A guerra da coréia

 por Luiz Carlos Silva

Na madrugada do domingo do dia 25 de junho de 1950, aproximadamente 4,00 h a República Democrática Popular da Coréia, liderada por Kim iL Sung (1912-1994), na época Secretário do Comitê Central do Partido Trabalhista, no intuito de reunificar a península, com suas tropas naquele momento sob o comando do Gen. Chai Ung Jun, iniciou um maciço ataque contra a República da Coréia, utilizando 7 Divisões de Assalto de Infantaria, uma Brigada de Tanques e 2 Regimentos independentes de Infantaria, com apoio logístico da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas cujo principal líder era Joseph Stalin (1879-1953), obtendo inicialmente amplo sucesso ao conquistar quase toda a parte sul da península.

Korean War

Neste ínterim ocorre um fato inédito e que nunca mais se repetiria: A decisão da URSS em se ausentar da reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU realizada em 27 de Junho de 1950 especificamente para tratar do assunto, ressaltando então que a ONU, por pressão dos EUA não aceitava em seus quadros a jovem República Popular da China, (estabelecida exatamente 1º de Outubro de 1949) o que fez com que o chamado Urso Oriental (União Soviética) deixasse de exercer o seu poder de voto e de veto, assim facilitando as coisas para o seu maior rival, os EUA,

A partir daí a ONU enviou tropas terrestres, marítimas e aéreas para ajudar a República da Coréia, desta coalizão: EUA e mais 15 países, 5 destas nações enviaram navios hospitais, unidades médicas e suprimentos sendo que a maioria absoluta das tropas de combate (+de 90%) eram dos Estados Unidos da América.

Em 08 de Julho de 1950 a ONU designa o famoso General do Exército dos EUA, Douglas Mac Arthur (1880-1964) veterano da 2ª Guerra Mundial e indicado pelo Governo de seu país, como Comandante Supremo das Forças de Coalizão da ONU.

Os fatos que motivaram a eclosão da Guerra são versões de acusações mútuas: por exemplo, um fato muito marcante, importante, decisório, foi a declaração do então Secretário de Estado do Presidente Harry S. Truman (1884-1972);  Dean G. Acheson (1893-1971) com formação nas famosas Universidades de Yale e Harvard, declarando exatamente em 12 de Janeiro de 1950 que:

“O perímetro defensivo dos Estados Unidos abrangia as ilhas Aleutas, o arquipélago de Ryukyu e as Filipinas estando a Coréia excluída do perímetro de segurança dos Estados Unidos, ou seja, não pertencendo a lista de preocupações (países que os EUA defenderiam em caso de invasão) dos EUA tanto para  a Ásia quanto para o Pacífico, esta atitude por si só muito encorajou os líderes políticos da Coréia do Norte.”  (Dean G. Acheson)

Outros fatos que também contribuíram foram:

A ferrenha, sistemática perseguição, violenta repressão, violação dos direitos humanos, caça as bruxas, eliminações, prisões, torturas a grupos socialistas dentro da Coréia do Sul (mergulhada em uma forte crise econômica) e além do mais:

Os freqüentes pronunciamentos de Syng Man Rhee (1875-1965) ameaçando atacar e anexar a parte norte da península, também muito influenciaram para a eclosão do conflito.

Após um processo de avanços e recuos nos campos de batalha, a própria capital Seul mudou de mãos em mais de uma oportunidade, os EUA firmam suas posições obtidas por uma série de significativas vitórias. Surge uma nova resolução no alto comando norte-americano, “Ocupar a Coréia do Norte”. O famoso Gen. de 4 estrelas Douglas Mac Arthur, era um dos mais entusiasmados defensores da idéia, o que para ele poderia, posteriormente desdobrar-se em um ataque Yanque a República Popular da China. Os EUA ultrapassam o paralelo 38 fixando forças na capital Pyongyang.

