Proposta de avaliação da qualidade de vida de pacientes psiquiátricos

por                           Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

O conceito Qualidade de Vida é um termo subjetivo, o qual abrange muitos significados refletindo no momento individual de cada pessoa, sua classe social, a cultura a qual esta inserida, estando relacionado à saúde desde o surgimento da medicina social. No aspecto hospitalar é atribuído a ausência de sintomas físicos, distúrbios psicológico e mesmo em condições sociais relacionadas ao contexto médico, tais como, acesso a alimentação adequada entre outras.

A avaliação a qualidade de vida é complexa, nas ultimas décadas houve aumento de instrumentos e questionários, que na maioria são desenvolvidos internacionalmente e traduzidos para o Português entre outros para utilização em diferentes países estabelecendo normas de medidas conforme o contexto cultural. Contudo, a aplicação desses instrumentos nesta questão se tornou um tema controverso, pois alguns autores criticam a possibilidade do conceito qualidade de vida não ser ligado à cultura em que o individuo está inserido trazendo a necessidade da Organização Mundial da Saúde desenvolver um projeto que atendesse uma perspectiva transcultural e multicêntrico definindo o conceito de qualidade de vida como subjetivo e multidimensional, ou seja, independente da cultura, nação ou época o individuo precisa se sentir bem psicologicamente, e integrado na sociedade com boas condições física e funcional. (FLECK, et al., p. 20,1999).

No intuito de sanar tal problemática de acordo com Leal (2008) os instrumentos que avaliam e mensuram a qualidade de vida são desenvolvidos pelo grupo WHOQOL (World Health Organization Quality of Life) da OMS. Esses instrumentos, em relação ao campo de aplicação são divididos em genéricos e específicos. Os genéricos têm como objetivo avaliar o impacto causado por uma ou mais doenças especificas, podendo ser aplicado em diferente contexto social e cultural. Os específicos avaliam os aspectos da qualidade de vida com objetivos de detectar uma melhora ou piora do aspecto que esta sendo avaliado. (SCATTOLIN, 2006).

Em síntese, pode-se apontar que mesmo sendo um tema complexo e por vez controverso, a qualidade de vida pode ser avaliada, segundo os apontamentos anteriores, possibilitando o desenvolvimento de estratégias e procedimentos adequados para esta população.

O fracasso escolar e a atuação da Psicopedagogia

por                            Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

O fracasso escolar é estudado, ao longo dos anos, por diferentes perspectivas teóricas, físico/biológico, psicológico, social, educacional, entre outros. Atualmente no Brasil, estudos têm apontado que as dificuldades escolares vivenciadas por parcela significativa da população em idade escolar são decorrentes de problemas significativos em leitura e escrita, matemática, distorções entre série escolar e idade, períodos prolongados para se completar o Ensino Fundamental, altos índices de evasão escolar e desempenho acadêmico aquém do esperado para a idade do aluno, entre outros. No intuito de esclarecer e embasar tais problemáticas uma multiplicidade de questões são içadas ao se falar das dificuldades de aprendizagem em crianças oriundas de diferentes olhares. Neste sentido, a Psicopedagogia apresenta-se tendo como foco facilitar o processo de aprendizagem.

A atuação do psicopedagogo envolve uma análise minuciosa dos múltiplos aspectos implícitos na queixa de que uma criança está apresentando dificuldades para aprender e problemas relacionados. Esta análise tende a permitir o entendimento e compreensão das possíveis causas de tais dificuldades, dando subsídios para uma proposta de intervenção adequada, seja educacional e até mesmo clinica. Os procedimentos utilizados pela psicopedagogia tendem a propiciar conhecimentos aprofundado dos múltiplos aspectos inerentes a uma queixa de dificuldade de aprendizagem possibilitando compreender o indivíduo de uma maneira globalizada, ou seja, acadêmicos, físicos e especialmente psicológicos.

Em síntese, as dificuldades de aprendizagem são multideterminadas, complexas e podem trazer graves conseqüências a todos os envolvidos. O psicopedagogo deve lançar um olhar crítico e minucioso sobre cada caso, buscado uma compreensão global do problema. Cabe a ele o desafio de transformar a realidade, por meio de propostas de intervenções efetivas e com uma sólida base teórica.

