Won Hyo: introdutor do budismo na dinastia Silla ?

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

No volume 9 da obra Legacy (enciclopédia do Taekwon-Do publicada pelo fundador da ITF, General Choi, Hong Hi, nos anos 80 do século XX, com o auxílio do governo norte-coreano), encontramos a seguinte texto sobre o monge budista Won Hyo:

WON HYO: was the noted monk who introduced Buddhism to the Silla Dynasty in the year of 686 A.D.“, cuja tradução seria: “WON HYO: foi o notável monge que introduziu o budismo na dinastia Silla no ano de 686 d.C“.

Em alguns manuais/apostilas utilizados por algumas associações de Taekwon-Do ITF brasileiras, encontramos a seguinte tradução:

WON HYO: foi o notável monge que introduziu o budismo na Coréia, durante a dinastia Silla, no ano de 686 d.C.

O acréscimo, nesta tradução, das palavras em destaque, altera o significado da frase original e traz para o currículo apresentado a alguns praticantes desta Arte Marcial um erro sobre a história da Coréia ao transmitir aos alunos a ideia de que o budismo teria sido apresentado à nação coreana pelo monge chamado Won Hyo. A frase original remete apenas à suposição de que, no período em que o reino de Silla começou a exercer a sua hegemonia política sobre a nação coreana, o monge Won Hyo teria apresentado aos seus líderes o budismo.

Uma gravura com a imagem do monge Won Hyo.

Uma gravura com a imagem do monge Won Hyo.

O budismo já estava presente na cultura coreana há muito mais tempo, desde o período conhecido como dos “Três Reinos” (Koguryo, Silla e Paekche) e, segundo o historiador estadunidense Bruce Cumings, o budismo teria sido adotado como religião oficial do reino de Silla por volta do ano de 535 d.C., muitos anos antes do nascimento do monge Won Hyo (617 d.C.).

“… and the adoption of Buddhism as the state religion around 535 (Paekche and Koguryo adopted Buddhism earlier).” (Korea’s Place In The Sun – A Modern History; Bruce Cumings – 2005)

Um excelente livro sobre a história das Coreias escrito pelo pelo pesquisador estadunidense Bruce Cumings.

Um excelente livro sobre a história das Coreias escrito pelo pelo pesquisador estadunidense Bruce Cumings.

Ao buscarmos na internet a biografia do monge Won Hyo, encontramos bons textos na Wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Wonhyo) e no site Korean Buddhism (http://www.koreanbuddhism.net/master/priest_list.asp?cat_seq=10), entre outras fontes. É interessante notar que todas as referências a este personagem indicam o seu falecimento no ano de 686 d.C., o mesmo em que, pela historiografia oficial do Taekwon-Do ITF, ele teria supostamente introduzido o budismo na dinastia Silla.

Estas questões históricas não diminuem em nada a importância das contribuições do monge Won Hyo para a filosofia e a religiosidade coreanas e também não afetam a qualidade técnica do Taekwon-Do Tradicional. No entanto, como o fundador da ITF expressou várias vezes que esta Arte Marcial deveria contribuir para a divulgação da cultura e da história das Coreias, é essencial que os seus praticantes estejam atentos às atualizações que as pesquisas acadêmicas trazem aos temas concernentes ao Taekwon-Do Tradicional.

Bons dias !!!

Sabum Nim Eduardo Godoi (4o. Dan)

Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do Brasil
Rua Armando Steck, 408 – sala 3 – Centro – Louveira – SP – CEP 13.290-000

Infinito Particular

Por Laís Semismarisamonte1 (1)

Talvez a composição não seja o seu maior forte, mas nem por isso ela deixa a originalidade de lado ao assumir a voz de canções que não são suas. Enquanto intérprete, ela ousou canções de sucesso de diversos cantores e bandas; de Tim Maia à Titãs, passando por ritmos que vão do baião ao rock.

Desde a infância, sua história começa regada à música.

O pai adorava samba. Em sua casa, esse era o ritmo não só que frequentemente era invocado nos toca discos por nomes como Monarco, Cartola e Noel Rosa, como também o que a fazia dançar e que a impulsionou já aos nove a tocar bateria.

Fora de casa foi encontrando outros ritmos com quem descobriu e flertou através de amigos; na adolescência, conheceu os clássicos roqueiros e também os brasileiros que foram surgindo na cena nacional, como Legião Urbana e Titãs.