Korean war montage

Por outro lado, a República Popular da China que já tinha manifestado de maneira oficial, solidariedade aos norte-coreanos, adverte que se por ventura os EUA tomassem a iniciativa de invadir o norte da Península, sua nação participaria da guerra o que realmente ocorreu em Outubro de 1950 quando as tropas chinesas atravessaram o rio Yalu e entraram na Coréia do Norte, comandadas pelo famoso general Peng Teh Huai (1898-1974) conhecido na China como “O grande Peng” por sua extraordinária eficácia em táticas e estratégias de guerra. Pois segundo Mao Tse Tung (1893-1976) principal líder da RPC. “O povo chinês, voluntariamente havia decidido entregar-se a tarefa de resistir aos Estados Unidos da América, ajudando a Coréia e defendendo suas casas e seu país.” Entretanto, uma das fortes razões para os chineses entrarem no conflito reside no fato das tropas de Mac Arthur aproximar-se do rio Yalu (Amnok) fornecedor de energia ao principal núcleo industrial da República Popular da China.

Os chamados “Voluntários do Povo chinês” que na verdade era o próprio Exército regular chinês, reforçado com milhares de voluntários, conseguem recuperar a linha do Paralelo 38, gerando por parte dos Estados Unidos, por um lado uma surpresa ante as forças de mobilização bélica dos chineses, por outro, uma perplexidade quanto as práticas a serem adotadas na continuação da guerra. Porém deve-se salientar que somente com o envolvimento chinês nas ações militares, a Guerra da Coréia obteve novas perspectivas.

Em 1º lugar ficou afastada a hipótese de reunificação coreana pela luta armada, sendo assim os EUA teve que se contentar em defender estritamente a República da Coréia, outra situação relevante atribui-se a demissão do general Douglas Mac Arthur do Posto de Comandante das Tropas dos EUA e obviamente da coalizão da ONU, sua demissão ocorreu exatamente em 11 de Abril de 1951, face o militar ter proposto publicamente invadir a China pela região da Manchúria (divisa com a região norte da República Democrática Popular da Coréia), a fim de deter a propagação “Maoísta”, para isto utilizando armas nucleares, ou em suas próprias palavras “Não há substituto para a vitória”. Suas intenções divergiam do segmento encabeçado por Harry S. Truman, 33º Presidente dos EUA, o qual estava mais inclinado a uma solução pacífica para a questão coreana. Fazer uso do potencial nuclear acreditava Truman, poderia desencadear uma guerra em grande escala e abrir a possibilidade da União Soviética concretizar suas ameaças de ingressar no conflito com seus efetivos militares, inclusive correndo-se o risco de ocorrer uma 3ª Guerra Mundial.

Cabe a pena ressaltar que a política de Truman, por exemplo, já tinha sido responsável pelo lançamento exatamente em 06 e 08 de Agosto de 1945 de duas armas nucleares sobre a desprevenida, indefesa população civil de Hiroshima e Nagasaki, tornando-se o único país na história da humanidade a lançar tais armas sobre seres humanos, ou seja, duas catástrofes humanas e materiais sem precedentes, crime tão hediondo que apesar de impune, despertava naquele tempo extrema apreensão e um grande constrangimento e mal estar no seio da população norte-americana.

A guerra da Coréia foi suspensa exatamente em 27 de Julho de 1953 através da assinatura de Acordo de Armistício, norte e sul permanecem separados e ocupam quase o mesmo território que tinham antes do começo da guerra. O total de mortos entre todas as partes tanto civil quanto militar: Tropas da: Coalizão da ONU, República Popular da China, República Democrática Popular da Coréia e República da Coréia, ultrapassou a 4,5 milhões.

(Principal fonte: Folha da História, Julho de 2000)

 

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KWAN: Os Instrutores de “Karatê Coreano” e as origens do Taekwon-Do

por Diego Falcade

Na primeira metade do século XX muitos lutadores coreanos imigraram para a China ou Japão, já que na Coreia era proibido praticar artes marciais. Lá trabalhavam ou lutavam contra o seu próprio país.

Na China e no Japão, os coreanos podiam usar ou praticar artes marciais. É difícil descrever o período que o Taekwon-Do se encontrava em formação, já que ocorrências importantes raramente eram escritas em papéis e, quando era, a maioria dos registros foi destruída.

