Trombone

por Igor Santos

O Trombone é um instrumento da família dos metais. Mais grave que o Trompete e mais agudo que a Tuba. Com sua válvula móvel (vara) que desliza, aumentando ou diminuindo seu tamanho, deixando mais agudo ou mais grave o som.

Suas origens relembram a Trompa do antigo Egito em que se evoluiu do cobre, logo após a liga metálica e finalmente ao latão.

O trombone foi o primeiro instrumento de cobre que apresentava a vara móvel. Tratava-se de uma evolução do sistema de módulos em que, em vez de encaixar e desencaixar partes, bastava correr a vara ao longo do instrumento para aumentar ou diminuir o tamanho do tubo. Dessa forma, podia-se dispor de sete sons fundamentais – obtidos a partir de sete posições da vara – além de todos os seus harmônicos, o que permitia executar no instrumento a escala cromática. Por isso, à época, foi considerado o mais perfeito instrumento de bocal.

Apesar de todas estas transformações e inovações, atualmente o trombone a máquina (pistons) não é um instrumento indicado para orquestras. Pode ser encontrado geralmente em fanfarras e bandas marciais. Chegamos hoje ao atual trombone de vara tenor em Sib usado em diversos países, tendo preferências nas Jazz-bands, bandas sinfônicas, orquestras de estações de rádios, orquestras de salão, orquestras sinfônicas e filarmônicas, o qual, pela exata proporção das medidas entre suas várias partes e a ótima qualidade do metal empregado em sua fabricação, permite obter afinação precisa e formosa qualidade de som, realizando assim todas as exigências da orquestração moderna.

Nesta peça, se apresenta a Sinfônica de Tókio e o solista Francês Michel Becquet reproduzindo “Ballade” de Frank Martin.

Podemos perceber que o autor usou uma grande flexibilidade e articulação do próprio trombone, requisitando assim um alto grau de conhecimento sobre o instrumento. Agudos, graves, momentos calmos ou mais agitados, perfeitas divisões entre ligaduras e “estacatos” Tudo dirigido pelo solista em que a orquestra segue fielmente sem enganos. Há varias interpretações para as obras, no entanto, isso é o básico para se entender uma.

Contamos com a presença do trombone nas Jazz-Bands e orquestras mas não podemos esquecer do ritmo brasileiro. Gilberto Gagliarde é um dos maiores profissionais de trombone e compositores do Brasil, tendo varias musicas criadas de grande sucesso.

Reproduzido pelo próprio autor. Choro para Raul de Barros:

O choro para Raul de Barros é um composição de G. Gagliarde dedicada para um amigo e trombonista famoso; Raul de Barros.

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Trompete e suas representações

por Igor Santos

O Trompete é um instrumento musical de sopro que pertence à família dos metais; em uma das extremidades se encontra o bocal e na outra a campana, o som é controlado pelo uso dos pistos que, acionados, mudam a distancia que o som deve passar e, por fim, a nota que irá soar. O trompetista também usa a velocidade do ar e a pressão dos lábios para determinar sua reprodução.

Trompete em Sib

Os primeiros trompetes eram feitos de madeira, ossos ou até conchas. Somente a partir da Idade Média os trompetes começaram a ganhar formas atuais: já era feito de latão e seu bocal já se assemelhava aos atuais (forma cônica), muitas vezes fazendo parte total do instrumento, diferente de hoje, que o bocal é uma peça independente.  Após a Revolução Francesa, os clarins (trompetes naturais) desapareceram pela falta de versatilidade musical e os trompetes, com maior extensão, começaram a aparecer e firmar sua presença até hoje.

O desenvolvimento do trompete nas orquestras foi tão grande que novos modelos do próprio foram criados para que atendesse a linguagem clássica; tonalidades diferentes, flexibilidade e sons mais puros como o do próprio clarin foram sempre buscados pelos especialistas clássicos na tentativa de sempre atender a forma original do instrumento.