Dedicou-se a estudar piano, bateria, violão e canto lírico. Mas o sonho de ser cantora de ópera ficou muito distante quando Marisa Monte decidiu trocar a Faculdade de Música por se profissionalizar nas ruas, em casas de shows e teatros.

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Apesar de já ter feito algumas apresentações antes no Brasil, foi na Itália, onde cursava música, que começou a cantar em bares com um repertório composto por música brasileira. No entanto, viver profissionalmente da música só teve o start com Nelson Motta – um amigo da família –  que a viu tocar em Veneza e decidiu produzir os shows de Marisa em seu retorno ao país.

A figura marcada pelos lábios vermelhos, cabelo escuro encaracolado e pele branquíssima de Marisa Monte embalaram dezenas de sucessos da MPB, conquistando desde 89, sete álbuns de estúdio e nove milhões de cópias vendidas.

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E foi justamente dando a voz a canções compostas por outros que ela descobriu grandes parceiros que a acompanhariam por toda a carreira. Sem ter planejado, acabou se aventurando num projeto promissor; ao lado de Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes compôs um repertório que acabou sendo gravado secretamente e lançado em CD e DVD.

O power trio se utilizou do título de uma das canções para se auto-batizar “Tribalistas” e acabou atingindo com o seu único álbum a marca de 2,1 milhões.

A parceria entre os três já era de mais de década quando o projeto tomou forma e continuou com mais composições e gravações entre Marisa, Brown e Arnaldo Antunes – mas longe de serem novamente os “Tribalistas”, já que aquele era o registro de uma história em comum que seguiria se encontrando sem almejar uma continuação dentro do mesmo formato.

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Apesar de seus trabalhos mais recentes não se apresentarem com a mesma desenvoltura e vigor, olhando panoramicamente a carreira de Marisa Monte, dá para entender que com tantas referências que a marcaram nas diferentes fases de sua vida, era nada mais que natural que se tornasse uma intérprete tão versátil.

Situação atual e desafios do TaeKwon-Do Tradicional no Brasil

por Armando Vivas

Quando vejo a quantidade de eventos, Campeonatos ou Seminários que são realizados em todo Brasil pelas diferentes Organizações de TaeKwon-Do ITF, fico pensando em duas coisas: por um lado o grande potencial que têm o TKD tradicional para se desenvolver e crescer, e o muito que ainda há para fazer em prol desse desenvolvimento. E ao mesmo tempo a grande dispersão e divisão que se vive dentro deste universo ITF.

Organizações que não se reconhecem umas as outras. Mestres, Instrutores e dirigentes que praticamente não tem relacionamento entre si. Se uma determinada Organização realiza um evento, é muito comum que se ditem diretivas expressas que proíbem convidar a escolas que não pertencem a essa organização. E outras vezes também o contrário: proibição de participar de um evento organizado por outra escola ou Federação.

Essa é uma realidade tão inegável como prejudicial para aquilo que todos os que amamos esta Arte desejamos: o desenvolvimento e fortalecimento do TaeKwon-Do ITF no  Brasil.

Faz pouco tempo, em abril deste ano na cidade de Louveira, Estado de São Paulo se realizou um Campeonato que foi uma verdadeira exceção a esta regra. Estivemos presentes escolas que pertencem a três Organizações: FBT, OBTI, e ITF Masters. E esse Campeonato, que foi organizado por Sabum Nim Eduardo Godoi e sua Escola, a Ch’ang Hon Ryu, foi um exemplo palpável de que sim é perfeitamente possível realizar eventos abertos a todos os que trabalham dentro do nosso estilo, independentemente de com quem estejam alinhados nesse momento.

A 1a. Copa Louveira de Taekwon-Do Tradicional reuniu representantes de três federações internacionais e de cinco associações brasileiras (abril de 2013).

A 1a. Copa Louveira de Taekwon-Do Tradicional reuniu representantes de três federações internacionais e de cinco associações brasileiras (abril de 2013).

Mas esse foi um Campeonato modesto, tão modesto que nem sequer mereceu algum comentário por parte de alguma autoridade ITF dentro de Brasil.

Agora imaginemos o impacto que significaria organizar cada tanto um grande Campeonato Aberto á participação de todas as organizações e escolas que queiram fazer parte dele. Campeonatos ou eventos que poderiam se realizar por exemplo no Rio ou em São Paulo, só para nomear dois estados chaves. Isso teria um efeito benéfico para todos, eventos dessa importância poderiam atrair até a atenção da mídia  especializada, e sua repercussão seria muito maior sem dúvidas.