Depois do domínio do Japão, pelo menos cinco ou seis kwans foram criados entre 1940 a 1950. Um dos primeiros a estabelecer um ambiente estável de treino foi Won Kuk Lee, nascido em 13 de abril de 1907.

CLIQUE AQUI PARA LER O TEXTO NA ÍNTEGRA

Em 1946, houve tentativas de unificar as artes marciais. A data conhecida como o nascimento do Taekwon-Do é 11 de abril de 1955. Nesse dia um grupo de influentes homens entraram em conferência com o propósito de arranjar um nome para esse novo esporte, sendo proposto o nomeTaekwon-Do.

Choi escolheu o nome por ter ligação com os chutes e socos. No começo acharam muito parecido com “taekkyon” mas, depois concordaram.

Em 1959, Choi convocou uma outra reunião com os líderes dos Kwan, para recomeçar uma união.

Em 1965 Choi voltou para a Coréia após ter sido nomeado Embaixador da Malásia. Percebeu então, que o Tae Soo Do era a mesma arte marcial que ele tinha criado com outro nome, por isso sugeriu que o nome voltasse a ser Taekwon-Do  e assim ocorreu.

Em 22 de março de 1966, o Taekwon-Do atingiu o seu lugar como arte marcial global, após a criação da Intenational Taekwon-Do Federation.

BIBLIOGRAFIA

COOK, Doug. Taekwondo Tradicional: Técnicas Essenciais, História e Filosofia; tradução, Marcos Malvezzi. São Paulo: Madras, 2011

Boosabum Diego Falcade (1o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro

Esclarecimento dos constantes equívocos sobre a história do Taekwon-Do / Taekwondo na internet

por Luiz Carlos Silva

EQUÍVOCOS:

1) A Moo Duk Kwan foi fundada em 1947.

2) Em 1952 aconteceu a famosa demonstração dos peritos militares da 29ª Divisão de Infantaria para o 1º presidente da República da República

3) A OH Do Kwan foi fundada em 1955.

4) A Korea Taekwondo Association foi fundada em 1961.

5) CHI DO KWAN e JI DO KWAN, são escolas diferentes.

6) A 1ª excursão para demonstrar a arte do Taekwondo para fora da República da Coréia ocorreu no ano de 1965.

O CORRETO:

1)  A Moo Duk kwan foi fundada exatamente no dia 09 de novembro do ano de 1945, pelo GM Hwang Kee, sempre lembrando que ele nasceu exatamente no dia 09 de novembro do ano de 1914 e faleceu em 14 de Julho de 2002

2) A famosa demonstração da arte para o 1º presidente da Coréia do Sul, ocorreu no ano de 1954, e nem poderia ter ocorrido no ano de 1952, pois a demonstração foi realizada pelos peritos militares da 29ª Divisão de Infantaria do Exército da República da Coréia. A 29ª Divisão de Infantaria foi fundada pelo General Choi Hong Hi exatamente no 2º semestre de 1953, portanto nem existia em 1952.

3) Conforme o General Choi (1918-2002) disse em muitas e muitas oportunidades a Oh Do Kwan  foi estabelecida pelo próprio General Choi no 2º semestre do ano de 1954 logo após a famosa demonstração para o 1º presidente da República da Coréia Dr. Syng Man Rhee(1875-1965), e no próximo ano 1955 em 11 de Abril ocorreu a famosa conferência, onde foi sugerido oficialmente o nome Taekwondo pelo General Choi.

4) A Korea Taekwondo Association foi fundada pelo General Choi Hong Hi exatamente no dia 03 de Setembro do ano de 1959.

5) Chi Do Kwan e Ji Do Kwan é a mesma palavra, ocorre uma diferença de pronúncia tradução para a letra J e Ch (X). Alguns que postaram na Internet colocaram erroneamente como duas escolas distintas, este erro  já foi muitas vezes esclarecido na Internet.