Princípios gerais das funções executivas

 por                          Juliana F. Cecato

Fernando Pessoto

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

Funções executivas são processos cognitivos que permite ao indivíduo interagir com o seu meio externo de maneira intencional, envolvendo a formulação de planos de ação que se baseia em experiências prévias e nos estímulos presentes. Estas ações devem ser adaptativas e seqüenciadas por etapas (GAZZANIGA, 2002), ou seja, refere-se à capacidade do sujeito de engajar-se em comportamento orientado a objetivos, realizando ações voluntárias, independentes, autoorganizadas e direcionadas a metas específicas (Capovilla, 2006; Gil, 2002). Sinteticamente, qualquer comportamento emitido por um indivíduo necessita deste processo. Berberian (2007) enfatiza que  em todas as situações do cotidiano, seja comportamentos mais simples até os mais complexos, o indivíduo precisa planejar ações e desenvolver estratégias cabíveis a fim de alcançar seus objetivos, devendo ter a habilidade de responder adequadamente aos estímulos externos e também de identificar o momento adequado para tal, sendo ainda esta elaboração dependente da história de vida do indivíduo.

Os componentes das funções executivas correspondem a memória de trabalho, atenção seletiva, controle inibitório, flexibilidade e planejamento (DUNCAN et al, 1997). A memória pode ser compreendida como o reservatório onde é armazenado tudo que é aprendido ou experienciado. Dalgalarondo (2008) subdividi-a em memória de trabalho, memória episódica, memória semântica e memória de procedimentos. Em outro componente das funções executivas destaca-se a atenção Seletiva, compreendida como a percepção direcionada e seletiva a uma fonte partícula de informação, incluindo um aspecto semiquantitativo e com duração definida. De maneira generalista a atenção é um conjunto de processos psicológicos que faz com que o indivíduo seja capaz de selecionar, filtrar e organizar informações em unidades controláveis, as quais são importantes para a seleção de materiais disponíveis diante de um montante de informações (Montiel e Seabra, 2005).

Como terceiro fator e não menos importante das funções executivas está o controle inibitório, que segundo Assef et al (2007), pode ser definido como a habilidade do indivíduo de “inibir respostas competitivas”, ou seja, habilidade de controlar os comportamentos, iniciar e até mesmo pará-lo.  O quarto componente da funções executivas denominado Flexibilidade é segundo Lezak et al (2006) a habilidade que visa estabelecer uma nova estratégia de ação é denominada flexibilidade cognitiva, caracterizada pela capacidade de escolha e alternância de respostas mais condizentes às contingências; ou seja, determina quais informações ou ações são mais importantes e úteis que outras. Se entende pela capacidade de adaptar-se á condições adversas, resolver problemas e adequar-se a determinadas situações. O Planejamento é determinado pelo objetivo traçado por um indivíduo, ou seja, para alcançá-lo, é necessário primeiramente que haja planejamento. Neste sentido pode-se defini-lo como a capacidade de organização e previsão da pessoa a fim de agir para atingir um objetivo.

A discriminação dos conceitos das funções executivas auxiliam os profissionais da saúde a melhor identificação em quadros de déficits cognitivos e possíveis desenvolvimentos de estratégias terapeutas para cada caso.

Apontamentos sobre a relação entre habilidades sociais e aprendizagem

 por                       Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

As Habilidades Sociais referem-se ao conjunto dos comportamentos apresentados pelo indivíduo diante das demandas de uma situação interpessoal, incluindo-se as variáveis culturais que contribuem para a competência social (Del Prette & Del Prette, 1999). Pode dizer que um indivíduo socialmente competente é capaz de executar tarefas satisfatoriamente adequadas. Neste sentidos, uma pessoa incompetente socialmente tenha algumas necessárias para executar uma tarefa de forma competente. Em relação ao desenvolvimento das habilidades sociais, não se pode afirmar em que época da vida ocorre o aprendizado, embora a infância seja um período bastante significativo para tal desenvolvimento

Estudos apontam que no primeiro ano de escola as motivações para o trabalho começam a aparecer e as crianças passam a escolher os companheiros porque lê bem, ajuda quando ele não sabe ou não escolhe outros colegas por não escrever bem, por exemplo. Isso implica que o nível de alfabetização pode estar relacionado à aceitação do grupo. Em consonância com este apontamento o papel das relações sociais na compreensão do fracasso escolar merecem destaque ao se dar importância aos aspectos como a personalidade, emoção, bem como o envolvimento social do indivíduo para se ampliar a compreensão das dificuldades de aprendizagem, não se tomando a questão somente do aspecto cognitivo.

