Subirusdoistiozin

Por Laís Semis 

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Quem se julga nata; cuidado pra não coalhar

Como o rap no geral, seu trabalho nasceu marginal. Apelidado de Criolo Doido, existe uma carreira anterior e bem mais direta por trás da imagem pacífica e de sucesso que Criolo exibe nos palcos e canais de TV.

Há muito tempo que ele ainda repercute o seu “Nó na Orelha”, disco lançado em 2011, embora tenha sido no fim dos anos 80 que Criolo começou a cantar rap. Fundador da Rinha dos MCs, a caminhada foi longa. O primeiro álbum de estúdio demorou a vir; “Ainda Há Tempo” nasceu em 2006, quando o Brasil já dava as caras de que tinha alguém grande chegando junto com aquelas batidas e rimas. As indicações foram as mais diversas: Artista Solo, Artista Revelação, Música do Ano, Personalidade do Ano, Revelações da Década. Épocas em que ainda atendia por Criolo Doido. Alguns destes, ele levou pra casa, outros foram reais indicações de que ele fazia parte de um time prometido.

Criolo pode até ter sido a aposta que deu certo, conquistando tribos juvenis diversas, no entanto, mesmo que mais trabalhado, mais comercial, Criolo não deixou de expor os problemas sociais que viu em sua vida – todos em palavras claras no álbum que estourou. “Nó na Orelha” é uma mostra versátil de um Criolo cheio de talento pra mandar ver nas mensagens com poesia.

Criolo

Você também já sentiu que o rap saiu das quebradas e também tomou as ruas? Os MP3 players e os assobios? GOG, Emicida, Kamau. E a popularização do estilo vai ficando mais explícita pra quem não acredita quando ícones brasileiros elogiam ou integram os trabalhos destes artistas. Valendo não só para os músicos. Ou vai dizer que a participação do Neymar no vídeo de “Zica, vai lá”, do Emicida não é um indicativo e não atrai novas pessoas para conhecer um talento despercebido a alguns bons olhos desatentos?

Tirando de letra muito preconceito relacionado ao rap e abrindo portas pra uma nova geração que já demarca cada vez mais seu espaço, Criolo mistura um pouco de reggae, mpb, sem perder as rimas de um rap capaz de combinar a terminação “u-ex” durante uma música inteira. E depois das pedradas, o rapper termina o disco com o sambinha de “Linha de Frente”. Um Criolo para agradar a muitos gostos.

Sabotage

por Laís Semis

Fundado em 1979 em Nova York, os Beastie Boys revolucionaram ao unir o rap ao hardcore. Arriscando num estilo originado da Jamaica e que se popularizou entre as classes mais baixas norte-americanas, os garotos judeus brancos MCA (Adam Yauch), Mike D (Michael Diamond) e Ad-Rock (Adam Horovitz), apesar de suas diferenças, com letras escrachadas e estilo malandro, conseguiram ganhar as ruas e serem respeitados tanto dentro do hip hop, quanto de outros estilos, perdurando além de sua década.

Beastie Boys

Beastie Boys

O álbum “Licensed to Ill”, de 1986, foi o primeiro disco de rap a alcançar o lugar de número um nas paradas, vendendo 720 mil cópias em seis semanas. Depois disso, os discos seguintes só consolidaram os Beastie Boys em um lugar em que ninguém mais os poderia tirar por suas conquistas e inovações dentro da música.

MCA, morreu em Maio de 2012, vítima de câncer aos 47 anos. Para homenagear o músico, o clássico vídeo do sucesso “Sabotage” (1994) ganhou interpretação infantil. Embora hoje “Sabotage” seja um dos clips mais famosos, sendo que a audição da música remete automaticamente a sequência de perseguição policial, no ano em que foi lançado acabou perdendo a premiação dos melhores do ano para “Cryin’” (Aerosmith) e “Everybody Cries” (R.E.M.).

A discografia conta com oito álbuns de estúdio, sendo que o último, “Hot sauce committee pt. 2”, foi lançado no ano passado. Os Beastie Boys ainda não declararam se pretendem continuar com a banda sem MCA, mas o fato é que um trio tão característico não poderia ser tão facilmente substituível.