6) A 1ª Excursão de peritos de Taekwondo para demonstrar a arte fora da República da Coréia, ocorreu no mes de março do ano de 1959. Foi exatamente em Taiwan e Vietnã. Foi uma equipe de peritos militares convidados oficialmente por estes países para lá demonstrar a arte já com o nome Taekwondo. O chefe da missão foi o General Choi Hong Hi.

É importante ressaltar que em 1965 ocorreu a 1ª Excursão de Peritos Civis (Good Will tour) foram eles (peritos):

Han Cha Kyo, Kim Jun Kun, Kwon Jae Hwa e Park Jong Soo para demonstrar o Taekwondo para fora da Coréia do Sul, em missão oficial do governo sul coreano tendo sido designado o general Choi Hong Hi como chefe da missão.

A passeata pela independência da Coréia em 1o. de março de 1919: “SAM IL”

por Luiz Carlos Silva

O Movimento de Independência SAM IL, também conhecido como a Marcha de Independência SAM IL, foi um dos eventos mais marcantes ocorridos na península, clamando pela independência da Coréia em tempos difíceis de dominação japonesa. Foi um dos mais significativos atos na história da humanidade, que levou a conhecimento do mundo, todo o grandioso patriotismo, coragem e altivez do povo coreano.

A inspiração do Movimento foi ocasionada principalmente por dois acontecimentos:

Um deles foi o discurso de 14 pontos do 28º Presidente dos Estados Unidos da América Dr. Thomas Woodrow Wilson (1856-1924) do Partido Republicano, proferido exatamente em 8 de janeiro de 1918 no Congresso daquele país, no qual Woodrow estimulava a política de autodeterminação, tanto para as pequenas como para as grandes nações.

O Movimento também foi inspirado pela Conferência de Paz iniciada em Paris em 18 de janeiro de 1919 que proclamou o fim de alguns domínios coloniais. O rei Kojong enviou uma delegação liderada por Kim Gyu-sik, aos quais não lhes permitiram suas presenças como delegados com direito a voto. Os coreanos estavam totalmente desinformados sobre o pacto secreto entre Estados Unidos, Japão e França para excluir a Coréia e a Indochina da Conferência de Paris.

Após saber sobre o discurso de Wilson, jovens estudantes coreanos no Japão publicaram uma Declaração, exigindo a independência coreana. Quando esta declaração chegou a conhecimento do Movimento Nacional da Resistência na Coréia, liderado por 33 religiosos (metodistas, budistas, presbiterianos, chondoístas) os quais formavam o núcleo do Movimento, incluindo o patriota Son Byong Hi (1861-1922) líder da religião Chondoyo, esta liderança decidiu que estava chegando a hora de agir, portanto patriotas coreanos, na maioria religiosos e também jovens estudantes, no mais absoluto segredo, planejaram, organizaram e montaram demonstrações populares pela Independência nacional, todo este secreto planejamento foi cuidadosamente disseminado por todas as cidades, povoados e aldeias da Coréia, os quais finalmente irromperam nas ruas, tendo como ponto de partida o dia 1º de Março de 1919, quando veio a tona a notícia do falecimento do rei Kojong (1851-1919), que tinha sido envenenado pelos japoneses no dia 21 de janeiro de 1919.

Entretanto ardilosamente Wilson não demonstrou em sua declaração, que nem todas as colônias estavam livres, obviamente levando os coreanos a não perceberem que tal liberdade não se aplicava para: Coréia, Índia, Tibet, Pérsia, Líbia, Marrocos, Vietnã e algumas outras colônias dos vencedores da 1ª Guerra Mundial. Os nacionalistas coreanos erroneamente levaram ao pé da letra o discurso de Wilson e não perceberam toda sua sagacidade, que ardilosamente, nas entrelinhas não relatou em seu discurso que a Coréia e alguns poucos outros países não estariam livres, ou seja, não perceberam que Wilson não era tão bonzinho como ele mesmo se considerava.

