uma equipe ou clube, o adolescente passa então a ser orientado por outras pessoas, nesse caso, pelo diretor, supervisor, preparador físico e pelo técnico, que a partir desse momento servirão como referência para a educação, comportamento e consolidação da identidade.

As viagens em decorrência dos jogos e das competições, o distanciamento da família, solidão, stress físico e emocional são fatores que também contribuem para fortalecer as relações afetivas entre os componentes do grupo e credita ao técnico, responsabilidades na formação do atleta, assumindo ele até as funções que eram designadas à família.

Da mesma forma que uma sociedade se compõe pela formação classes, facções ou guetos, integrados por indivíduos ativamente participativos nos seus grupos sociais, também é comum entre os profissionais de futebol a constituição de grupos no convívio social e profissional.

A relação entre pares tem início na infância, beneficiando seus componentes de diversas maneiras. Permite estabelecer troca de experiências, conhecimento, desperta habilidades necessárias para a sociabilidade, intimidade, solidariedade, fortalece os relacionamentos nas atividades realizadas em conjunto como, por exemplo, praticar esportes, ir a escola, ao cinema, enfim, ações que ajudam a desenvolver seu autoconceito e a auto-estima, permitindo a construção da identidade e fortalecendo os traços da personalidade.

Assim como acontece nos bairros, nos clubes ou na escola a relação entre pares também é percebida, e, de forma bastante intensa, no ambiente esportivo, nesse caso, no futebol. Como a definição para “pares” está baseada no conceito de “igualdade”, a formação dos grupos se estabelece em função das suas necessidades, da sua proximidade, dos seus interesses, da sua idade e sexo.

No caso específico do futebol, como todos os indivíduos pertencem ao mesmo sexo e têm os mesmos objetivos, essa relação se constitui então pela proximidade das posições de atuação no campo de jogo. Em muitos casos, os laços afetivos se fortalecem entre os atletas que atuam em posições próximas, ou seja, os atletas que compõem o setor defensivo de uma equipe geralmente formam seu grupo, enquanto que os atletas que atuam nas posições do meio do campo e os atacantes formam os demais grupos.

Geralmente os técnicos usam como estratégia para melhorar o relacionamento entre os atletas e a coesão do grupo, acomodar no mesmo quarto de hotel durante as viagens ou nos alojamentos, jogadores que ocupam posições táticas que se complementam, como os zagueiros com os alas, os atacantes com os meias, os goleiros com zagueiros e assim por diante.

Essa relação que a princípio se estabelece para definir estratégias de posicionamento e jogadas combinadas durante a realização dos jogos, contribui também para fortalecer as relações sociais fora do ambiente de trabalho. Portanto, as ligações desse grupo deixam o estádio e se mantém no dia a dia, no cotidiano.

Voa canarinho, voa…

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Em 2 de setembro de 2010, a Seleção Brasileira de Futebol participou de um jogo amistoso no velho continente e o reporter Paulo Passos publicou, no portal iG Esportes, um texto muito interessante sobre uma praça pública, situada em uma cidade da Catalunha, na Espanha, em cujo gramado não é permitido jogar bola e nem mesmo pisar. Certamente, existem em todo o mundo inúmeras outras praças com estas mesmas características e devemos inquirir o que há de realmente singular neste campo. Vale à pena acompanharmos algumas linhas do jornalista antes de retomarmos a nossa conversa.

«Para qualquer brasileiro que se interesse um pouco por futebol a palavra “Sarrià” remete a uma das derrotas mais dolorosas da seleção. Foi no estádio com esse nome, na cidade de Barcelona, que o festejado time comandado por Telê Santana perdeu para a Itália no Mundial de 1982. Já para a maioria dos moradores da cidade que receberá a seleção brasileira nesta quinta-feira, Sarrià é apenas um bairro de classe alta da capital da Catalunha.

Não foi só da memória dos barceloneses que o estádio, onde o Brasil caiu na Copa da Espanha, desapareceu. Desde 1997, o próprio não existe mais. No lugar, foi feita uma praça, rodeada por prédios residenciais e uma escola.» (http://esporte.ig.com.br/futebol/2010/09/02/palco+da+frustracao+de+82+sarria+some+e+da+lugar+a+praca+para+passeios+9579885.html

Mesmo tendo a consciência de que sou apenas um amador pouco versado nas quatro linhas, sustento, diante qualquer boleiro, que esta foi a melhor equipe de futebol a desfilar pelos gramados nos últimos trinta anos. A derrota que todos choramos abertamente naquele 5 de julho de 1982 não foi apenas a da Seleção Brasileira: foi de todo o futebol, de toda uma arte. O Carrossel Holandês já fora vítimado, em 1974, por uma Alemanha briosa, mas sem brilho. A incompreensão de um novo e tão improvável revés serve até nossos dias para justificar os empregos e os altos salários de uma quantidade significativa de “pernas de pau” e “brucutus”.

Naquele mesmo 1982, o Prêmio Esso de Jornalismo elegeu, para vencedor na categoria “Fotografia”, uma imagem originalmente publicada no Jornal da Tarde e que ficou associada, através de sua reprodução em diversos contextos, à “Trajédia do Sarrià”. De autoria de Reginaldo Manente, a foto reproduzida abaixo traz consigo a descrição que a acompanha no web site do Prêmio Esso de Jornalismo. (www.premioesso.com.br)

O dia em que o Brasil perdeu para a Itália por 3 a 2, deixando escapar, na Espanha, o titulo de tetracampeão mundial de futebol, foi de tristeza nacional. O menino chorando era o retrato de 120 milhões de brasileiros, naquele instante.