Trompete em C com válvulas rotativas usado, em especial, para orquestra

Vejamos aqui uma prova de tal progresso, um solo em especial para trompete que é considerada uma das peças mais dificieis por requerer uma técnica de alto nível. Wynton Marsalis apresenta Carnival Of Venice:

Por um outro lado, a relação que o músico obteve com o seu instrumento, não pode ser diferente em comparação com outro tipo de arte, foi desenvolvida a partir das várias maneiras populares, outras formas em que o trompete participa como Samba e Frevo.

Mas, com toda a certeza não posso me esquecer do jazz. Uma das linguagens musicais populares e influentes que participam da sociedade há décadas.  O jazz conhecido mundialmente nasce nos Estados Unidos por volta do início do século 20, formado por vários ritmos musicais; tem como base principal o afro-americano. No entanto, com tantas implementações, o jazz desenvolvido criou suas próprias características como a improvisação, o swing, a forma sincopada, entre muitos outros. Vemos aqui a época de ouro do jazz (década de 20 a 30), Luiz Armstrong arrebenta em popularidade e vendas de discos, deixando para traz até mesmo os Beatles:

David Kerr ao trompete: rounds perfeitos com punch e sensibilidade

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

O maior lutador de Taekwon-Do de todos os tempos é um brasileiro: Tetra Campeão Mundial, o Sabum Nim David Kerr (4o. Dan ITF) conquistou três títulos mundiais na categoria até 71kg (1997 – Rússia, 1999 – Argentina e 2001 – Itália) e mais um título mundial na categoria até 80kg (2007 – Canadá). Além disso, conta em seu currículo um Vice-Campeonato Mundial na categoria até 71kg (2003 – Polônia) e mais uma terceira colocação conquistada na categoria até 80kg no penúltimo Campeonato Mundial realizado na Argentina, em 2009.

David Kerr marcando um ponto decisivo no 2o. round da grande final contra o argentino Jonathan Baptista no Campeonato Mundial de 2007 (Quebec - Canadá)

Em uma visita recente a Argentina para ministrar um Seminário Técnico sobre a luta esportiva, concedeu ao programa “Agenda Marcial” uma entrevista em que recorda um pouco de sua trajetória e em que descreve algumas de suas metas futuras. E, para a alegria de seus admiradores e dos amantes da luta esportiva em geral, dá indícios de que a sua carreira como atleta de alto desempenho ainda está longe do fim.

Dos rings aos palcos, sua força, velocidade e estratégia dão lugar a uma sensibilidade musical e a uma presença de palco que nos convida, já em primeira audição, a uma intimidade maior com a pessoa David Kerr. Liderarando o Canastra Trio, conduz com bastante naturalidade os amantes do jazz aos standards da música americana.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

Banda marcial

por Igor Santos

A banda marcial é um grupo de músicos com percussão e metais. Sendo na percussão os principais: bumbo, caixa, múlti tons. E, nos metais: trompete, trombone, tuba, flugel horn, trompa.

Banda Marcial de Santa Catarina apresentando-se em Caxias-RS

As musicas são totalmente adequadas ao grupo, que necessita de um ritmo forte, já que é apresentada em marcha e, ou em coreografia. Há dois tipos de categorias: a banda show que apresenta em lugares fechados e tem seu foco em coreografias ou com artes, como a introdução de sapateado no espetáculo; a banda tradicional se apresenta somente em marcha em eventos abertos, no tradicional 7 de Setembro eles são bem recebidos pelo público. A banda militar é sinônimo de banda marcial ou banda show, com a única diferença de maiores números de instrumentos que ficam posicionados fora da coreografia para a melhor sonorização.

As técnicas de ensino são de modo geral as mesmas, mudando somente algumas que não serão usadas nas apresentações como a escala de blues que é ensinada para improviso e jazz.

Aleatoriedades & Afins

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

A nossa colaboradora Laís Semis está desenvolvendo um excelente blog intitulado “Aleatoriedades & Afins” (www.aleatoriedadeseafins.wordpress.com).