Particularmente, nós da UBT (União Brasileira de TaeKwon-Do) , não temos problema nenhum em participar de qualquer evento ao quais sejamos convidados, sempre que estiver ao alcance de nossas possibilidades.

Logotipo da União Brasileira de Taekwon-Do ITF, presidida pelo Sabum NIm Armando Vivas (6o. Dan).

Logotipo da União Brasileira de Taekwon-Do ITF, presidida pelo Sabum NIm Armando Vivas (6o. Dan).

Mas o que eu vejo não é uma tendência crescendo para esse lado, se não o contrário: parece que prevalece a divisão, as disputas, e a dispersão.

Está claro que cada Escola ou organização tem todo o direito de procurar o caminho que considere seja o melhor para seu próprio desenvolvimento e crescimento, mas isso não deveria ser um impedimento para tentar produzir e manter um relacionamento produtivo e respeitoso com o resto das organizações e dirigentes, o que derivaria sem dúvida nenhuma em benefício para todos.

Nós, na medida de nossas possibilidades continuaremos insistindo na necessidade de abrir e cultivar a perspectiva de construir um TaeKwon-Do de relacionamento mais aberto, de reconhecimento e respeito mútuo entre dirigentes e organizações. Um TaeKwon-Do acorde as exigências e possibilidades de nosso presente neste século XXI.

Sabum Nim Armando Vivas (6o. Dan)

União Brasileira de Taekwon-Do ITF
Rua Domingos de Morais, 1458 – Vila Mariana- São Paulo – SP – telefone: (11) 5539 4029

A guerra da coréia

 por Luiz Carlos Silva

Na madrugada do domingo do dia 25 de junho de 1950, aproximadamente 4,00 h a República Democrática Popular da Coréia, liderada por Kim iL Sung (1912-1994), na época Secretário do Comitê Central do Partido Trabalhista, no intuito de reunificar a península, com suas tropas naquele momento sob o comando do Gen. Chai Ung Jun, iniciou um maciço ataque contra a República da Coréia, utilizando 7 Divisões de Assalto de Infantaria, uma Brigada de Tanques e 2 Regimentos independentes de Infantaria, com apoio logístico da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas cujo principal líder era Joseph Stalin (1879-1953), obtendo inicialmente amplo sucesso ao conquistar quase toda a parte sul da península.

Korean War

Neste ínterim ocorre um fato inédito e que nunca mais se repetiria: A decisão da URSS em se ausentar da reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU realizada em 27 de Junho de 1950 especificamente para tratar do assunto, ressaltando então que a ONU, por pressão dos EUA não aceitava em seus quadros a jovem República Popular da China, (estabelecida exatamente 1º de Outubro de 1949) o que fez com que o chamado Urso Oriental (União Soviética) deixasse de exercer o seu poder de voto e de veto, assim facilitando as coisas para o seu maior rival, os EUA,

A partir daí a ONU enviou tropas terrestres, marítimas e aéreas para ajudar a República da Coréia, desta coalizão: EUA e mais 15 países, 5 destas nações enviaram navios hospitais, unidades médicas e suprimentos sendo que a maioria absoluta das tropas de combate (+de 90%) eram dos Estados Unidos da América.

Em 08 de Julho de 1950 a ONU designa o famoso General do Exército dos EUA, Douglas Mac Arthur (1880-1964) veterano da 2ª Guerra Mundial e indicado pelo Governo de seu país, como Comandante Supremo das Forças de Coalizão da ONU.

Os fatos que motivaram a eclosão da Guerra são versões de acusações mútuas: por exemplo, um fato muito marcante, importante, decisório, foi a declaração do então Secretário de Estado do Presidente Harry S. Truman (1884-1972);  Dean G. Acheson (1893-1971) com formação nas famosas Universidades de Yale e Harvard, declarando exatamente em 12 de Janeiro de 1950 que:

“O perímetro defensivo dos Estados Unidos abrangia as ilhas Aleutas, o arquipélago de Ryukyu e as Filipinas estando a Coréia excluída do perímetro de segurança dos Estados Unidos, ou seja, não pertencendo a lista de preocupações (países que os EUA defenderiam em caso de invasão) dos EUA tanto para  a Ásia quanto para o Pacífico, esta atitude por si só muito encorajou os líderes políticos da Coréia do Norte.”  (Dean G. Acheson)

Outros fatos que também contribuíram foram:

A ferrenha, sistemática perseguição, violenta repressão, violação dos direitos humanos, caça as bruxas, eliminações, prisões, torturas a grupos socialistas dentro da Coréia do Sul (mergulhada em uma forte crise econômica) e além do mais:

Os freqüentes pronunciamentos de Syng Man Rhee (1875-1965) ameaçando atacar e anexar a parte norte da península, também muito influenciaram para a eclosão do conflito.