Cabe à pena lembrar que os Estados Unidos exatamente no ano de 1905 durante a gestão de seu 26º Presidente Theodore Roosevelt (1858-1919), concordou com a anexação da Coréia pelo Japão justamente no Tratado Taft-Katsura. O qual foi um memorando assinado durante o encontro entre o Secretário de Guerra dos Estados Unidos William Howard Taft (1857-1930) e o 1º Ministro japonês Katsura Taro (1848-1913) ocorrido exatamente em 27 de Julho de 1905 em Tóquio, com data de 29/07/1905 (memorando) no qual os Estados Unidos comprometeu-se em não interferir na política de influência do Japão sobre a Coréia e em troca o Japão comprometeu-se em não interferir na política de influência dos Estados Unidos sobres as ilhas Filipinas.

Aproximadamente as 14,00 h do dia 1º de Março de 1919, os 33 religiosos nacionalistas, reuniram-se no Restaurante Taehwagwan em Seul e leram a Declaração de Independência, os nacionalistas inicialmente tinham planejado reunirem-se no Parque Tapgol no centro de Seul, mas decidiram de última hora mudar para um local mais reservado, tendo em vista o receio que tal reunião pudesse se transformar em tumulto, desordem. Os líderes do Movimento então assinaram o documento que havia sido redigido pelo escritor e historiador Choe Nam-son (1890-1957) e enviaram uma cópia para o Governador Geral da Coréia, General japonês Hasegawa Yoshimichi (1850-1924). Eles então telefonaram para a Delegacia Central de Polícia informando sobre as ações e logo foram presos.

Imediatamente após o encontro no restaurante, uma grande multidão reuniu-se no Parque Tapgol onde ouviram o estudante Chun Jae Hyong ler a cópia da Declaração publicamente. “O dia de hoje é marcado pela Declaração de Independência, haverá pacíficas demonstrações por toda a Coréia, tendo em vista, nossos encontros serem ordeiros e pacíficos, nós vamos receber a ajuda do Pres. Wilson e das Grandes Potências da Conferência de Paz em Paris e a Coréia será uma nação livre….

E logo o encontro transformou-se em uma gigantesca passeata, com milhares de manifestantes: religiosos, estudantes, mulheres, crianças, camponeses, cidadãos em geral gritando palavras de ordem como “VIVA A CORÉIA’ e também cantando hinos, com a intenção pacífica e ordeira de mostrar para o mundo o sublime sonho de tornarem-se livres novamente”.

Por sua vez os japoneses responderam com extrema brutalidade, selvageria, crueldade, milhares de pacíficos manifestantes foram: massacrados, baleados, assassinados, espancados, aprisionados, torturados, líderes cristãos foram crucificados, justamente para agonizarem na cruz, ou seja, sofrerem morte lenta, pois segundo os japoneses: “Assim estes coreanos irão para o céu”.

Na localidade de Jeam Ri os japoneses após terem aprisionado dezenas de pacatos cidadãos, os levaram para dentro de igreja, trancaram as portas e atearam fogo carbonizando todos que lá estavam.

Vários massacres aconteceram em cidades e aldeias da região de Suwon, onde diversas localidades foram pilhadas, saqueadas, as casas queimadas, as pessoas assassinadas, algumas pessoas conseguiram fugir e se refugiar nas montanhas, sobrevivendo apenas com a alimentação de raízes e plantas.

Não obstante o povo não deixou se intimidar e a verdadeira febre de demonstrações, manifestações, passeatas, que tinha se espalhado por toda a península, conseguiu obter uma ampla reação de simpatia mundial pela causa.

Os coreanos contabilizaram aproximadamente: 7.500 mortos, 16.000 feridos e 47.000 presos.

Os japoneses incendiaram 59 igrejas, 3 escolas e 724 casas.

Desde o início no dia 1º de Março de 1919 até o final 2 meses após, mais de 2 milhões de coreanos participaram das mais de 1500 demonstrações ocorridas em toda a península.

Para homenagear os patriotas, corajosos, mártires, heróis coreanos que participaram das passeatas, foram construídas várias chapas de cobre, com gravuras em relevo no Parque Tapgol, as quais estão situadas lada a lado, mostrando a história do Movimento pela Independência denominado “Sam iL.” Tapgol é o 1º Parque com estilo ocidental em Seul, e que incorpora a tradicional arquitetura coreana.