Em síntese pode-se apontar que não se deve somente demonstrar uma lacuna entre o potencial da criança para aprender e seu desempenho real em áreas escolares específicas, mas considerar as oportunidades para a aprendizagem. Neste contexto, há que se considerar que, avaliar as dificuldades de aprendizagem em decorrência da multiplicidade de aspectos envolvidos que demande um melhor domínio dos pressupostos da modificação cognitiva, considerando esses, como parte integrante do indivíduo.

Aeronautas: considerações sobre o trabalho na aviação

por                   José M. Montiel

Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

Aeronauta é o profissional habilitado pelo Ministério da Aeronáutica, que exerce atividade a bordo de aeronave civil nacional, mediante contrato de trabalho regido pela legislação trabalhista, conforme a lei 7183/84 (Sindicato Nacional dos Aeronautas, 2005). São vários os fatores estressantes que os aeronautas encontram em sua profissão, os quais obrigam seu organismo a lançar mão de mecanismos de defesa e de compensação. Alguns desses fatores podem ser: alimentação irregular, mudanças climáticas, baixa umidade do ar, ruídos e vibrações da aeronave, cruzamento de vários fusos horários, incorreta gestão do sono, entre outros.

Os fatores estressantes podem acarretar sintomas clínicos como dor de cabeça, falta de apetite, esquecimento, astenia (diminuição de força física), diarréia ou constipação, palpitações, irritabilidade, baixa capacidade de concentração, insônia, dor no peito, tiques faciais, perturbações visuais e auditivas, emagrecimento, redução da atividade sexual, tremores, agressividade, sarcasmo, uso imoderado de fumo e álcool. A condição pode ainda degenerar para quadros neuróticos como fobias, ansiedade, depressão, obsessão, compulsão, além da dependência de drogas.

Neste sentido os aeronautas são obrigados a adaptar seu organismo aos horários de trabalho e ter horas de sono forçadas, independentemente da hora do dia, a realizar refeições irregularmente, por vezes substituídas por um lanche, também nem sempre em condições confortáveis. Parece haver uma incompatibilidade entre o funcionamento do organismo com a organização e gestão desse trabalho. Os aeronautas vivem o risco como conteúdo do trabalho. A vivência do risco não se efetiva somente no momento do acidente. Ela está no momento da possibilidade dessa ocorrência, em situações de incidente, mas sobretudo no conteúdo cotidiano com esse trabalho diante da alta potencialidade de risco dos sistemas automatizados e nas condições que trabalham. Vive a possibilidade e a potencialidade entre medo e angústia, podendo produzir quadros de depressão. Casos de depressão tem sido notados na aviação internacional. O objetivo do estudo com esse público é minimizar os efeitos ambientais adversos que os aeronautas sofrem e propor maneiras que diminuam o estresse do seu trabalho.

A influência da emoção no desempenho escolar e a atuação da Psicopedagogia

por                      Patricia Villela

Juliana F. Cecato

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

A emoção pode ser compreendida como uma ponte que liga entre a vida orgânica e à psíquica, ou seja, é a manifestação de um estado subjetivo constituída de fortes componentes orgânicos, que revela um estado fisiológico e efêmero. As emoções consistem em sistemas de atitudes que correspondem a uma determinada espécie de situação. Existe relação entre tônus e emoção, uma vez que, o aparelho muscular recebe e sinaliza as impressões afetivas do bebê, e serve como veiculo de comunicação das emoções. Mesmo sendo um fato fisiológico, a emoção também tem um caráter social, podendo ser modificada e transformada nas relações sociais, ou seja, nas trocas e interações com outro.

A presença da emoção implica em redução das capacidades cognitivas do indivíduo, assim, desconhecer as emoções ou a falta de habilidade para lidar com elas, traz sérios danos para ao individuo em suas diferentes relações. Muitos autores descrevem como um estado de total contágio entre os indivíduos, e que quando este individuo apresenta déficits nesta habilidade/função ocasionam inúmeros prejuízos em diversos aspectos da vida, consequentemente perdem o controle da situação cotidianas.

Em síntese, aprender sobre o funcionamento das emoções é fundamental como uma maneira de assegurar competências, especialmente em relações sociais, isto é, podendo organizar melhor suas ações e atender às reais necessidades cotidianas.