Após um processo de avanços e recuos nos campos de batalha, a própria capital Seul mudou de mãos em mais de uma oportunidade, os EUA firmam suas posições obtidas por uma série de significativas vitórias. Surge uma nova resolução no alto comando norte-americano, “Ocupar a Coréia do Norte”. O famoso Gen. de 4 estrelas Douglas Mac Arthur, era um dos mais entusiasmados defensores da idéia, o que para ele poderia, posteriormente desdobrar-se em um ataque Yanque a República Popular da China. Os EUA ultrapassam o paralelo 38 fixando forças na capital Pyongyang.

Korean war montage

Por outro lado, a República Popular da China que já tinha manifestado de maneira oficial, solidariedade aos norte-coreanos, adverte que se por ventura os EUA tomassem a iniciativa de invadir o norte da Península, sua nação participaria da guerra o que realmente ocorreu em Outubro de 1950 quando as tropas chinesas atravessaram o rio Yalu e entraram na Coréia do Norte, comandadas pelo famoso general Peng Teh Huai (1898-1974) conhecido na China como “O grande Peng” por sua extraordinária eficácia em táticas e estratégias de guerra. Pois segundo Mao Tse Tung (1893-1976) principal líder da RPC. “O povo chinês, voluntariamente havia decidido entregar-se a tarefa de resistir aos Estados Unidos da América, ajudando a Coréia e defendendo suas casas e seu país.” Entretanto, uma das fortes razões para os chineses entrarem no conflito reside no fato das tropas de Mac Arthur aproximar-se do rio Yalu (Amnok) fornecedor de energia ao principal núcleo industrial da República Popular da China.

Os chamados “Voluntários do Povo chinês” que na verdade era o próprio Exército regular chinês, reforçado com milhares de voluntários, conseguem recuperar a linha do Paralelo 38, gerando por parte dos Estados Unidos, por um lado uma surpresa ante as forças de mobilização bélica dos chineses, por outro, uma perplexidade quanto as práticas a serem adotadas na continuação da guerra. Porém deve-se salientar que somente com o envolvimento chinês nas ações militares, a Guerra da Coréia obteve novas perspectivas.

Em 1º lugar ficou afastada a hipótese de reunificação coreana pela luta armada, sendo assim os EUA teve que se contentar em defender estritamente a República da Coréia, outra situação relevante atribui-se a demissão do general Douglas Mac Arthur do Posto de Comandante das Tropas dos EUA e obviamente da coalizão da ONU, sua demissão ocorreu exatamente em 11 de Abril de 1951, face o militar ter proposto publicamente invadir a China pela região da Manchúria (divisa com a região norte da República Democrática Popular da Coréia), a fim de deter a propagação “Maoísta”, para isto utilizando armas nucleares, ou em suas próprias palavras “Não há substituto para a vitória”. Suas intenções divergiam do segmento encabeçado por Harry S. Truman, 33º Presidente dos EUA, o qual estava mais inclinado a uma solução pacífica para a questão coreana. Fazer uso do potencial nuclear acreditava Truman, poderia desencadear uma guerra em grande escala e abrir a possibilidade da União Soviética concretizar suas ameaças de ingressar no conflito com seus efetivos militares, inclusive correndo-se o risco de ocorrer uma 3ª Guerra Mundial.

Cabe a pena ressaltar que a política de Truman, por exemplo, já tinha sido responsável pelo lançamento exatamente em 06 e 08 de Agosto de 1945 de duas armas nucleares sobre a desprevenida, indefesa população civil de Hiroshima e Nagasaki, tornando-se o único país na história da humanidade a lançar tais armas sobre seres humanos, ou seja, duas catástrofes humanas e materiais sem precedentes, crime tão hediondo que apesar de impune, despertava naquele tempo extrema apreensão e um grande constrangimento e mal estar no seio da população norte-americana.