O terror vindo dos céus

por Luiz Carlos Silva

Durante todo o transcurso da guerra (1950-1953), Pyongyang a capital da República Democrática Popular da Coréia, foi pesadamente atacada com todos os tipos de bombas daquela época de forma implacável, indiscriminada e impiedosa pela Força Aérea dos Estados Unidos, principalmente com bombas de Napalm. Foram mais de 1000 bombas por quilômetro quadrado, e a destruição foi total e aniquiladora. Toda a estrutura e infra-estrutura da cidade foram destruídas: energia elétrica, água potável, hospitais, escolas, transporte, comunicações, pontes, indústrias, estradas, farmácias e todo o comércio. A cidade foi praticamente riscada do mapa.

Quando o armistício foi assinado em 27/07/1953 havia somente 2 prédios na cidade, na qual 400.000 pessoas haviam residido, uma foto aérea tirada em meados de 1953 sobre esta capital, mostrou que as condições da cidade estavam semelhantes as cidades de Hiroshima e Nagasaki logo após terem sido bombardeadas com armas nucleares pelos Estados Unidos em 06.08.1945 e 09.08.1945 respectivamente. É bom que fique aqui registrado que os EUA foi o único país na história da humanidade a lançar armas nucleares sobre seres humanos.

Quanto a guerra da Coréia, a destruição, matança indiscriminada, flagelo,  desgraça,  fome e  miséria sem paralelos que se abateram sobre a população coreana e de forma tão aguda que se perpetuou nos anos seguintes pela estagnação da economia e instabilidade política, como conseqüência de tão arrasadora experiência. Na parte norte da península coreana foram centenas de milhares de crianças, mulheres e idosos mortos despedaçados e carbonizados. Além de milhares de órfãos e sobreviventes, desfigurados pelas queimaduras, mutilados pelas bombas de fragmentação e por outras armas. E ainda milhares de famílias separadas e dezenas de milhares de casas destruídas, entre tantas outras barbaridades.

As terríveis bombas de Napalm

Durante todo o conflito (1950-1953), os Estados Unidos mantiveram uma política de pesados e constantes bombardeios em larga escala sobre a população da Coréia do Norte, especialmente utilizando bombas incendiárias contra todas as cidades e instalações civis e militares da parte norte da península coreana. Mesmo que esses tipos de atrocidades fossem tristemente lembrados no mundo pelo horror das imagens de vítimas civis, justamente na Guerra do Vietnã, pois naquele período programas de TV mostravam frequentemente para todo o mundo, cenas horripilantes de: crianças, idosos mulheres sendo queimadas vivas.

A bomba de Napalm possui uma substância gelatinosa que cola na pele, causando queimaduras de 3º grau, pois as pessoas mesmo entrando na água, ainda continuam queimando e significativamente muito mais Napalm foi lançado no norte da península (1950-1953) apesar do relativo pouco tempo de guerra em relação a Guerra do Vietnã. Para se ter uma idéia, durante o final da 2ª metade do ano de 1950, somente neste período foi lançado o equivalente a mais de 1 milhão de galões de Napalm sobre a população civil coreana na parte norte.

Em Maio e Junho de 1953, reforçando ordens do General Douglas Mac Arthur (1880-1964), o então 33º Presidente dos Estados Unidos Harry Truman (1884-1972), autorizou o General Curtis Emerson LeMay (1906-1990), líder do Comando Estratégico Aéreo (líder daquele comando desde 19 de Outubro de 1949) a bombardear toda a parte norte da península usando bombas de fragmentação e também bombas incendiárias. Em suma, a ordem era destruir todas as barragens, hidroelétricas, agricultura, indústria, plantações de arroz e incendiar todas as cidades e aldeias de camponeses da Coréia do Norte, matando também milhares de pessoas afogadas devido a destruição das barragens e posteriormente outros milhares morreram de fome.

