Proposta de avaliação da qualidade de vida de pacientes psiquiátricos

por                           Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

O conceito Qualidade de Vida é um termo subjetivo, o qual abrange muitos significados refletindo no momento individual de cada pessoa, sua classe social, a cultura a qual esta inserida, estando relacionado à saúde desde o surgimento da medicina social. No aspecto hospitalar é atribuído a ausência de sintomas físicos, distúrbios psicológico e mesmo em condições sociais relacionadas ao contexto médico, tais como, acesso a alimentação adequada entre outras.

A avaliação a qualidade de vida é complexa, nas ultimas décadas houve aumento de instrumentos e questionários, que na maioria são desenvolvidos internacionalmente e traduzidos para o Português entre outros para utilização em diferentes países estabelecendo normas de medidas conforme o contexto cultural. Contudo, a aplicação desses instrumentos nesta questão se tornou um tema controverso, pois alguns autores criticam a possibilidade do conceito qualidade de vida não ser ligado à cultura em que o individuo está inserido trazendo a necessidade da Organização Mundial da Saúde desenvolver um projeto que atendesse uma perspectiva transcultural e multicêntrico definindo o conceito de qualidade de vida como subjetivo e multidimensional, ou seja, independente da cultura, nação ou época o individuo precisa se sentir bem psicologicamente, e integrado na sociedade com boas condições física e funcional. (FLECK, et al., p. 20,1999).

No intuito de sanar tal problemática de acordo com Leal (2008) os instrumentos que avaliam e mensuram a qualidade de vida são desenvolvidos pelo grupo WHOQOL (World Health Organization Quality of Life) da OMS. Esses instrumentos, em relação ao campo de aplicação são divididos em genéricos e específicos. Os genéricos têm como objetivo avaliar o impacto causado por uma ou mais doenças especificas, podendo ser aplicado em diferente contexto social e cultural. Os específicos avaliam os aspectos da qualidade de vida com objetivos de detectar uma melhora ou piora do aspecto que esta sendo avaliado. (SCATTOLIN, 2006).

Em síntese, pode-se apontar que mesmo sendo um tema complexo e por vez controverso, a qualidade de vida pode ser avaliada, segundo os apontamentos anteriores, possibilitando o desenvolvimento de estratégias e procedimentos adequados para esta população.

O fracasso escolar e a atuação da Psicopedagogia

por                            Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

O fracasso escolar é estudado, ao longo dos anos, por diferentes perspectivas teóricas, físico/biológico, psicológico, social, educacional, entre outros. Atualmente no Brasil, estudos têm apontado que as dificuldades escolares vivenciadas por parcela significativa da população em idade escolar são decorrentes de problemas significativos em leitura e escrita, matemática, distorções entre série escolar e idade, períodos prolongados para se completar o Ensino Fundamental, altos índices de evasão escolar e desempenho acadêmico aquém do esperado para a idade do aluno, entre outros. No intuito de esclarecer e embasar tais problemáticas uma multiplicidade de questões são içadas ao se falar das dificuldades de aprendizagem em crianças oriundas de diferentes olhares. Neste sentido, a Psicopedagogia apresenta-se tendo como foco facilitar o processo de aprendizagem.

A atuação do psicopedagogo envolve uma análise minuciosa dos múltiplos aspectos implícitos na queixa de que uma criança está apresentando dificuldades para aprender e problemas relacionados. Esta análise tende a permitir o entendimento e compreensão das possíveis causas de tais dificuldades, dando subsídios para uma proposta de intervenção adequada, seja educacional e até mesmo clinica. Os procedimentos utilizados pela psicopedagogia tendem a propiciar conhecimentos aprofundado dos múltiplos aspectos inerentes a uma queixa de dificuldade de aprendizagem possibilitando compreender o indivíduo de uma maneira globalizada, ou seja, acadêmicos, físicos e especialmente psicológicos.