A guerra da Coréia foi suspensa exatamente em 27 de Julho de 1953 através da assinatura de Acordo de Armistício, norte e sul permanecem separados e ocupam quase o mesmo território que tinham antes do começo da guerra. O total de mortos entre todas as partes tanto civil quanto militar: Tropas da: Coalizão da ONU, República Popular da China, República Democrática Popular da Coréia e República da Coréia, ultrapassou a 4,5 milhões.

(Principal fonte: Folha da História, Julho de 2000)

 

Por um Taekwon-Do sem fronteiras dentro do nosso país

por Eduardo Godoi

Prezados Leitores

O Ch’ang Hon Ryu Taekwon-Do é bastante conhecido como Taekwon-Do ITF: o fato de o seu principal desenvolvedor (com o auxílio de Mestres Pioneiros cujos nomes não são comumente citados nos “manuais e apostilas”), o General Choi, Hong Hi, ter fundado e presidido a primeira International Taekwon-Do Federeation (ITF), de 1966 atá o seu falecimento, em 2002, associou fortemente o nome e a sigla de um órgão gestor ao nome da Arte Marcial, chegando mesmo a substituir o epíteto original que acompanharia o nome Taekwon-Do: “Ch’ang Hon Ryu” (Taekwon-Do estilo Ch’ang Hon).

Hoje, usa-se o nome de um órgão gestor como se ele denominasse o conteúdo técnico da Arte Marcial ensinada. É como se, após a chamada “Revolução Científica do Século XVII”, a “Física Newtoniana” ficasse conhecida como “Física da Royal Society” pelo fato de Isaac Newton ter fundado e presidido a Academia Real de Ciências do Império Britânico.

3a. Edição da grande obra de Isaac Newton, já então publicada pela Royal Society (1727)

3a. Edição da grande obra de Isaac Newton, já então publicada pela Royal Society (1727)

Este mesmo “estilo de Física” é praticado no mundo inteiro em diversas instituições de ensino ligadas a diferentes órgãos gestores (Secretarias e Ministérios de Educação, por exemplo) e não há um comando centralizado numa única “federação” mundial. Imaginem se os “legítimos” newtonianos exigissem que a Royal Society controlasse o ensino de Física no mundo inteiro… A qualidade do conteúdo da “Mecânica Clássica” aprendido pelos alunos nas escolas e universidades não depende do controle de um único órgão gestor, de uma única “federação” e o fato de termos diversos órgãos gestores – a nível nacional e mundial – favorece, através dos espaços de intercâmbio e de competição saudável, o desenvolvimento contínuo desta disciplina.

Logotipo da "International Taekwon-Do Federation - ITF" utilizado por, pelo menos, três organizações com alcance mundial.

Logotipo da “International Taekwon-Do Federation – ITF” utilizado por, pelo menos, três organizações com alcance mundial.

Antes mesmo da morte do General Choi, já tínhamos, a nível mundial, algumas federações “disputando o mercado” para o ensino do Taekwon-Do Tradicional e, após o falecimento do Fundador da primeira ITF, o número de entidades internacionais aumentou significativamente (no artigo intitulado “O Taekwon-Do e suas federações“, o Leitor encontrará uma lista bastante abrangente de links para os sites de várias entidades internacionais). Se isto não comprometeu comprovadamente a qualidade do ensino da Arte Marcial, afetou, no entanto, algumas pretensões financeiras e de poder por parte de alguns que se consideram os “únicos e legítimos herdeiros” da obra desenvolvida, inicialmente, sob a liderança do General Choi.

O inferno são os outros…

Uma postura bastante comum em muitos líderes das principais organizações é, primeiramente, “negar a existência do outro” e, quando, com uma importante contribuição da internet, não dá mais para esconder dos próprios alunos que “inimigo mora ao lado“, nega-se lhe qualquer qualquer atributo de qualidade técnica, didática e gerencial.  Muitos gestores gastam um  tempo significativo falando mal dos seus concorrentes. Se os esforços para denegrir os concorrentes fossem concentrados na busca de métodos inovadores de gestão e de prática docente, as suas organizações alcançariam um desempenho muito melhor do que se, eventualmente, conseguissem  até mesmo “eliminar a concorrência”.

A concorrência é saudável, favorece a inovação e diminui a tendência a ficarmos acomodados, agarrados a modelos de gestão que, se alcançaram sucesso (???) no passado, já não servem para as demandas e desafios que o mercado nos coloca neste início de século XXI.