Terapia cognitiva

por                             Edson Simões

Daniel Bartholomeu

Heitor Cozza

José Maria Montiel

Entre as praticas desenvolvidas pela Psicologia seja na prática clínica e experimental, pode-se tratar o mesmo assunto e/ou demanda sob várias óticas e perspectivas, e dentre estas, destaca-se a Terapia Cognitiva que segundo estudos tais como os apresentados pela OMS (1998) como sendo a que tem demonstrado maior êxito no tratamento dos Transtornos Psiquiátricos. Esta em comparação a outras abordagens teóricas é uma das mais recentes, e também a que vem ganhando maior notoriedade no âmbito terapêutico, proporcionando novas descobertas e elucidações no tratamento de tais Transtornos. Tais achados e apontamentos estão relacionados ao fato pela sua maneira inovadora de abordar questões especificas e pela maneira em lidar com tais questões.

Conforme descrito anteriormente, mesmo sendo relativamente nova esta abordagem se iniciou ou teve sua maior divulgação há mais de quatro décadas com Aaron T. Beck e colegas ao escreverem a obra Terapia cognitiva da depressão. Após este trabalho inovador, surgi uma grande aderência a esta abordagem teórica em grande parte dos centros de estudos e tratamentos. Atualmente é grande o número de profissionais que aderiram a esta maneira de atuação, e os resultados positivos que vem sendo apresentados em grandes encontros e em grande meios de circulação cientifica, bem como pelo tempo dispensado no processo terapêutico, tem agregando cada vez mais, profissionais, pacientes e envolvidos nestes processos, tais como familiares.

Segundo relatos de profissionais envolvidos com este tipo de abordagem teórica, o grande diferencial nesta técnica é na maneira da escuta das queixas e demandas psicológicas apresentadas, sendo uma das características e a atenção, pois não se dirige ao fato do que causou o sofrimento, nem ao sofrimento, mas a interpretação equivocada do fato, ou seja, após uma interpretação de um acontecimento mal realizado, outras interpretações irão surgindo em reflexo a primeira, podendo ocasionar grandes sofrimentos psíquicos que estarão se arrastando e aumentando a cada momento de enfrentamento de situações adversas e/ou cotidianas. Neste aspecto destaca-se o ponto forte desta técnica, a intervenção previa e a prevenção de sofrimentos oriundos de avaliações mal adaptativas. Assim, no momento em que está se atuando, além de tratar o sofrimento momentâneo do paciente, o maior ganho é a prevenção contra sofrimentos futuros, que poderiam ocasionar comprometimentos na vida de uma pessoa.

Considerações sobre as posições sociais

por                     Edson Simões

Paula Chiqueto

Os relacionamentos sociais fazem parte do conceito de qualidade de vida, segundo a Wikipédia, a enciclopédia virtual mais acessada. Olhando para as relações hoje, a Wikipédia é mais acessada do que os nossos relacionamentos sociais. A palavra comprometimento vem se distanciando cada vez mais dos relacionamentos, e em todo o grau de relação, seja familiar, de trabalho, de amizade, entre outras. E se levarmos em conta que a Consciência é sempre intencional (Berger & Luckman,1985), essa mudança vem justamente de nós, e não por um acaso da situação.

Ciampa (1996), diz que a nossa posição social começa a se definir pelas relações sociais mais primárias, ou seja, a nossa história de vida, as nossas referências. Ocultando-as, como se dará a posição social? Quais serão os quesitos se não pelos relacionamentos sociais para delimitar o espaço que ocupamos em sociedade? Ou será esta fase apenas uma parte da caminhada que resultará numa nova forma de se viver – isolado. Se assim o for não precisaremos realmente de uma posição social, pois não tendo relacionamentos, não precisaremos nos diferenciarmos ou nos igualarmos.

Será que estamos aptos a vivermos sozinhos, sem qualquer ajuda de outrem? O computador somado a internet preencherá todo esse espaço? Não precisaremos mais de referências, de modelos, do certo e do errado. Somos a nova (HUM)ANIDADE. O que se tornará “o outro” na nossa vida? Simplesmente “aquele lá”?

Em breve trocaremos a palavra relacionamentos por encontros. Qual a diferença? Só o tempo dirá…

Métodos de intervenção para crianças do espectro autista

 Nosso centésimo “post” !!!