C.E. LeMay, o mais jovem general da Força Aérea dos Estados Unidos a receber a 4ª estrela, desde Ulysses S. Grant (1882-1885) do Exército,  declarou:

“Nós matamos 30% da população da Coréia do Norte, na verdade nós matamos 40% da população da Coréia do Norte, talvez o maior percentual de população civil morta, na história de todas as guerras.”

O mesmo LeMay, já em sua aposentadoria declarou:

“Nós consumimos pelo fogo cada cidade da Coréia do Norte, e algumas poucas do Sul por engano, mas de qualquer forma nós as queimamos.”

O inesquecível ato solene de 22.09.2002 em memória ao General Choi

por Luiz Carlos Silva

Exatamente no dia 22 de Setembro de 2002 (data estipulada por ocasião das exéquias do General Choi), 70 representantes de 46 países participaram do serviço memorial simbolizando o 100º dia da morte do General Choi, fundador e Presidente da ITF. A solene e memorável homenagem foi realizada em Pyongyang, capital da República Democrática Popular da Coréia, ressaltando que o General Choi nasceu na região norte da península, antes da trágica divisão do país.

Um Congresso Especial também foi realizado em 22.09.2002 justamente para confirmar os sagrados desejos e vontades do supremo grão mestre Choi, expressos em suas últimas palavras quando com seu povo no dia 11 de Junho de 2002, perante 9 dos principais dirigentes da ITF entre os quais seus compatriotas mais graduados, antigos, fiéis e leais discípulos: Hwang Kwang Sung, Rhee Ki Ha e Park Jong Soo. 

O General designou seu sucessor, o membro do Comitê Olímpico Internacional Chang Ung, como novo presidente. E observou em suas próprias palavras:

“O Taekwon-Do nunca existirá sem a República Democrática Popular da Coréia.”

Este grande patriota e supremo pai do Taekwon-Do também falou: GM Hwang Kwang Sung, teu dever é grande e importante como Presidente do Comitê de Fusão (Unificação da Arte), referindo-se a futura união com a WTF.

No Congresso Especial de 22.09.2002 em seu discurso de aceitação, o membro do COI relatou nove metas para a nova presidência:

1. Estabelecer unidade e harmonia entre os membros da ITF por todo o mundo.

2. Reestruturar a constituição da ITF tornando-a mais forte em âmbito nacional e Internacional;

3. Obter reconhecimento do COI para a ITF.

4. Tratar com a WTF para a participação de membros da ITF nos Jogos Olímpicos.

5. Unificar o Taekwondo ITF e WTF

6. Estabelecer fontes mais fortes apara a captação de recursos para a ITF de acordo com leis de âmbito Nacional e Internacional.

7. Ajudar grupos organizados em seus respectivos países lhes garantindo apoio financeiro.

8. Ativar a Fundação Chan Hun para ajudar a ITF financeiramente.

9. Trabalhar arduamente para dar continuidade a filosofia e prática do Taekwondo original

A carreira do Sr. Chang Ung (64 anos em 2002) atravessa décadas como instrutor na Escola Profissional de Esportes de Pyongyang. Servindo sempre oficialmente como um dos principais dirigentes em muitos Comitês dos Esportes Olímpicos Coreanos. Ele é um dos fundadores da Federação de Taekwondo (ITF) na República Democrática Popular da Coréia um dos principais dirigentes que começou a apoiar a tentativa de unir as duas entidades (WTF e ITF) há vários anos. Em Agosto de 2002, encontrou-se com os membros do COI Norte/Sul -Coréia) para tratar da inclusão da ITF nos Jogos Olímpicos.

Chang Ung, que fala fluentemente o Inglês, declarou em seu discurso de aceitação em 22.09.2002.

“Devemos unir nossos concentrados esforços para superar tempestades. Devemos demonstrar o espírito indomável e perseverante do Taekwondo. Mostraremos ao mundo a força, a resistência e o valor dos Taekwondistas ortodoxos. Eu me antecipo em relação às informações que recebo sobre futuras críticas que poderão acontecer em relação ao meu trabalho. Sinceramente irei apreciar vosso apoio e encorajamento, para concluir meu discurso, há uma citação neste país “Impossível não é uma palavra coreana”.