Diálogo, intercâmbio e competição…

Muitas vezes eu escutei colegas Faixas-Pretas lamentando um suposto “paraíso perdido”: – Ah, como era bom o tempo em que havia uma única ITF…

Era bom mesmo ? Não haviam os vários descontamentos abafados pela autoridade do General Choi e por seus representantes nacionais ? O Taekwon-Do Tradicional era amplamente conhecido e praticado no Brasil ? A maioria dos Instrutores podiam se dedicar exclusivamente ao Taekwon-Do e viver confortavelmente, com qualidade de vida digna e sem depender de outras fontes de renda ? Não haviam Faixas-Pretas defasados em suas graduações, que já mereciam estar bem mais avançados em suas carreiras ? Existiu, mesmo, esta “era dourada do Taekwon-Do ITF” no Brasil ?

Certamente, as dificuldades enfrentadas pelos praticantes desta Arte Marcial, no Brasil, não aumentaram com o surgimento de novas organizações gerenciando o Taekwon-Do Tradicional. Ao contrário, um primeiro benefício desta diversificação foi a distribuição, em diferentes entidades nacionais, de praticantes que, devido às mais diversas e justificadas disputas com seus pares, teriam, antes, que se afastar do Taekwon-Do ou se submeter a condições desfavoráveis aos seus desenvolvimentos como artistas marciais e como seres humanos.  Hoje, já existe uma possibilidade maior de encontrarmos uma entidade que se ajuste ao nosso “perfil profissional”.

Precisamos reconhecer e respeitar a existência do “outro”. Precisamos dialogar e aprender com o “outro”. Precisamos criar espaços para intercâmbios entre os praticantes ligados às várias organizações, realizando seminários técnicos, competições e mesmo encontros abertos àqueles que se encontram filiados às várias federações. O Brasil é um país continental e há espaço para todas as organizações crescerem e se desenvolverem em nosso país, todos podendo ganhar muito dinheiro com a prestação de serviços e venda de produtos ligados ao Taekwon-Do. Mas é preciso, também, ter muita coragem e muita competência para substituir, com inovação e qualidade, modelos de gestão ultrapassados e que nunca apresentaram resultados satisfatórios em nosso país.

Bons dias !!!

Sabum Nim Eduardo Godoi (4o. Dan)

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Monkemania

 

Por Laís Semis

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O nome da banda foi herança do pai do baterista Matt Helders, que na década de 70 integrava um grupo chamado assim. Antes, em 2001, formada entre vizinhos e amigos de escola, eles costumavam tocar covers e atender por “Bang Bang”, mas investindo em composições próprias, um sopro indie, em 2003, no país da Rainha os levou em direção da distribuição das demos e assolados pela onda do MySpace, os próprios fãs se deram o trabalho de divulgar e compartilhar o trabalho inicial, disponibilizando as músicas para download no site.

“We’re Arctic Monkeys, these is ‘I Bet You Look Good On The Dancefloor’ and don’t believe in hype”. O recado claro no início do vídeo de um dos primeiros hits da banda mais hype da última geração abria uma pancadaria que também vinha estampada no título do álbum “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” (2006). Apesar de moderninho, street rock, eles trouxeram influências do rap e de bandas como Led Zeppelin e Queens Of The Stone Age consigo mais do que os companheiros que dividiram o indie 00 com os Arctic Monkeys, como Franz Ferdinand, Libertines ou mesmo Strokes.

O sucesso “gigantosco” de uma geração esteticamente trabalhada para parecer mais “suja”, largada – mas aceitável dentro de qualquer casa, por uma leva cada dia mais conectada mas que também não abandonou o espírito rock’n’roll, os festivais e a ânsia por novidades musicais – mas agora de uma forma mais atualizada – que vazam na internet antes de alcanças às prateleiras das lojas ou mesmo os cliques de compras virtuais. Mas os Macacos Árticos também entendem essa ânsia porque fazem parte dessa mesma geração e, por isso, os próprios também disponibilizam alguns materiais antes do “oficial” chegar porque além de não ser possível lutar contra esse movimento, eles querem, antes de tudo, serem ouvidos.

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Apesar do bum que muitas bandas não conseguem segurar, eles não deixaram a peteca cair depois do primeiro grande álbum. “Favourite Worst Nightmare” (2007) passou a “maldição do segundo disco”, conseguindo segurar as expectativas de quem teve uma estreia bombástica e repetiu o sucesso emplacando o superhit “Fluorescent Adolescent”.