Em síntese, as dificuldades de aprendizagem são multideterminadas, complexas e podem trazer graves conseqüências a todos os envolvidos. O psicopedagogo deve lançar um olhar crítico e minucioso sobre cada caso, buscado uma compreensão global do problema. Cabe a ele o desafio de transformar a realidade, por meio de propostas de intervenções efetivas e com uma sólida base teórica.

Princípios gerais das funções executivas

 por                          Juliana F. Cecato

Fernando Pessoto

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

Funções executivas são processos cognitivos que permite ao indivíduo interagir com o seu meio externo de maneira intencional, envolvendo a formulação de planos de ação que se baseia em experiências prévias e nos estímulos presentes. Estas ações devem ser adaptativas e seqüenciadas por etapas (GAZZANIGA, 2002), ou seja, refere-se à capacidade do sujeito de engajar-se em comportamento orientado a objetivos, realizando ações voluntárias, independentes, autoorganizadas e direcionadas a metas específicas (Capovilla, 2006; Gil, 2002). Sinteticamente, qualquer comportamento emitido por um indivíduo necessita deste processo. Berberian (2007) enfatiza que  em todas as situações do cotidiano, seja comportamentos mais simples até os mais complexos, o indivíduo precisa planejar ações e desenvolver estratégias cabíveis a fim de alcançar seus objetivos, devendo ter a habilidade de responder adequadamente aos estímulos externos e também de identificar o momento adequado para tal, sendo ainda esta elaboração dependente da história de vida do indivíduo.

Os componentes das funções executivas correspondem a memória de trabalho, atenção seletiva, controle inibitório, flexibilidade e planejamento (DUNCAN et al, 1997). A memória pode ser compreendida como o reservatório onde é armazenado tudo que é aprendido ou experienciado. Dalgalarondo (2008) subdividi-a em memória de trabalho, memória episódica, memória semântica e memória de procedimentos. Em outro componente das funções executivas destaca-se a atenção Seletiva, compreendida como a percepção direcionada e seletiva a uma fonte partícula de informação, incluindo um aspecto semiquantitativo e com duração definida. De maneira generalista a atenção é um conjunto de processos psicológicos que faz com que o indivíduo seja capaz de selecionar, filtrar e organizar informações em unidades controláveis, as quais são importantes para a seleção de materiais disponíveis diante de um montante de informações (Montiel e Seabra, 2005).

Como terceiro fator e não menos importante das funções executivas está o controle inibitório, que segundo Assef et al (2007), pode ser definido como a habilidade do indivíduo de “inibir respostas competitivas”, ou seja, habilidade de controlar os comportamentos, iniciar e até mesmo pará-lo.  O quarto componente da funções executivas denominado Flexibilidade é segundo Lezak et al (2006) a habilidade que visa estabelecer uma nova estratégia de ação é denominada flexibilidade cognitiva, caracterizada pela capacidade de escolha e alternância de respostas mais condizentes às contingências; ou seja, determina quais informações ou ações são mais importantes e úteis que outras. Se entende pela capacidade de adaptar-se á condições adversas, resolver problemas e adequar-se a determinadas situações. O Planejamento é determinado pelo objetivo traçado por um indivíduo, ou seja, para alcançá-lo, é necessário primeiramente que haja planejamento. Neste sentido pode-se defini-lo como a capacidade de organização e previsão da pessoa a fim de agir para atingir um objetivo.

A discriminação dos conceitos das funções executivas auxiliam os profissionais da saúde a melhor identificação em quadros de déficits cognitivos e possíveis desenvolvimentos de estratégias terapeutas para cada caso.