Parabéns a toda a equipe TAEKWON-DO, ARTE E VIDA

 

  por                    Ana Rita Bruni

Paula Chiqueto

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

 A maioria dos métodos de intervenção com crianças do espectro autista contemplam o comportamento, as teorias do desenvolvimento e ensino estruturado, e são baseados em evidências empíricas mais do que em pesquisas formais, o que não significa que não são eficazes . O fato de não estarem formalmente organizados não os invalida. Estudos tem apontado que quanto mais individualizados e personalizados, maior a possibilidade de obtenção de sucesso no espectro autista, por exemplo, (Taub & Araujo, 2009) apontam que tais procedimentos tendem a contemplar eixos principais, tais como, treinamento de habilidades sociais, inserção educacional, desenvolvimento da comunicação competente, desenvolvimento de capacidades profissionais, bem como proporcionar orientaços adequadas a familiares especialmente a pais. As autoras apontam ainda, ser de grande importância a comunicação entre profissionais envolvidos, mesmo que de diferentes especialidades.

Segundo Bruni (2009) mesmo não havendo uma proposta metodologica formal e exclusiva para alfabetização desta população, a autora aponta que muitas destas crianças apresentam condições de aprender a ler e escrever bem como de obter relações mais favoraveis em seu cotidiano. Tendo por vista tais pressupostos,  no intuito de favorecer condições de desenvolvimento de um potencial pleno e mesmo produtivo, os quais considerem as peculiaridades de cada caso, é descrito a seguir diferentes abordagens propostas, as quais tendem a serem as mais procuradas atualmente, devido aos resultados positivos obtidos com tais procedimentos, ou seja, o Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (Picture Exchange Communication System – PECS), onde a criança aprende a trocar figuras pelo objeto que deseja, aplicado no caso de indivíduos com restrita comunicação verbal. Outro modelo proposto e a Terapia de Análise Aplicada de Comportamento (Aplicated Behavior Analisys -ABA ), a partir da observação dos comportamentos da criança, compreender seu padrão de funcionamento e ampliar gradativamente, seu repertório. E por ultimo, não menos importante o TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Comunication – Handicapped Children), que por meio de estratégias cognitivas e comportamentais, propõe intervir na aquisição de habilidades e alteração de respostas inadequadas, através de repetições e treinamentos.

É importante ressaltar que o sucesso de intervenção para esta população não está apenas focado no método escolhido, e sim nas possibilidades individuais de cada criança, ou seja, um indivíduo poder obter melhor resultado com determinada intervenção, que pode não ser eficaz para outro. Nestes casos cabe aos profissionais envolvidos no processo avaliarem e ponderarem qual das ou de outras intervenções melhor contemplará a demanda infantil, priorizando o que for mais necessário de acordo com a faixa etária e especialmente no que tange a independencia e qualidade de vida da criança.

A importância da pratica da atividade física em pacientes idosos

por                                           Paula Chiqueto

Cristiane Machado Godoy

Daniel Bartholomeu

José M. Montiel

Pacientes idosos com transtorno depressivo apresentam alto risco de recorrência e recaída para este transtorno (Spear, 2002). Em um estudo Roberts, Kaplan, Shema e Strawbridge (1997). apontam a prevalência de depressão em idosos de 8,1% entre 50 a 59 anos, 6,9% de 60 a 69 anos, aumentando para 10,4% entre 70 a 79 anos e maiores que 12,7 a partir dos 80 anos de idade. Em relação aos tratamentos Scalco (2002), aponta que o sucesso do tratamento medicamentos em idosos merece especial atenção tanto devido a gravidade dos aspectos depressivos, das comorbidades com outras doenças tanto clinicas quanto psiquiátricas e especialmente da adequada escolha da medicação, pois os idosos tendem a apresentar aumento das conseqüências de alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento, tais como diminuição do fluxo sanguíneo, diminuição da função hepática, desta maneira sendo mais sensíveis ao efeitos adversos de medicações especialmente psiquiátricas.

Em outra modalidade de tratamento a atividade física de modo global tende a propiciar inúmeros benefícios sejam, corporais, fisiológicos bem como psicológicos (Mazo, et all, 2005). Dados apontam que idosos quando praticantes de atividades físicas tendem a apresentar índices de depressão menores que daqueles que não praticam nenhuma atividade. Segundo os mesmos autores estudos comprovam melhora no aspecto emocional, aumento na auto-estima, e melhora significativa do humor, diminuição da ansiedade e de aspectos potencializadores de tensão (Mazo e cols.,2005).