Paralelamente às suas contribuições para o nosso “Taekwon-Do, Arte e Vida”, a autora também participa ativamente dos seguintes movimentos de divulgação cultural na região de Bauru-SP:

Vale muito a pena conferir todos estes sítios eletrônicos.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

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O mundo gira, a Lusitana roda

Por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

O lançamento de DOGVILE, dirigido por Lars von Trier, em 2003, foi um grande marco para mim: além de um modo de conduzir o olhar do espectador que me era novo, de um cenário teatral com o chão de um galpão riscado para delimitar os diferentes ambientes em que se passa a estória, da crítica a uma religiosidade que justifica pequenas e grandes violências, o que mais me impressiona até hoje é a habilidade com que o filme capta a essência egoísta do homo sapiens.

Há muito adotei uma visão pessimista, com relação às possibilidades de atos desinteressados serem cometidos por mim e por meus pares. Lembro-me sempre do segundo capítulo do livro MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (Machado de Assis, 1881), em que o seu personagem principal, Brás Cubas, conta-nos a sua idéia de criar um

“…medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade.”

Embora, em princípio, uma tal invenção pudesse apontar para um lado bondoso e desprendido do caráter de nossa personagem,  seguindo mais algumas linhas do texto encontramos revelada a essência de suas intenções:

“Assim, a minha idéia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro; de outro lado, sede de nomeada. Digamos: – amor da glória.”

Por que Manderlay não me impressionou ?

Eu aguardei com grandes espectativas o lançamento, em 2005, do filme MANDERLAY (continuação de DOGVILLE e dirigido novamente por Lars von Trier). Embora não contasse mais com a atriz Nicole Kidman no papel principal, a personagem Grace foi muito bem interpretada pela  atriz Bryce Dallas Howard e a força desta sequência reside numa abordagem dialética da questão racial nos Estados Unidos da América e que foge das facilidades de um olhar politicamente correto e piegas. No entanto, por que este filme, cuidado por mim como uma obra-prima, não me impressionou o tanto quanto DOGVILLE ?

Coerentemente, a linguagem cinematográfica adotada em MANDERLAY é a mesma da obra anterior e as estratégias narrativas que tanto me surpreenderam no filme de 2003, desta vez, perderam a força da novidade: por mais que eu destacasse (racionalmente) a qualidade da obra, sentia, após o término da projeção, aquele gosto incômodo de “mais do mesmo”.

Sou apixonado pela Lidi.

Dois pesos e duas medidas

Nunca li um texto reclamando de Claude Monet, após ter desenvolvido um novo jeito de pintar, repetir o estilo de suas pinceladas em vários quadros. Nós, leigos em pintura, ficamos até animados e nos sentimos mais “cultos” ao reconhecermos a sua autoria em uma tela (ou reprodução de uma tela) que contemplamos pela primeira vez. O “mais do mesmo” nos permite, então, um gostoso júbilo e nos sentimos um pouquinho mais próximos de uma fraternidade artística usualmente restrita a especialistas.

Uma obra característica de Claude Monet

Mais do mesmo Claude Monet

Eu também poderia ter usado como exemplo o escultor Auguste Rodin ou vários outros nomes. Alguém, em sã consciência esperou de Frank Sinatra uma revolução a cada novo álbum lançado ? Ou que Glen Miller se “reinventasse” a cada nova gravação com a sua big band ? No entanto, todos valorizamos as diferentes fases de uma banda de rock como o U2 (leio, em muita crítica especializada, o uso da expressão “camaleônico” e não sei se o objetivo é realmente informar ao leitor que a banda somente apresentou “novas cores” por um instinto de sobrevivência ou se o termo – rigorosamente mal empregado –  procura denotar a grande  habilidade da banda para expandir as fronteiras musicais do rock).