Apontamentos sobre a relação entre habilidades sociais e aprendizagem

 por                       Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

As Habilidades Sociais referem-se ao conjunto dos comportamentos apresentados pelo indivíduo diante das demandas de uma situação interpessoal, incluindo-se as variáveis culturais que contribuem para a competência social (Del Prette & Del Prette, 1999). Pode dizer que um indivíduo socialmente competente é capaz de executar tarefas satisfatoriamente adequadas. Neste sentidos, uma pessoa incompetente socialmente tenha algumas necessárias para executar uma tarefa de forma competente. Em relação ao desenvolvimento das habilidades sociais, não se pode afirmar em que época da vida ocorre o aprendizado, embora a infância seja um período bastante significativo para tal desenvolvimento

Estudos apontam que no primeiro ano de escola as motivações para o trabalho começam a aparecer e as crianças passam a escolher os companheiros porque lê bem, ajuda quando ele não sabe ou não escolhe outros colegas por não escrever bem, por exemplo. Isso implica que o nível de alfabetização pode estar relacionado à aceitação do grupo. Em consonância com este apontamento o papel das relações sociais na compreensão do fracasso escolar merecem destaque ao se dar importância aos aspectos como a personalidade, emoção, bem como o envolvimento social do indivíduo para se ampliar a compreensão das dificuldades de aprendizagem, não se tomando a questão somente do aspecto cognitivo.

Em síntese pode-se apontar que não se deve somente demonstrar uma lacuna entre o potencial da criança para aprender e seu desempenho real em áreas escolares específicas, mas considerar as oportunidades para a aprendizagem. Neste contexto, há que se considerar que, avaliar as dificuldades de aprendizagem em decorrência da multiplicidade de aspectos envolvidos que demande um melhor domínio dos pressupostos da modificação cognitiva, considerando esses, como parte integrante do indivíduo.

Aeronautas: considerações sobre o trabalho na aviação

por                   José M. Montiel

Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

Aeronauta é o profissional habilitado pelo Ministério da Aeronáutica, que exerce atividade a bordo de aeronave civil nacional, mediante contrato de trabalho regido pela legislação trabalhista, conforme a lei 7183/84 (Sindicato Nacional dos Aeronautas, 2005). São vários os fatores estressantes que os aeronautas encontram em sua profissão, os quais obrigam seu organismo a lançar mão de mecanismos de defesa e de compensação. Alguns desses fatores podem ser: alimentação irregular, mudanças climáticas, baixa umidade do ar, ruídos e vibrações da aeronave, cruzamento de vários fusos horários, incorreta gestão do sono, entre outros.

Os fatores estressantes podem acarretar sintomas clínicos como dor de cabeça, falta de apetite, esquecimento, astenia (diminuição de força física), diarréia ou constipação, palpitações, irritabilidade, baixa capacidade de concentração, insônia, dor no peito, tiques faciais, perturbações visuais e auditivas, emagrecimento, redução da atividade sexual, tremores, agressividade, sarcasmo, uso imoderado de fumo e álcool. A condição pode ainda degenerar para quadros neuróticos como fobias, ansiedade, depressão, obsessão, compulsão, além da dependência de drogas.

Neste sentido os aeronautas são obrigados a adaptar seu organismo aos horários de trabalho e ter horas de sono forçadas, independentemente da hora do dia, a realizar refeições irregularmente, por vezes substituídas por um lanche, também nem sempre em condições confortáveis. Parece haver uma incompatibilidade entre o funcionamento do organismo com a organização e gestão desse trabalho. Os aeronautas vivem o risco como conteúdo do trabalho. A vivência do risco não se efetiva somente no momento do acidente. Ela está no momento da possibilidade dessa ocorrência, em situações de incidente, mas sobretudo no conteúdo cotidiano com esse trabalho diante da alta potencialidade de risco dos sistemas automatizados e nas condições que trabalham. Vive a possibilidade e a potencialidade entre medo e angústia, podendo produzir quadros de depressão. Casos de depressão tem sido notados na aviação internacional. O objetivo do estudo com esse público é minimizar os efeitos ambientais adversos que os aeronautas sofrem e propor maneiras que diminuam o estresse do seu trabalho.