Entre um lançamento e outro, eles ainda tiveram tempo pra encomendar um EP, o famoso “Who The Fuck Are Arctic Monkeys?”, que também marcou a substituição de seu baixista Andy Nicholson por Nick O’Malley. E a trajetória seguiu-se firme: “Humbug” (2009), uma produção mais sóbria e madura ao mesmo tempo que sombria e “Suck It and See” (2011), mais lírico, reflexivo e suave sem deixar o quê de Arctic Monkeys frenético pra trás.

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Agora, os Arctic Monkeys se preparam para lançar seu novo disco, que singelamente leva o título de “AM”, trazendo 12 faixas nesse seu quinto álbum. A banda vem disponibilizando algumas das faixas do trabalho que tem previsão para ser lançado no início de Setembro. Confira:

01 – “Do I Wanna Know?”

02 – “R U Mine?”

03 – “One For The Road”
04 – “Arabella”
05 – “I Want It All”
06 – “No. 1 Party Anthem”
07 – “Mad Sounds”
08 – “Fireside”
09 – “Why d You Only Call Me When You re High?”

Ouça a canção aqui!

10 – “Snap Out Of It”
11 – “Knee Socks”
12 – “I Wanna Be Yours”

Além disso, também já é possível garantir o “AM” através da pré-venda pelo site. Josh Homme (Queens of the Stone Age), Pete Thomas, John Cooper Clarke e Bill Ryder-Jones fazem participações nesse disco que, segundo Alex Turner, o bandleader, soa como Dr. Dre. Sobre o disco, Homme, entre elogios revelou uma faceta dançante do que vem por aí.  Na verdade, ele retribui a participações, já que Turner também marcou presença no disco do Queens OTSA , “Like Clockwork ”, lançado mês passado.

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Capa de “AM” que tem previsão de lançamento para o dia 9 de setembro

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Por Laís Semis 

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Quem se julga nata; cuidado pra não coalhar

Como o rap no geral, seu trabalho nasceu marginal. Apelidado de Criolo Doido, existe uma carreira anterior e bem mais direta por trás da imagem pacífica e de sucesso que Criolo exibe nos palcos e canais de TV.

Há muito tempo que ele ainda repercute o seu “Nó na Orelha”, disco lançado em 2011, embora tenha sido no fim dos anos 80 que Criolo começou a cantar rap. Fundador da Rinha dos MCs, a caminhada foi longa. O primeiro álbum de estúdio demorou a vir; “Ainda Há Tempo” nasceu em 2006, quando o Brasil já dava as caras de que tinha alguém grande chegando junto com aquelas batidas e rimas. As indicações foram as mais diversas: Artista Solo, Artista Revelação, Música do Ano, Personalidade do Ano, Revelações da Década. Épocas em que ainda atendia por Criolo Doido. Alguns destes, ele levou pra casa, outros foram reais indicações de que ele fazia parte de um time prometido.

Criolo pode até ter sido a aposta que deu certo, conquistando tribos juvenis diversas, no entanto, mesmo que mais trabalhado, mais comercial, Criolo não deixou de expor os problemas sociais que viu em sua vida – todos em palavras claras no álbum que estourou. “Nó na Orelha” é uma mostra versátil de um Criolo cheio de talento pra mandar ver nas mensagens com poesia.

Criolo

Você também já sentiu que o rap saiu das quebradas e também tomou as ruas? Os MP3 players e os assobios? GOG, Emicida, Kamau. E a popularização do estilo vai ficando mais explícita pra quem não acredita quando ícones brasileiros elogiam ou integram os trabalhos destes artistas. Valendo não só para os músicos. Ou vai dizer que a participação do Neymar no vídeo de “Zica, vai lá”, do Emicida não é um indicativo e não atrai novas pessoas para conhecer um talento despercebido a alguns bons olhos desatentos?

Tirando de letra muito preconceito relacionado ao rap e abrindo portas pra uma nova geração que já demarca cada vez mais seu espaço, Criolo mistura um pouco de reggae, mpb, sem perder as rimas de um rap capaz de combinar a terminação “u-ex” durante uma música inteira. E depois das pedradas, o rapper termina o disco com o sambinha de “Linha de Frente”. Um Criolo para agradar a muitos gostos.