Entre as atividades físicas recomendadas especialmente as aeróbicas, quando realizadas com intensidade moderada e com longa duração aqui considera-se a partir de 30 minutos, tende a propiciar alívio do estresse ou tensão, este fato esta diretamente relacionado ao aumento das taxas hormonais, especialmente a endorfina, que agem diretamente no sistema nervoso central (Stella e cols., 2002). De modo geral, reduzindo o impacto de estressores ambientais, tendendo a prevenir e/ou reduzir alterações abruptas de humor, tais como os transtornos depressivos especialmente em população idosa. Neste sentido, a atividade física aqui considerada regular deve ser apreciada como uma alternativa ou possibilidade não-farmacológica para o tratamento de alguns transtornos tais como o depressivo. Especialmente nestes casos, apresentam em relação ao tratamento medicamentoso, a vantagem de não apresentarem alguns efeitos colaterais como descritos anteriormente, e especialmente por demandar um maior comprometimento por parte dos participantes, o que pode resultar em melhoria da auto-estima, iniciativa e autoconfiança o que sumariamente tendem a ser os maiores prejuízos de tais populações. (Stella e cols., 2002). Ou seja, idosos fisicamente ativos podem interagir mais e estabelecer relações adequadas em seu cotidiano.

Como proposta para inserção do idoso em atividades diversas especialmente físicas Oliveira, Gomes & Oliveira (2006), apontam a criação de programas nacionais em centros de convivência para idosos, com o fim de promover maior participação em movimentos assistenciais e sociais; aperfeiçoamento de conhecimentos por meio de cursos, especialização; envolvimento com atividades culturais, desportivas e de lazer, visando à diminuição da sintomatologia depressiva neste grupo etário. Em um estudo com esta população Guimarães, Mazo, Simas & Salin (2006) ao estudarem 102 idosos, com idade igual ou superior a 60 anos, de ambos os sexos, sendo 82 mulheres e 20 homens, pertencentes a um programa de atividade física, concluíram que a maioria dos idosos deste estudo não apresentou tendência a estados depressivos, os participantes descreveram sua capacidade de vida diária como sendo muito boa. No que tange a pratica de atividades físicas os idosos que praticantes têm uma baixa tendência a estados depressivos e uma melhor percepção da sua capacidade funcional, ou seja, maior autonomia nas atividades da vida diária. O estudo considerou como ponto de maior relevância que a atividade física é um componente importante na saúde física e mental do idoso, tendo em vista seus benefícios biopsicossociais

Em outro estudo apresentado por Andrade (2003) com o objetivo de avaliar a redução dos níveis de depressão em idosos com mais de 60 anos, após atividade física no meio aquático, pode observar que a atividade física com pessoas idosas no meio aquático causou uma redução no nível de depressão de 15 sujeitos, de um total de 16, o que permite concluir que a atividade física no meio aquático reduz o nível de depressão, contribuindo para um estilo de vida independente e saudável, melhorando muito a capacidade funcional e a qualidade de vida para essa população. Entre os apontamentos de Andrade (2003), é de especial importância a atividade física em pessoas com mais de 60 anos, no entanto é observado que a sociedade atual tem ofertado poucas maneiras para que o idoso possa obter uma sobrevivência digna e saudável, especialmente em com espaços destinados a atividade física como um todo, sejam elas para que natureza for. Uma vez que nesta etapa da vida a atividade física torna-se vital, tanto pela vontade de descobertas, de assimilar novos valores e ter uma participação ativa, quanto de convivência e interação com seus companheiros etários.

De acordo com os apontamentos anteriormente descritos pode-se considerar que a atividade física tem seu aspecto de grande importância no idoso, seja em seus aspectos sócio-culturais, mas primordialmente no que se refere aos aspectos psicológicos e físicos, uma vez que a pratica de atividades físicas tem se demonstrado como forte preditor de melhores condições de vida nesta faixa etária. Deste modo sugerem-se estudos que avaliem a eficácia de atividades físicas diversas e especificas nesta população de modo a propiciar intervenções adequadas, tanto em casos de suspeita de aspectos depressivos, quanto em casos cujos sintomas estão cuidadosamente observados e outros manejos terapêuticos como medicamentoso pode ocasionar sintomas adversos e ou prejuízos em suas capacidade e habilidades diárias. Neste sentido, propõem-se que a pratica de atividade física seja também incluída nos diferentes tratamentos para esses transtornos.