Prezado Leitor, depois de seus esforços para adentrar no universo de um José Saramago e não se sentir perdido com a sua pontuação, com o seus diálogos, com o seu ritmo, podendo contar vantagem para os amigos de que você lê e compreende uma obra tão complexa e rica, você esperaria que o escritor mudasse a sua linguagem narrativa ?

Por outro lado, um novo álbum da banda Oasis, mesmo que repitisse com muita qualidade a “fórmula” consagrada em (What´s the Story) Morning Glory, de 1995, soaria cansativo. Apenas “mais do mesmo”.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

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Miles a(radio)head

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Em 2010 são completos 40 anos do lançamento de “BITCHES BREW”, álbum que inspirou muitas inovações na música popular em todo o mundo, tornando-se um emblema do jazz-rock fusion. Certamente, muitas conquistas desta avant garde ainda ecoam em nossos ouvidos, mesmo através de uns arranjos inocentes da herança que carregam.

Capa do álbum Bitches Brew, de Miles Davis, lançado em 1970

A partir de 1968, Miles Davis participa do desenvolvimento do jazz-rock fusion: as influências de Jimi Hendrix, James Brown e Sly Stone, o movimento Black Power e todo um clima de ebulição política contribuiram para “amplificar” a participação de instrumentos elétricos em suas obras, culminando com o lançamento do álbum duplo BITCHES BREW” em 1970. Este que foi o seu maior sucesso de vendas em toda a carreira levou – pela primeira vez na história – um jazz man para a capa da conceituada revista de rock Rolling Stone (www.rollingstone.com). Portanto, não surpreendem a sua inclusão póstuma no Rock & Roll Hall of Fame, em 13 de março 2006 e esta sua afirmação: “Prince poderia muito bem ser o Duke Ellington do rock”.

Capa do álbum Doo Bop, gravado em 1991 e lançado, postumamente, em 1992

No artigo “Sobre fotos e música”, já publicado neste blog, apresento umas opiniões sobre o imaginário envolvendo o rock e o jazz reificado através de seus fotógrafos. Retomo, em parte, o assunto, abordando esta personagem que buscou intersecções possíveis entre ambos os gêneros musicais e que procurou – também em suas poses – mostrar uma “atitude” pouco comum nos retratos dos jazz men.

Em 1957, lançou o álbum intitulado “MILES AHEAD”, obra-prima consequente de sua parceria com Gil Evans. Em outros dois momentos, trocadilhos com o seu nome também nomearam com sucesso discos seus: em 1958 temos o lançamento de “MILESTONES” e, em 1966, “MILES SMILES”.

Capa original do álbum Miles Ahead, de Miles Davis, lançado em 1957

Uma pesquisa ligeira na Wikipedia (www.wikipedia.com) já nos informa sobre o descontentamento de Miles Davis com a capa original deste álbum e um modo como questionou George Avakian, então executivo da gravadora Columbia:  “Why’d you put that white bitch on there?”. Posteriormente, a arte original da capa foi substituida por uma foto do músico.

 

 

Nova capa do álbum Miles Ahead, após a reclamação do músico

 

De Miles a Radiohead

Para mim a banda de rock atual mais interessante é a Radiohead. E, após o estrondoso sucesso de “OK COMPUTER” (1997), considerado por muitos o álbum de rock mais importante do final do século XX, ela também surpreendeu, para gostos e desgostos, a crítica e os seus próprios fãs com o lançamento da obra “KID A” (2000). Considero-a, pela surpresa e repercussão, o “BITCHES BREW” da Radiohead.

Embora os meus comentários soem um tanto heréticos, basta eu ouvir a faixa “The National Anthem” para eu imediatamente pensar em Miles Davis, em jazz-rock fusion e, na parte final da música, lembrar também de um Charles Mingus da composição “Better git it in your soul”.

Convido-os a apreciar esta bela canção da Radiohead, através do video abaixo:

Também vale à pena conferir o Charles Mingus citado acima:

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

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