Intolerância

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

Após a criação da World Taekwondo Federaition (WTF) a pedido do ditador sul-coreano Park, Jung-hee, em 1973, muito da estrutura do poder instalado na Coréia do Sul – incluindo o trabalho de seus embaixadores e dos agentes da Korean Central Inteligence Agency (KCIA) – é usado na tentativa de eliminar a existência da International Taekwon-Do Federation (ITF) e do General Choi, Hong Hi: são espalhados boatos sobre a dissolução da ITF e sobre a morte do seu fundador; há tentativas de sequestro e de assassinato do General Choi; Mestres e Instrutores sul-coreanos trabalhando em outros países são induzidos a trabalhar para a WTF através de propinas ou de ameaças à vida de seus parentes que permanecem na Coréia do Sul.

Embora tenha apoiado o golpe de estado que levou o generalíssimo Park ao poder, em 1961, o fundador da ITF afastou-se, aos poucos, do ditador e viu-se obrigado a emigrar para o Canadá, em 1972. Tornando públicas as suas críticas ao regime totalitário instalado em seu país, foi rotulado como um traidor.

Com o assassinato do General Park em dezembro de 1979, um novo ditador sobe ao poder na Coréia do Sul (o general Chun Do-hwan) e é responsável pelo massacre de civis na cidade de Kwangju: segundo a reportagem da BBC News (“The Kwangju massacre“), após o decreto de um nova lei marcial em 17 de maio de 1980, aproximadamente dois mil manifestantes são mortos pelas tropas governistas durante os protestos que se desenvolvem a partir do dia 18, passando o movimento de democratização a ser referido como “518” (May, 18). O trailer do filme ” May 18 – 화려한 휴가 “, sugestão do Sr. Luiz Carlos Silva (colaborador deste blog), dá uma pequena idéia desta chacina que foi abertamente condenada pelo General Choi, Hong Hi.

No início dos anos 80, para garantir a sobrevivência da International Taekwon-Do Federation (ITF), através da formação de Instrutores coreanos e da injeção de capital estatal, o General Choi firma uma sólida parceria com o governo da Coréia do Norte, o que lhe garante, além do muito dinheiro necessário para a publicação dos quinze volumes de sua enciclopédia Legacy, uma nova onda de disseminação do Taekwon-Do, com o envio de Instrutores coreanos certificados pela ITF para países capitalistas e, uma novidade, para países socialistas. Tal  sucesso, no entanto, rende ao General Choi e a toda a International Taekwon-Do Federation o reforço da pecha de “comunista”, o que, naquele momento histórico, não agrega um valor positivo à marca ITF nos países de economia de mercado.

É muito interessante o depoimento de um Instrutor de Taekwondo WTF, o finlandês Markku Parviainen, num seu artigo intitulado “The Dark Side of Taekwondo” e publicado num blog da revista Tae KwonDo Times. Ele nos conta de seu Mestre, um coreano combatendo fortemente o Taekwon-Do ITF:

“One funny example was how paranoid our Korean instructor was towards ITF taekwondo. He did all kind of accusations about ITF and how it was involved in international terrorism and how it was a Communist organization.

Durante uma visita do General Choi à Finlândia, há 30 anos atrás, Markku Parviainen e seus amigos foram ao local onde se realizava um campeonato nacional com a instrução de fotografarem todos os coreanos que se aproximassem do General Choi para que as imagens fossem entregues à embaixada sul-coreana. Somente mais tarde descobriram que o tal Mestre coreano trabalhava para a KCIA.

“I later found out that our teacher had very close connections to the Korean Secret Police and we were most likely providing some information to them.”

Prezados Leitores, quanto mais eu aprendo sobre a história das Coréias e sobre a história do Taekwon-Do ITF / Taekwondo WTF, mais eu considero a arte marcial que tanto amo como um legado cultural – extremamente complexo – da Guerra Fria.

Bons dias !!!

Boosabum Eduardo Godoi (3o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Academia Shaolin – Louveira – SP
Rua Armando Steck, 294 – sala 2 – Centro