De onde vem tanta magia?

A Seleção Brasileira de Futebou marcou onze gols antológicos na Copa do Mundo disputada na Espanha, em 1982. A grande maioria fruto de um trabalho em equipe caracterizado por passes rápidos, precisos e elegantes, coroados algumas vezes com dribles eficientes. O filme a seguir dirime qualquer dúvida que se possa ainda ter sobre o mais alto grau de excelência alcançado nos últimos trinta anos por um time de futebol.

Técnico: Telê Santana

Jogadores: Valdir Peres (São Paulo), Leandro (Flamengo), Oscar (São Paulo), Luisinho (Atlético Mineiro), Júnior (Flamengo), Cerezo (Atlético Mineiro), Falcão (Roma), Sócrates (Corinthians), Zico (Flamengo), Serginho (São Paulo), Éder (Atlético Mineiro), Paulo Sérgio (Botafogo), Carlos (Ponte Preta), Edevaldo (Internacional), Edinho (Fluminense), Juninho (Ponte Preta), Pedrinho (Vasco), Batista (Grêmio), Paulo Isidoro (Grêmio), Dirceu (Atlético de Madrid), Renato (São Paulo), Roberto Dinamite (Vasco).

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

À sombra de cronistas imortais

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Nestas primeiras linhas, destaco a felicidade que me acompanha desde o convite feito pelo Boosabum Giovani Godoi (2o. Dan ITF) para ombrear, no espaço de seu blog (www.taekwondoparatodos.com.br/blog), a um time já repleto de craques. É certo que faço parte da retaguarda: beque central de outro tempo, que mata o poema na porta do gol e pouco avança. Ah, se eu fosse um Newton Santos, eu dava até safanão com elegância…

No Brasil, em meio a uma vária oferta de programas esportivos para rádio e televisão em que a baixa qualidade jornalística é sensível, nota-se a presença, na imprensa escrita, de grandes mestres da literatura fazendo-nos sonhar cotidianamente através da crônica esportiva. Segundo Túlio Velho Barreto – Cientista Político e Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

“Sem dúvida, os maiores craques da crônica esportiva brasileira foram José Lins do Rego e os irmãos Mario Filho e Nelson Rodrigues. Se não fossem da mesma geração poderiam ser comparados a Friedenreich, Leônidas e Pelé ou Domingos, Zizinho e Garrincha. Mas, contemporâneos, podem ser comparados ao meio-de-campo formado por Clodoaldo, Gérson e Rivellino. Infelizmente, os três não tiveram sucessores à altura, apesar da qualidade de João Saldanha, Armando Nogueira e Luis Fernando Veríssimo, por exemplo, e da profusão de craques que se sucedem dentro das quatro linhas.”

(http://ueba.com.br/forum/index.php?showtopic=24241)

Para os mais jovens, Mestre Armando Nogueira é o grande modelo cuja arte diluimos, inevitavelmente, ao tentarmos imitá-lo:  como é difícil para nós a expressão exata e agradável em poucas palavras !!! Fôssemos Nogueira, um parágrafo nos bastaria para narrar a epopéia de uma luta. Ou, como ele mesmo disse sobre habilidade de Garrincha para driblar:

“Para Mané Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio.”

(http://jc.uol.com.br/canal/esportes/noticia/2010/03/29/frases-marcantes-de-armando-nogueira-217915.php)

Postas as minhas limitações como cronista que se encolhe à sombra de gigantes, tenciono fazer umas digressões sobre a arbitragem dentro das competições do Taekwon-Do ITF, tema que promove discensos e gera também debates acalorados. Já com alguma experiência como Árbitro e com bastante estudo sobre o assunto, quero contribuir um pouquinho com os meus artigos para que todos – Árbitros, Competidores, Técnicos, Professores e Torcida – possamos construir uma cultura de arbitragem mais saudável, mais profissional e mais justa. Espero elevar o tema, sem maniqueísmos ou simplificações, a um patamar de destaque, arrostando também as questões polêmicas, conquistando corações e mentes. Como será fácil perceber em meus textos, apaixonam-me os torneios em seus vários aspectos: a arbitragem arrebata-me.

Bons dias !!!

Sabum Nim Eduardo Godoi (4o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Rua Armando Steck, 408 – sala 3 – Centro – Louveira – SP – CEP 13.290-000

P.S.: Para todos os amantes do esporte e da literatura, recomendo fortemente o livro “À sombra das chuteiras imortais”. Leia, a seguir, a sinopse da obra que encontrei no web site da Livraria Cultura

À sombra das chuteiras imortais, a primeira coletânea das crônicas esportivas de Nelson Rodrigues, reúne setenta textos que Nelson publicou na extinta revista Manchete Esportiva e em O Globo entre os anos de 1955 e 1970. Elas cobrem o período mais rico e fascinante do futebol brasileiro – aquele que vai da derrota do Brasil para o Uruguai, na final da Copa de 50, em pleno Maracanã, à conquista definitiva do tricampeonato no México, em 1970, passando pelas emoções que transformaram a idéia que o brasileiro fazia de si mesmo.” (www.livrariacultura.com.br)