A influência da emoção no desempenho escolar e a atuação da Psicopedagogia

por                      Patricia Villela

Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

A emoção pode ser compreendida como uma ponte que liga entre a vida orgânica e à psíquica, ou seja, é a manifestação de um estado subjetivo constituída de fortes componentes orgânicos, que revela um estado fisiológico e efêmero. As emoções consistem em sistemas de atitudes que correspondem a uma determinada espécie de situação. Existe relação entre tônus e emoção, uma vez que, o aparelho muscular recebe e sinaliza as impressões afetivas do bebê, e serve como veiculo de comunicação das emoções. Mesmo sendo um fato fisiológico, a emoção também tem um caráter social, podendo ser modificada e transformada nas relações sociais, ou seja, nas trocas e interações com outro.

A presença da emoção implica em redução das capacidades cognitivas do indivíduo, assim, desconhecer as emoções ou a falta de habilidade para lidar com elas, traz sérios danos para ao individuo em suas diferentes relações. Muitos autores descrevem como um estado de total contágio entre os indivíduos, e que quando este individuo apresenta déficits nesta habilidade/função ocasionam inúmeros prejuízos em diversos aspectos da vida, consequentemente perdem o controle da situação cotidianas.

Em síntese, aprender sobre o funcionamento das emoções é fundamental como uma maneira de assegurar competências, especialmente em relações sociais, isto é, podendo organizar melhor suas ações e atender às reais necessidades cotidianas.

Terapia cognitiva

por                             Edson Simões

Daniel Bartholomeu

Heitor Cozza

José Maria Montiel

Entre as praticas desenvolvidas pela Psicologia seja na prática clínica e experimental, pode-se tratar o mesmo assunto e/ou demanda sob várias óticas e perspectivas, e dentre estas, destaca-se a Terapia Cognitiva que segundo estudos tais como os apresentados pela OMS (1998) como sendo a que tem demonstrado maior êxito no tratamento dos Transtornos Psiquiátricos. Esta em comparação a outras abordagens teóricas é uma das mais recentes, e também a que vem ganhando maior notoriedade no âmbito terapêutico, proporcionando novas descobertas e elucidações no tratamento de tais Transtornos. Tais achados e apontamentos estão relacionados ao fato pela sua maneira inovadora de abordar questões especificas e pela maneira em lidar com tais questões.

Conforme descrito anteriormente, mesmo sendo relativamente nova esta abordagem se iniciou ou teve sua maior divulgação há mais de quatro décadas com Aaron T. Beck e colegas ao escreverem a obra Terapia cognitiva da depressão. Após este trabalho inovador, surgi uma grande aderência a esta abordagem teórica em grande parte dos centros de estudos e tratamentos. Atualmente é grande o número de profissionais que aderiram a esta maneira de atuação, e os resultados positivos que vem sendo apresentados em grandes encontros e em grande meios de circulação cientifica, bem como pelo tempo dispensado no processo terapêutico, tem agregando cada vez mais, profissionais, pacientes e envolvidos nestes processos, tais como familiares.

Segundo relatos de profissionais envolvidos com este tipo de abordagem teórica, o grande diferencial nesta técnica é na maneira da escuta das queixas e demandas psicológicas apresentadas, sendo uma das características e a atenção, pois não se dirige ao fato do que causou o sofrimento, nem ao sofrimento, mas a interpretação equivocada do fato, ou seja, após uma interpretação de um acontecimento mal realizado, outras interpretações irão surgindo em reflexo a primeira, podendo ocasionar grandes sofrimentos psíquicos que estarão se arrastando e aumentando a cada momento de enfrentamento de situações adversas e/ou cotidianas. Neste aspecto destaca-se o ponto forte desta técnica, a intervenção previa e a prevenção de sofrimentos oriundos de avaliações mal adaptativas. Assim, no momento em que está se atuando, além de tratar o sofrimento momentâneo do paciente, o maior ganho é a prevenção contra sofrimentos futuros, que poderiam ocasionar comprometimentos na vida de uma pessoa.